Classificação

7.3
Interpretação
6.9
Argumento
6.9
Realização
8.6
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Após um breve hiato, Legacies regressa esta semana com Since When Do You Speak Japanese?, o quarto episódio desta nova temporada.

Quando um samurai aparece em Mystic Falls em busca de um demónio que possui as suas vítimas, Josie lidera a missão para defender os seus amigos do perigo. Entretanto, Landon e Rafael partem para o Mystic Falls High com a esperança de aprender mais sobre a misteriosa Hope. MG sente-se em conflito devido ao segredo que descobriu sobre Lizzie e o seu novo amigo, Sebastian. Por fim, Alaric vê-se forçado a repensar as suas prioridades.

Algo de que sempre gostei em Legacies é o facto de a série procurar capitalizar os talentos naturais do seu elenco. Já na temporada anterior, foram várias as instâncias em que os atores puderam mostrar outras facetas suas, tendo mesmo We’re Gonna Need a Spotlight servido esse propósito. Não só acho que é um gesto bonito por parte dos showrunners da série (especialmente tendo em conta a média de idades relativamente baixa do elenco), mas acho que é completamente justificado. Quer dizer, Chris Lee (que interpreta Kaleb na série) faz parte do elenco de Hamilton! É preciso dizer mais?

Ora, desta vez foi Kaylee Bryant (Josie em Legacies) quem teve esta oportunidade, ao poder falar japonês durante o episódio. Para quem segue a série de forma casual isto pode não parecer nada de importante, mas para quem segue o elenco e o behind-the-scenes bastou o título para saber que isto faria parte de Since When Do You Speak Japanese?. Gostei bastante que Josie finalmente tivesse um impacto positivo nesta temporada, após a negatividade que tem estado associada à sua narrativa. Ainda assim, sei que é inevitável que a personagem venha a tombar para o lado negro, mas, até lá, continuarei a apreciar os seus bons momentos.

No entanto, foi a segunda metade do duo Saltzman que, na minha opinião, se veio a destacar neste episódio. A minha relação com Lizzie na 1.ª temporada foi atribulada, tendo a personagem caído nas minhas boas graças muito mais tarde que as restantes, no episódio There’s a World Where Your Dreams Came True. É, definitivamente, um gosto adquirido, mas é inegável que nenhuma outra personagem traz um toque de humor à série da forma que Lizzie o faz. Uma das cenas deste episódio que mais se destacou na minha memória é, sem sombra de dúvida, a cena em que Lizzie está a comer gelado, sozinha, ao som de It’s My Party. Este, sim, é o meu tipo de humor.

Mas a verdade é que Lizzie tem tanto de hilariante como tem de heroica e demonstra-o mais uma vez neste episódio. Não só esteve disposta a matar Landon de forma a matar também o demónio (o que, em si só, foi bastante engraçado), como também considerou sacrificar-se a si própria para pôr fim a esta ameaça. Felizmente, as personagens foram capazes de chegar a uma outra solução um tanto menos drástica, mas a intenção esteve lá.

Ainda no tópico de Lizzie, a sua saúde mental tem sido um tópico de importância no decorrer da série, mas ainda mais nesta nova temporada. Referi, na review anterior, que não achava que Lizzie estivesse a perder a sua sanidade – algo que se veio a confirmar neste episódio, graças à ajuda de MG. Ainda assim, é complicado ver esta personagem passar por este tipo de tribulações e Jenny Boyd faz um excelente trabalho ao interpretar Lizzie nos seus vários estados. Acho que Legacies consegue balançar o humor que provém da situação de Lizzie com a seriedade da sua condição e tem sido interessante ver o desenrolar desta história.

Apesar de sempre presente, Hope ocupou um lugar mais secundário, neste episódio. O seu tempo de antena interliga-se com o das restantes personagens e, eventualmente, memórias sobre a tríbrida começam a surgir nas mentes daqueles que a esqueceram. É curioso que, de todas as personagens da série, Lizzie é a primeira a lembrar-se de Hope, ao invés de alguém como Landon, que parece ser a escolha mais óbvia. Parece que o facto de o demónio ter andado a mexer com a sua cabeça desbloqueou memórias reprimidas sobre a outra personagem e mal posso esperar por ver as implicações que isto terá nos próximos episódios.

Não poderia dar esta review por terminada sem antes mencionar o pequeno easter egg que foi deixado neste episódio (não, não me esqueci, nem me passou ao lado). Quem está já familiarizado com o TVD-verse terá reconhecido de imediato Kai Parker (Chris Wood), que, aliás, já foi referenciado anteriormente nesta mesma temporada e até mesmo na temporada anterior. Para quem ainda não leu as notícias, aconselho que saltem este parágrafo, porque temos aqui um spoiler alert em relação a episódios futuros. Foi há algum tempo anunciado que Freya (Riley Voelkel) iria fazer uma aparição em Legacies e, mais recentemente, as suspeitas dos fãs foram confirmadas quando o mesmo foi dito em relação à personagem de Chris. Se é verdade que estou ansiosíssima pelo regresso (ainda que temporário) de Freya, o mesmo não pode ser dito em relação a Kai. Nunca foi uma personagem pela qual nutrisse qualquer tipo de afeto em The Vampire Diaries e a sua presença em Legacies nada mais faz que não causar-me stresse. Entre Kai e o novo diretor, Lizzie e Josie têm muito com que se preocupar.

No geral, este foi mais um episódio razoável para a série, dentro daquilo que é o seu standard. Cá estaremos novamente na próxima semana para falar sobre um novo episódio!

Inês Salvado