Classificação

7.5
Interpretação
8
Argumento
7.5
Realização
8
Banda Sonora

Temporada: 1 

Número de episódios: 8

[Contém spoilers]

Natal, romance e Nova Iorque, com estas palavras apresento-vos a nova série da Netflix – Dash & Lily. Baseada na saga literária de Rachel Cohn e David Levithan, Dash & Lily estreou a 1.ª temporada a 10 de novembro e conta a história de dois jovens que através de um caderno partilham desafios, desejos e memórias. É uma história de amor em forma de caça ao tesouro.

Todos sabemos que esta é a época em que somos bombardeados pelos filmes de natal, que no seu género têm sempre os seus, a meu ver, bem vindos clichés. Com as músicas de natal a tocar como música de fundo, a neve a cair, as brilhantes decorações e, claro, um par de apaixonados que amam o natal ou discordam totalmente no que este significa para eles, sendo este último o caso.

Mas esta série não só incorpora os clichés como os ultrapassa com uma escrita formidável que não infantiliza os protagonistas. Nesta série de oito episódios vemos a evolução do romance natalício entre Dash (Austin Abrams), o cínico rapaz que detesta o natal, e Lily (Midori Francis) a eufórica rapariga que é apaixonada pelo natal.

Como na maioria dos romances, existem sempre alturas de incerteza, intrigas e momentos em que se atiram de cabeça ao amor, mas ao mesmo tempo temos diálogos originais, cerca de 25 minutos por episódio em que sentimos que a história está evoluir. A série não tem um “ar barato” nem desleixado, e como não podia deixar de mencionar, temos o que eu considero uma terceira personagem principal nesta história, Nova Iorque, no seu auge do natal, e não como passagens entre cenas como a maioria das séries, mas sim gravações em locais emblemáticos como a Union Square, Macy’s, Grande Central Station, Central Park, Dyker Heights e The Strand Bookstore, onde começa a história do caderno vermelho (sim existe mesmo).

Numa opinião muito pessoal, pergunto ao narrador porque me quer fazer chorar! “Imagine you’re in New York and it’s Christmas and you’re surrounded by people”, – não narrador, eu absolutamente não vou imaginar que nesta era Covid estou rodeada de pessoas num perfeito natal em Nova Iorque, porque por muito apetecível que seja sonhar que voltei ao meu natal de 2018, é ainda mais triste pensar que neste momento não o podemos fazer.

Os protagonistas foram muito bem escolhidos no sentido em que não têm o aspeto estereotipado da beleza e as suas personalidades são profundas e passam para este lado do ecrã. Lily é uma adolescente de 17 anos que está eufórica com a proximidade do natal. Ela tem cenas fantásticas como quando dança no tardio concerto de punk-judeu ou quando diz o que pensa sobre não aceitar como normal que os meninos puxem o cabelo das meninas e sejam aclamados como fofinhos. Ela não acredita enquadrar-se no meio adolescente, por isso prefere socializar com os seus adultos amigos e companheiros de coro. Midori Francis mostra-nos várias nuances da personalidade de Lily, o que nos faz acreditar na personagem. Dash tem uma personalidade menos efusiva que Lily. Ele detesta o natal e percebemos isso não só pela narração inicial da série, mas também pela forma como as personagens nos são apresentadas. Na visão de Lily é tudo perfeito, já na visão de Dash só existe confusão, as pessoas cantam mal as músicas, estão iludidas com amores de natal e ele está desacreditado na magia do mesmo.

Alguns factos behind the scenes desta série são que Abrams e Francis partilharam um caderno na vida real; a personagem do filme da Pixar, Collation, que está a passar no cinema na véspera de natal, foi feita por um artista que trabalha para a Pixar; e, por último, Nick Jonas não só tem um grande cameo no episódio final como também é um dos produtores da série com a sua nova produtora, Image32.

Frase favorita: “People think fairytales are for girls, but who do you think wrote them in the first place?” (As pessoas pensam que os contos de fadas são para as raparigas, mas quem achas que os escreveu em primeiro lugar?).

Melhor episódio:

Episódio 8 – New Year’s EveÉ extremamente difícil para mim escolher o melhor episódio desta 1.ª temporada, visto que todos eles se desenrolam na minha época favorita do ano, o natal! Mas escolhi o oitavo episódio, porque a última cena é simplesmente perfeita. Quem é que não gostaria de ficar trancado no ano novo numa livraria icónica na cidade de Nova Iorque? Muita gente talvez, já eu ia amar e com aquela decoração? Perfeito! Mas o que mais faz afirmar que este é o melhor episódio, é que existe sempre ação e nunca sabemos como vai terminar, não é previsível. No início do episódio temos como certo que Lily vai para Fiji, até que ela sai do táxi, que se está a dirigir para o aeroporto JFK, para espanto dos pais. Mais tarde ficamos a saber que o avô de Lily aceitou que ela ficasse com ele enquanto os seus pais estiverem em Fiji. Claro que isto é uma história de amor, mas é muito mais que isso, são duas pessoas que se puxam aos limites com os seus desafios e que se estão a descobrir separadamente. Neste episódio temos o cameo de Nick Jonas, como já mencionei, mas não só! Temos também a atuação da banda Jonas Brothers nos Hudson Yards com o original Like It’s Christmas. Um dos grandes momentos do episódio é quando o irmão de Lily decide mandar uma mensagem da carta que Dash lhe deixou, que diz que apesar de eles terem criado expectativas ridículas não queria dizer que o que sentiam não era verdadeiro e que a acha corajosa porque arrisca e corre pelas coisas que quer e finalmente assume que ela é a rapariga por quem ele se apaixonou.

Personagem em destaque:

Lily (Midori Francis) – Como personagem em destaque tive de escolher Lily. Ela é cativante, otimista, criativa, e claro, ama o natal. Ela é novata no mundo das séries mas a meu ver uma bela surpresa. Midori Francis conseguiu transformar a personagem de Lily, que tinha algumas particularidades que poderiam ser irritantes em traços de personalidade atrativos, Francis faz com que o espectador torça por ela e faz-nos seguir a aventura da personagem na busca do seu caminho para a felicidade.

Cláudia Gonçalves