Legacies – 04×06 – You’re A Long Way From Home
| 26 Nov, 2021

[Contém spoilers]

Uma nova semana trouxe-nos um novo episódio de Legacies. Intitulado You’re A Long Way From Home, este mais recente capítulo da nossa série vê as gémeas Saltzman em busca de respostas para a condição do seu pai, o que leva Lizzie a descortinar um perigoso plano. Entretanto, Cleo canaliza os seus esforços em localizar Hope, que não quer ser descoberta. Já a nossa protagonista presta uma visita a uma cara familiar, enquanto Landon procura alguma clareza.

Pouco a pouco, esta temporada de Legacies ameaça vir a tornar-se das minhas favoritas (não que a fasquia estivesse muito elevada – em grande parte, graças à temporada anterior –, mas ainda assim). De facto, parece que a série começa a demonstrar ser capaz de manter um nível de qualidade constante ao longo destes seus últimos capítulos, seguindo, por um lado, a jornada de uma Hope desprovida da sua humanidade contra a Triad e, por outro, a busca incessante por respostas por parte dos restantes personagens.

Após os eventos de I Thought You’d Be Happier to See Me, a nossa protagonista vê-se obrigada a recorrer à única pessoa que conhece com ligações à Triad, na sua procura pela identidade das linhagens responsáveis pela sua fundação. Essa pessoa é Ryan Clarke, personagem o qual vive agora nos subúrbios com Trudy, a sua namorada de há duas semanas, depois de lhe ser dada uma nova oportunidade a uma vida normal (recorda Fate’s A Bitch, Isn’t It?). Satisfeito com as suas atuais circunstâncias, Ryan começa por rejeitar a oferta de Hope sem se aperceber que, na verdade, não tem muito (ou, francamente, qualquer tipo de) voto na matéria. De facto, a jovem Mikaelson insiste em tê-lo como seu sidekick nesta pequena aventura, ao ponto de fazer com que o irmão de Landon seja despedido do seu emprego e deixado pela sua namorada, tudo para que possa ter tempo para a acompanhar na sua missão.

Ainda que esta sua viagem à sede da Triad não seja propriamente emocionante (o que, admito, me desiludiu um pouco), estaria a mentir se dissesse que não adorei ver Hope neste novo episódio. Mais uma vez, acredito que Danielle faz um excelente trabalho em canalizar a energia caótica de Klaus Mikaelson para o contexto da sua própria personagem, resultando numa versão da nossa protagonista à qual não estávamos acostumados – apesar de nunca ter colocado em questão o facto de Hope ser uma autêntica badass. Deveras, o sentido de humor da personagem acaba por ser dos meus aspectos favoritos sobre esta sua fase sem humanidade, pelo que espero que Legacies continue a fazer render esta narrativa pelo menos até à sua midseason. Mas voltemos ao assunto.

Parece que, mesmo desprovida da sua humanidade, Hope é ainda capaz de sentir algo de bastante humano: a solidão. Na prática, a jovem Mikaelson nem sequer precisava da ajuda de Ryan para alcançar o seu objetivo. Tal como Clarke indica, a verdade é que a nossa protagonista pretendia companhia nestas suas aventuras e, acima de tudo, queria convencer-se de ter tomado a decisão acertada ao manter a sua humanidade offlineAssim, fiquei bastante satisfeita em ver o personagem confrontar Hope sobre o sucedido, procurando demonstrar que uma vida que vale a pena ser vivida está repleta de altos e baixos, sendo que fugir aos seus sentimentos irá apenas prejudicar Hope. Além disso, a jovem Mikaelson tem um privilégio em relação a Clarke, ao ter amigos e familiares que a amam e que aguardam ansiosamente pelo seu retorno.

Esta porção de narrativa entre Hope e Ryan acaba por indicar o regresso da nossa protagonista à Salvatore School já neste próximo episódio, o que me deixa bastante entusiasmada. Por outro lado, o facto de Clarke contar à sua namorada a verdade sobre o mundo sobrenatural faz-me alguma espécie, sendo que não consigo perceber se Trudy apenas parece suspeita ou se simplesmente foi um lapso de julgamento por parte do personagem. De um modo geral, no entanto, gostei imenso do comic relief proporcionado pelas cenas entre a nossa protagonista e o filho de Malivore, e acredito que funcionaram bastante bem no contexto deste episódio.

