Classificação

7.5
Interpretação
8
Argumento
7
Realização
6.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Estreia hoje na OPTO o primeiro episódio da série portuguesa Prisão Domiciliária que acompanha a vida do engenheiro e ex-ministro Álvaro Vieira Branco (Marco Delgado), que após ter estado preso três meses por suspeita de corrupção, abuso de poder, tráfico de influências, prevaricação e participação económica em negócio, passa agora a estar em prisão domiciliária. Assim, neste primeiro episódio, para além de ficarmos a conhecer Álvaro e o contexto e situação em que se encontra, conhecemos também a sua família, mais especificamente a sua esposa Raquel (Sandra Faleiro), os seus filhos Matilde (Paula Magalhães) e Frederico (Simão Fumega), e a sua mãe Maria de Lourdes Vieira (Valerie Braddell), e ainda o seu advogado David Rebelo Morais (Afonso Pimentel).

Ora, este episódio pouco mais é do que essa apresentação, quer das personagens quer do contexto em que se encontram, e confesso que no final deste fiquei com aquele sentimento de que me soube a pouco. Eu encaro isso como sendo algo positivo, porque me faz querer ver o próximo episódio (que só estará disponível na próxima semana) e dessa forma ficar a saber mais sobre a história, ainda para mais dada a existência de algumas semelhanças com um certo caso que tem sido muito mediático nos últimos tempos (isto só por si já me despertava muito o interesse e a curiosidade), mas o inverso também pode acontecer, ou seja, não ficarmos convencidos o suficiente com aquilo que nos é apresentado e consequentemente perdermos o interesse em ver os restantes episódios.

Acho sinceramente que vai depender muito do interesse inicial que a pessoa realmente tinha em ver a série. Isto é, dado a premissa particular de Prisão Domiciliária, considero que quem já tinha, à partida, intenção de ver a série muito provavelmente a vai querer ver até ao fim e não será o pouco que foi apresentado neste episódio que mudará isso; agora quanto àqueles que não tinham tanto a certeza, podem não ficar muito convencidos. Pelo sim pelo não, o melhor mesmo é darem uma oportunidade e quem sabe no final não acabam por ver os dez episódios que compõem esta série.

No entanto, não é só a história que se destaca em Prisão Domiciliária, mas também as personagens, principalmente o Álvaro e a Raquel. Definitivamente, Álvaro conquista pelo seu carisma, ainda que não me pareça uma pessoa muito fiável, e eu não saiba muito bem o que sentir em relação a ele. Apesar da sua situação, em alguns momentos ainda nos consegue fazer rir ligeiramente, contudo, quando tem que se passar, também não faz por menos. Quanto à Raquel, simpatizei bastante com ela, principalmente porque acho que é difícil ficar indiferente à sua situação: o seu marido é suspeito de diversos crimes, devido à investigação as contas foram congeladas e, portanto, as dívidas começaram a acumular-se, muito “amigos” viraram-lhe as costas, e ainda teve que lidar com o impacto que a prisão do seu marido teve nos seus filhos e, consequentemente, na família como um todo. Resumidamente, ela teve que segurar o barco todo sozinha. E quer-me parecer que isto é só a ponta do icebergue. Resta então esperar para ver o que os próximos episódios nos reservam.

Cármen Silva