Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

No passado mês de abril, o canal americano Freeform estreou a sua nova série, Cruel Summer, que chega dia 6 de agosto a Portugal através da Amazon Prime Video. Realizado por Jessica Biel, este thriller adolescente tem lugar em Skylin, uma pequena localidade fictícia no estado do Texas, ao longo de três anos da década de 90. A comunidade de Skylin é abalada quando Kate Wallis (Olivia Holt), uma jovem popular, adorada por todos e invejada por muitos, desaparece sem deixar qualquer rasto. Jeanette Turner (Chiara Aurelia), uma rapariga de óculos, aparelho e cabelo frisado, esquecida pela sua comunidade, vê-se implicada no desaparecimento de Kate, tornando-se rapidamente na jovem mais odiada dos Estados Unidos da América.

Cada episódio de Cruel Summer apresenta à sua audiência um único dia no decorrer de três anos – 1993, 1994 e 1995 –, sendo que Happy Birthday, Jeanette Turner tem lugar, como o seu nome indica, no aniversário de uma das nossas protagonistas. Esta estrutura permite à série expor mudanças drásticas na vida das suas personagens, mostrando a transformação de Jeanette de rapariga peculiar e desajeitada a jovem popular e, por fim, autêntica pária social. Exige ainda atenção por parte da sua audiência – que começa a juntar as peças em falta entre acontecimentos – sem nunca se tornar difícil de acompanhar. De facto, existe todo um conjunto de fatores que convergem de modo a acentuar as diferenças entre as diversas linhas temporais, que funcionam de forma perfeita enquanto um todo.

Não entrarei em grandes spoilers relativamente a este episódio piloto, uma vez que acredito que a experiência que é ver Cruel Summer beneficia em muito de um certo elemento surpresa. Afinal de contas, é uma série de suspense e qual seria a piada de a ver sabendo tudo o que acontece? No entanto, posso afirmar com toda a certeza que Cruel Summer faz um excelente trabalho ao subverter determinadas expectativas e lugares comuns associados a este género, surpreendendo pela positiva em muitos aspetos, no que diz respeito ao seu argumento (redigido, neste primeiro capítulo, por Bert V. Royal). Existem vários momentos de diálogo que surgem como foreshadowing a acontecimentos que têm lugar mais tarde no episódio e, até mesmo, no episódio seguinte – que se encontra já disponível.

A par de um bom argumento, surge ainda uma realização cativante, levada a cabo neste primeiro episódio por Max Winkler. Mencionei, anteriormente, que a estrutura narrativa da série e os elementos visuais que permitem que esta seja levada a cabo com sucesso são um ponto a seu favor, mas existem também vários planos sugestivos que contribuem para a ambiência de Cruel Summer, plantando ainda na mente da sua audiência ideias cujos frutos são colhidos à medida que a história se desenrola. De modo geral, trata-se de uma série tensa, mas satisfatória e altamente viciante (como qualquer boa série de suspense deveria ser).

Também o elenco de Cruel Summer aparece como um elemento aliciante e bem pensado. Já estava familiarizada com Olivia pelo seu papel em Marvel’s Cloak and Dagger, pelo que a qualidade da sua prestação nesta nova série não me surpreendeu. A atriz adota com facilidade a sua nova personagem, produzindo uma atuação convincente e, por vezes, emocionante, em especial no segundo episódio da série. Por outro lado, esta instalação representa o meu primeiro contacto com Chiara desde a sua breve aparição em Pretty Little Liars, sendo esta a atriz que se destaca neste episódio piloto, mostrando-se à altura do desafio que é representar Jeanette em três estados bastante distintos da sua vida. Ao elenco principal juntam-se ainda nomes como Froy Gutierrez (Teen Wolf), Harley Quinn Smith e Allius Barnes, assim como Sarah Drew (Grey’s Anatomy) no elenco recorrente.

No geral, e após ter a possibilidade de visualizar os dois primeiros episódios desta série, considero que Cruel Summer é uma boa aposta, destacando-se de outras concorrentes dentro deste género. Na minha opinião, é a série perfeita para o verão que rapidamente se aproxima e certamente mostrar-se-á capaz de recrutar o seu culto de seguidores.

Inês Salvado