Classificação

9
Interpretação
9
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Tenho de confessar que estava nervosa para ver o novo episódio de Killing Eve e também para escrever esta review. O episódio da semana passada deixou-me um pouco sem rumo tanto acerca da série como acerca do que escrever, porque não gosto quando não consigo identificar bem o que não me agrada nas coisas que vejo e por consequência quando não consigo também expressar-me da melhor forma sobre tal. Foi então com grande agrado e alívio que ao assistir a End Of Game não senti qualquer desconcerto ou inquietude porque o elemento não identificável que não me deixou desfrutar ao máximo dos últimos dois episódios felizmente não esteve presente.

Comecei esta série de reviews advertindo para o facto de que, com uma nova equipa de argumentistas, esta temporada de Killing Eve seria diferente e teríamos de estar preparados para a consumir com uma mente aberta. No entanto, rapidamente senti que o novo estilo estava a ameaçar demasiado a essência da série e, exatamente por isso, episódios como o terceiro e este – o sexto -, que nos transportaram tão bem para os tempos da 1.ª temporada, foram um grande conforto. No fundo, esta temporada tem evoluído por tentativa e erro, muitas vezes dando uma ‘no cravo e outra na ferradura’, o que resultou em episódios brilhantes e outros sem rumo. Tem sido quente e frio, confuso em termos de orientação e forma, mas, ainda assim, uma e outra vez Killing Eve consegue presentear-nos com televisão de excelência. 

Os últimos episódios acabam sempre por ser os mais entusiasmantes, quando tudo o que vai sendo construído ao longo da temporada finalmente dá frutos, arriscando-se também por isso a serem dececionantes. Para já, e ainda bem, a parte final desta 3.ª temporada parece prometer. O sexto episódio lançou-nos para a meta com um empurrão furioso, fazendo revelações chocantes como o facto de Niko (Owen McDonnell) estar vivo (é como as baratas, sobrevive sempre!), o chefe de Carolyn (Fiona Shaw) trabalhar para os Twelve, Konstantin (Kim Bodnia) poder ser pai de Kenny (Sean Delaney) ou o facto da relação deste com Geraldine (Gemma Whelan) ser demasiado íntima… 

Se houve episódios esta temporada em que nada aconteceu, neste foi exatamente o contrário. Todas as cenas foram entusiasmantes, todas nos deixaram com a sensação de estar à beira do abismo. Villanelle (Jodie Comer), principalmente, está prestes a explodir e é impossível não ficar com medo do que ela possa vir a fazer. Se critiquei o carácter demasiado dramático do último episódio, devo, no entanto, elogiar a viagem emocional de Villanelle nesta temporada. A intenção está claramente lá, de lhe dar um lado mais humano e finalmente provar que ela sim tem sentimentos reais, ao contrário do que o expert em psicopatas que visitou o escritório de Eve (Sandra Oh) e companhia na 2.ª temporada nos tentou dizer. A própria Eve – que disse a Villanelle que ela não sabe o que é amar – também já está convencida disso mesmo, não acreditando por um segundo que tivesse sido a assassina a tentar matar Niko, por saber que Villanelle nunca a magoaria de tal forma. Apesar de alguns detalhes parecerem demasiado simplistas e novelísticos, na sua generalidade, o caminho de Villanelle rumo à felicidade, ou pelo menos a uma tentativa dela, tem sido cativante, mostrando-nos, esta temporada, a Villanelle (ou devo dizer Oksana?) mais vulnerável e humana até agora.

Do ponto de vista do enredo, que tomou o assento de trás em favor da exploração da índole de cada personagem, este tornou-se também mais aliciante neste episódio. Tudo revolve à volta do drama do dinheiro roubado. E penso que este será o momento para recapitular. Portanto façamo-lo. O que sabemos: Charles Kruger, contabilista dos Twelve, reparou que 6 milhões de libras tinham sido retirados duma conta bancária dos Twelve em Genebra; ele pede ajuda a Konstantin para reparar este erro, para que os Twelve não se virem contra ele; sabemos, também, que Dasha (Harriet Walter) dá a ordem a Villanelle para matar Kruger, o que surpreende Konstantin; mas, mais tarde, quando Konstantin descobre que a mulher de Kruger tem informações sobre o dinheiro (um email), pede a Villanelle que a mate também. Neste episódio ficámos a saber que Paul, o chefe de Carolyn no MI6 que afinal também é um dos chefes dos Twelve, não sabe que foi Konstantin quem a mandou matar e que para ele o paradeiro do dinheiro permanece uma incógnita. Agora, eu tinha uma ideia de que Dasha tinha mencionado estes milhões previamente em referência ao custo de vida de Villanelle, mas depois de percorrer praticamente todas as cenas de Dasha, não consigo encontrar esse momento. A minha teoria inicial era, por isso, que tinha sido Dasha quem roubou o dinheiro, tendo-o usado para pagar a Villanelle, fingindo trabalhar para os Twelve. No entanto, sendo que Konstantin vai fugir e precisaria de dinheiro para tal e Paul diz que seja quem for que matou a senhora Kruger é o responsável pelo desaparecimento do dinheiro, parece-me também plausível que seja ele o culpado pelo roubo. Espero que os últimos dois episódios sejam esclarecedores o suficiente. 

Este episódio pôs a temporada de volta no caminho certo, sim, mas tenho um pressentimento de que vou ficar desiludida com a resolução, pois parece que deixaram tudo para o fim. A morte de Kenny, a questão do dinheiro, as alianças de Dasha e Konstantin, a relação entre Konstantin, Kenny e Geraldine, a própria relação entre Villanelle e Eve… Uma lista enorme de coisas que estão ainda por resolver, o que se pode tornar numa tarefa muito complicada de concretizar em dois episódios de 45 minutos. Veremos!  

P.S.: Deixem as vossas previsões para o resto da temporada nos comentários e se se lembrarem desta tal cena com que parece que sonhei em que Dasha menciona os 6 milhões de euros, please let me know!

Francisca Tinoco