De regresso à escola, encontramos o nosso Super Squad a dar bom uso à therapy box, a qual utilizam para criar diversas simulações de um possível encontro com Hope. Procuram perceber qual a melhor forma de abordar a recém-formada tríbrida, mas os seus esforços geralmente terminam de uma só forma: Hope coloca um termo às suas vidas e parte ilesa da batalha. Estes resultados pouco animadores levam Cleo a considerar outras alternativas para lidar com Hope, talvez de forma permanente. Se bem te recordas, a musa está ciente da existência de algo capaz de derrubar a tríbrida – uma planta em tudo semelhante ao white oak utilizado contra a família Mikaelson em The Originals. Ora, apesar de todos os resquícios desta árvore terem sido eliminados, eis que a natureza encontra uma forma de criar algum balanço, tornando a árvore criada por Hope e as gémeas em We All Knew This Day Was Coming numa arma capaz de matar a protagonista.

Para meu alívio (e, de igual modo, minha angústia), Cleo resolve manter este trunfo em segredo, pelo menos por agora. Isto quer dizer que, por um lado, Josie – que concentra os seus esforços em encontrar Hope, procurando uma forma pacífica de recuperar tanto o seu pai, como Hope – está alheia à existência desta ameaça, sendo incapaz de fazer algo para a impedir de ser utilizada. Por outro lado, também Lizzie não sabe ainda da existência de white oak (algo que, dadas as circunstâncias, poderá ser benéfico à nossa protagonista).

De facto, acho curioso, embora não surpreendente, que as gémeas Saltzman tenham abordagens completamente diferentes no que diz respeito a como lidar com Hope, após o que a personagem fez a Alaric. Acredito que estas suas reações poderão ser indicativas de algo, mas tenho ainda algumas reservas em lançar qualquer tipo de teorias em relação ao assunto. A esta altura, apenas duas coisas parecem certas. Em primeiro lugar, Lizzie esteve quase disposta a sacrificar a vida de alguém em troca da saúde do seu pai, estando cada vez mais próxima de fazer algo de que não será capaz de regressar. Já Josie parece capaz de mover mundos e fundos para assegurar a segurança de Hope, algo que não abona a favor da sua atual relação.

No meio de um episódio bastante razoável, a narrativa de que menos gostei diz respeito a Ted e Landon, que procuram uma forma de abandonar o limbo em que se encontram de modo a encontrar alguma paz no “outro lado”. Sem algo para oferecer como pagamento ao barqueiro, estão destinados a passar a eternidade encalhados. No entanto, um punhado de boas ações são o suficiente para garantir a ambos passagem mas, antes de nos vermos livres dos personagens de vez, eis que alguém se junta a Ted e Landon, impedindo-os de transitar. Falo, é claro, de Alaric, cuja aparição surge como o único verdadeiro ponto de interesse nesta narrativa e apenas pelo facto de dar a indicar a morte do personagem. Novamente, imploro a Legacies: concentrem-se naquilo a que são bons e larguem todo este peso morto!

Ainda assim, creio que este foi mais um bom episódio para a série – certamente um que me deixa ansiosa pelo próximo capítulo, em especial após a terrível decisão de Kaleb em perseguir um novo monstro por si só. Acredito que este You’re A Long Way From Home foi um episódio um pouco mais lento mas que forneceu algum insight sobre os sentimentos das nossas personagens e o modo como diferentes intervenientes procuram lidar com o problema que é uma tríbrida sem a sua humanidade à solta no mundo. Entristece-me, no entanto, que Legacies continue a insistir em ocupar o seu tempo com porções da narrativa que não têm qualquer tipo de interesse, mas continuo a acreditar que esta temporada nos poderá surpreender pela positiva.

Legacies entra agora numa breve pausa, causada pelas celebrações do Dia de Ação de Graças. A série tem regresso marcado para o início de dezembro com o 7.º episódio desta sua 4.ª temporada, intitulado Someplace Far Away From All This Violence. Até lá, podes rever todos os seus episódios através da plataforma de streaming HBO Portugal.

Inês Salvado

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