Barman é a nova aposta ficcional do RTP Lab, que vai chegar à plataforma de streaming do canal português ainda este ano.

Continuam a chegar ao laboratório criativo e experimental do canal público português novas apostas ficcionais exclusivamente para o digital. Atualmente em gravações, Barman é uma comédia dramática, da autoria do humorista Carlos Pereira, que terá sete episódios, cada um com cerca de 20 minutos.

Inspirada na própria vida do seu criador, esta série digital, cujo argumento é uma co-colaboração com Tomás Rodrigues, Daniel Cruz e Guilherme Ludovice, conta a história da personagem Carlos (Carlos Pereira), um comediante que chega a um ponto em que já não consegue viver da sua arte, o humor. Um dia, recebe uma carta: deve dinheiro (que não tem) à Segurança Social. A dívida obriga-o à procura desesperada de um emprego estável, encontrando uma vaga como barman num bar.

Alexandra Matos, diretora executiva da produtora Many Takes, responsável pela produção de Barman, revela, em entrevista ao Séries da TV, que “a história conta o momento em que [Carlos] percebe que não consegue viver do humor, que se candidata ao bar e que vai trabalhar para [lá]. É um trabalho noturno, por isso fica sem as melhores noites de comédia para atuar e vê-se afastado” daquilo que realmente gosta de fazer. Numa narrativa que junta 47 personagens, Carlos vai encontrando quem prefira que ele arranje um trabalho fixo com um ordenado estável e que se deixe de fantasias, como é o caso de Vasco (Miguel Neves), o seu colega de casa a quem o humorista deve algumas rendas; e quem o incentive a ir atrás do seu sonho, como Madalena (Joana Pialgata), uma rapariga que sabe o talento que tem.

“Ele passa toda a série entre querer muito ser humorista mas não ter dinheiro, ao mesmo tempo que está confortável no bar e vai ficando por lá”, diz Alexandra Matos, produtora de Barman, juntamente com Matilde Vieira. No final, por qual dos caminhos irá Carlos optar? É esta a grande questão da série e que guiará a narrativa.

No elenco constam também os nomes de Teresa Gomes da Silva, a interpretar Emília, Francisco Pereira de Almeida, como Daniel, e Ricardo Maria no papel de Artur, todos colegas de Carlos no bar; e ainda Ana Sofia Gonçalves a interpretar Marta, a responsável do bar, e Pedro Miguel Silva, como Rogério, o dono do bar. Tomás Rodrigues irá passar para a frente das câmaras, no papel de Pedro, um humorista.

Com realização de Luís Almeida, as gravações da série começaram a 1 de março e decorrerão durante todo o mês, tanto em Lisboa como em Alcobaça. Quando os episódios chegarem aos pequenos ecrãs não há que estranhar se reconheceres o espaço que serve de pano de fundo às cenas do bar. É mesmo o Ferroviário, em Santa Apolónia. Este foi um apoio não-financeiro muito bem-vindo a um projeto que está a ser posto de pé com um budget reduzido. “O orçamento chega apenas para pagar muito pouco a técnicos e atores”, afirma Alexandra Matos. “Na RTP Lab os orçamentos são mesmo muito curtos e tudo o resto conseguimos através de apoios não-financeiros para conseguirmos fazer a série.”

A juntar à dificuldade de produzir uma série com poucos meios financeiros estão todos os cuidados acrescidos relacionados com a pandemia da COVID-19. De acordo com a diretora executiva da Many Takes, a RTP acrescentou ao orçamento um pequeno apoio financeiro destinado aos gastos com a pandemia, mas tudo o resto é da responsabilidade da produção. “Tivemos um apoio que nos ofereceu álcool gel e máscaras e fizemos testes rápidos de saliva a toda a gente. Vamos sempre fazendo à medida que vamos filmando. Temos cenas com muitos figurantes por causa do bar. Naturalmente temos de encher a pista e poderia ser um risco muito grande se não tivéssemos toda a gente testada e protegida.”

Ainda sem uma data de estreia definida, mas prevista para depois do verão, Barman conta com Filipe Mello e Maurício Franco (do estúdio Plata o Plomo),  JP Caudeano e José Ramos (da Restart) na equipa de imagem, com Nuno Norte na anotação e edição, com Filipa Batista na direção de arte , com Carine Panigaz no guarda-roupa, com Tomé Muniz Pereira como assistente de realização, com Pedro Caldeira e Afonso Crespo na direção de som e com Carolina Serrano na maquilhagem. Beatriz Caetano