Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
6.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Dark Mon£y não é, de todo, uma série fácil de ver, não é fácil de digerir e não sei se tenho coragem de a recomendar a alguém. Não tem a ver com a qualidade ou com a falta dela, mas sim com o peso do seu tema.

A série estreou há mais de dois anos na BBC One e chegou agora a Portugal através do Disney+. São quatro os episódios e neles conhecemos a história de Isaac Mensah (Max Fincham), um menino inglês de 13 anos que conseguiu um papel importante num blockbuster de Hollywood. No entanto, ao voltar a casa ele revela aos pais que foi abusado sexualmente pelo poderoso produtor do filme. O primeiro episódio é muito bom, mas o resto da série não lhe faz jus. Apesar da relevância do tema abordado, há qualquer coisa que fica em falta. Senti-me desconfortável, senti-me zangada, senti revolta, mas não sei… A posição destes pais é a última em que alguém quereria estar, mas a série não conseguiu o feito de muitas outras que, antes dela, me fizeram sentir uma ligação profunda às personagens e à própria história e isso fez toda a diferença em termos emocionais. Costumo chorar a ver ficção que envolve estes temas delicados, mas aqui isso não me aconteceu, e sei que isso significa algo no que diz respeito à forma como a série me marcou.

Vemos a família a lidar com o peso do segredo, visto que Isaac nunca quis que ninguém, para além dos pais, soubesse o que tinha acontecido; vemos os pais a lidar com as consequências da sua própria decisão em relação à forma como lidaram com a questão e vemos as outras pessoas da vida do miúdo a aperceberem-se de que não algo não está bem, embora sem saberem o quê. E tudo isto, como é natural, cria fissuras que ameaçam estas relações e que em nada contribuem para que a família seja capaz de sarar, tanto quanto possível.

Normalmente devoro estas séries com poucos episódios num só dia, mas levei três a terminar Dark Mon£y. Queria saber como tudo ia terminar, mas esta não é uma série para ver com pressas. É para digerir, lentamente, e para alternar, de preferência, com uma coisa leve. Se tiveres filhos, ainda para mais na adolescência, se calhar é melhor escolheres outra coisa para ver, a sério!

Diana Sampaio