Classificação

9.3
Interpretação
9.1
Argumento
9.2
Realização
9.4
Banda Sonora

Temporada: 2

Nº de episódios: 13

(Atenção: esta review pode conter spoilers!)

Como devem saber, no passado dia 21 de dezembro a plataforma de streaming Hulu trouxe-nos a segunda temporada de Marvel’s Runaways. Se já são fãs desta série, sabem que Runaways se baseia nos livros de banda desenhada homónimos e pertence ao universo cinemático da Marvel.

A série tem então como foco um grupo de seis adolescentes que se juntam contra um inimigo comum – os seus pais, conhecidos também como Pride. Nesta segunda temporada somos reunidos com os nossos protagonistas após estes fugirem dos seus pais, sendo obrigados a viver nas ruas da Califórnia até arranjarem forma de por termo à ameaça.

Agora que estamos contextualizados, vamos conversar um pouco. Estejam à vontade para ir buscar uns snacks ou para ir à casa de banho antes de continuar. Vão lá, eu espero.

Já voltaram? Estão confortáveis? Então vamos a isto!

Comecei a ver Runaways pouco depois da sua estreia, em novembro de 2017. Quase de imediato, fiquei viciada na série e, sem grandes surpresas, vi todos os dez episódios em cerca de dois dias. Arrependi-me bastante dessa decisão assim que me apercebi de quanto tempo teria de esperar por uma nova temporada (que, como devem já ter percebido, foi cerca de um ano. Sim, chorei um pouco na altura, mas não faz mal).

A verdade é que gostei da série. Estou bastante familiarizada com séries de super-heróis, tanto da Marvel como da DC, mas havia algo de diferente em Runaways que me prendeu o interesse. Ainda assim, apenas gostei dela. Fiquei um bocado desapontada por a primeira temporada se focar mais nos pais do que aquilo que estava à espera. Salvo uma ou outra exceção, não eram personagens de quem gostava particularmente, pelo que não tinha qualquer interesse nas mesmas.

Avancemos um ano. Estamos agora no dia 21 de dezembro de 2018 (na verdade, dia 22 para nós aqui na Tugalândia). A nova temporada de Runaways é lançada na Hulu e o Natal chega mais cedo! Como burro velho não aprende línguas, consumo a temporada num dia. Choro, rio, choro mais um pouco, chateio-me, digo asneiras, volto a chorar e, de repente, a temporada chega ao fim. Como assim?!

Volto a ver a temporada, mais devagar desta vez. O ciclo repete-se. Apercebo-me de que não gostei desta temporada. Não, gostar apenas é uma ofensa. Gostar apenas é compará-la à temporada anterior e não posso fazê-lo de consciência tranquila, quando a realidade é que amei por completo esta nova temporada de Runaways.

Ao ver esta segunda temporada, reparei quase de imediato que a série tem agora um orçamento consideravelmente mais elevado do que na temporada anterior. Os efeitos especiais, a banda sonora, toda a ambiência da série e mesmo a escrita e realização vêm a demonstrar isso mesmo. Torna-se claro que, após o sucesso da primeira temporada, a Hulu resolveu investir mais em Runaways e, na minha opinião, foi um esforço que sem dúvida alguma valeu a pena.

Algo que sempre admirei na série é o facto de esta seguir os comics quase à letra. É uma constante: aconteceu na temporada anterior e, novamente, nesta nova temporada. A caracterização das personagens continua fiel à banda desenhada, assim como a storyline da série, salvo pequenas alterações aqui e ali. Desde a maneira como a ansiedade de Gert é explorada, ao detalhe de o Staff of One só poder realizar um comando uma vez, às novas personagens introduzidas nesta temporada, acho que esta adaptação tem sido muito bem conseguida.

Acho também que a prestação do elenco continua a melhorar a olhos vistos e adoro que as séries juvenis de hoje em dia nos continuem a dar a conhecer novos talentos. À exceção de um ou outro adulto e de Gregg Sulkin, não conhecia nenhum dos outros atores antes da sua participação em Runaways. Tenho gostado de ver a sua evolução ao longo da série (tanto do elenco como das personagens em si) e sim, mesmo os pais começam a tornar-se progressivamente mais toleráveis.

Infelizmente, não posso falar muito mais sobre as coisas de que gostei nesta temporada sem entrar em spoilers, por isso peço-vos que me digam nos comentários quais foram os vossos momentos favoritos desta temporada de Runaways e partilharei também os meus! Mas continuemos.

Sei que tenho parabenizado a série por se manter tão fiel à banda desenhada, mas se tenho algum desejo para a próxima temporada de Runaways é que se afaste um pouco mais dos comics. Se, por um lado, adoro que a caracterização seja spot on, por outro não gosto que a série se torne um pouco previsível para quem, como eu, já leu a banda desenhada.

Por fim, apesar de uma terceira temporada ainda não ter sido confirmada, tenho altas expectativas para o futuro de Runaways. Esta temporada veio a mostrar o quão grande o seu potencial é e, ao ver a receção que ela teve por parte dos fãs, tudo me leva a acreditar que realmente há um futuro para esta série. Talvez até uma crossover com Cloak and Dagger? Só o tempo dirá…

 

Melhor episódio:

Episódio 13 – Split Up – Vou ser muito honesta convosco: foi muito, mas mesmo muito difícil escolher o melhor episódio. Esta temporada teve uma grande quantidade de episódios que considerei quase-excelentes, entre eles a season premiere, os episódios sete, onze, doze e, por fim, treze. Resolvi nomear este último como o melhor episódio da temporada por se tratar de um episódio que prendeu a minha atenção do início ao fim e brincou, em vários momentos, com a minha ansiedade ao criar momentos de tensão. Adorei as fight scenes entre a família Minoru (que, vim a descobrir mais tarde, não foram feitas com duplos!) e gostei bastante do final aberto. Acho que, enquanto season finale, este episódio fez exatamente o que uma final deve fazer: deixar os expectadores ansiosos por uma nova temporada.

 

Personagem de destaque:

Nico Minoru – Se escolher o melhor episódio foi difícil, escolher a melhor personagem foi literalmente “a walk in the park”. Nunca tive dúvidas que Lyrica Okano fosse uma excelente atriz, mas ainda assim conseguiu surpreender-me. Na minha opinião, a Nico foi colocada numa posição de destaque desde que assumiu a responsabilidade enquanto líder do grupo (sejamos francos, o Alex não esteve presente durante muitos dos momentos importantes dos nossos Runaways) e demonstrou o seu valor. Assim como as outras personagens, Nico passou por bons e maus momentos e acho que a interpretação por parte de Lyrica foi perfeita, em especial nos momentos em que a personagem demonstrou emoções contrastantes. Vimos Nico ser uma pessoa fria e vingativa, mas também vulnerável e insegura. Não tenho quaisquer dúvidas de que as pequenas decisões interpretativas tomadas pela atriz fizeram com que esta personagem se tornasse tão interessante e, ultimamente, a minha personagem favorita desta segunda temporada.

Inês Salvado