[Contém spoilers!]

Lucifer, a série que retrata a vida do Diabo quando este se cansa de ser o Rei do Inferno e resolve vir viver para junto dos humanos, terminou em maio a sua 4.ª temporada. A série tinha sido levada ao público nos três primeiros anos pela emissora FOX, acabando resgatada do cancelamento pela Netflix, contando com uma base sólida de fãs.

Ao longo dos seus primeiros três anos, a aposta foi tornar Lucifer numa série policial com traços humorísticos, mas que, infelizmente, deixou de lado muito da sua mitologia por explorar. Aconteceu a este produto aquilo que acontece a muitos, a uma certa altura o público cansa-se de ver um caso novo todas as semanas, os personagens pouco ou nada evoluem e nem a adição de Tom Welling na 3.ª temporada foi capaz de igualar o bom nível atingido nas duas primeiras. As audiências ressentiram-se da baixa qualidade da temporada e, como consequência disso, a FOX resolveu cancelar a série.

Mas apareceu a Netflix e tudo mudou. Esta 4.ª temporada de Lucifer veio confirmar todo o potencial que a vasta legião de fãs via na série, começando logo com a redução de episódios, deixando para trás os habituais 22/24 e trazendo ao público apenas dez excelentes episódios. Aposta também bem conseguida foi o aproveitamento da última cena da 3.ª temporada em que Chloe finalmente acredita que Lucifer é o Diabo e na primeira parte da temporada debata-se com a aceitação disso mesmo e com as consequências disso na sua vida. Embarca numa viagem para a Europa para descobrir mais coisas sobre esta revelação, trazendo consigo o Padre Kinley. É com esta nova personagem que a série alarga em definitivo – e para melhor – a mitologia da série, algo que até então tinha ficado tão maltratado nos últimos anos. Descobrimos que o Vaticano sabe da existência do Diabo na Terra, que existem profecias sobre a sua estadia e que os demónios que habitam no inferno são tão reais quanto o seu criador.

Com ele chega também Eva, mulher de Adão e primeira namorada de Lucifer. E que boa adição ao elenco foi esta de Inbar Levi. A Eva que nos é apresentada representa, do meu ponto de vista, muitos dos problemas com que as mulheres se debatem ao longo dos tempos. Não saberem quem são sem o companheiro ao seu lado, que papel podem ter na sociedade e sobretudo o que fazer com a liberdade quando a têm. Eva vai descobrir isso ao longo da temporada. Não me interpretem mal, não é uma crítica, mas Eva, segundo reza a história, foi feita a partir da costela de Adão, à sua imagem e semelhança, e, como tal, quando se vê livre dele não sabe muito bem o seu lugar no mundo, acabando por, apesar do seu registo cómico, representar muito bem alguns problemas que afetam o sexo feminino.

O elenco secundário continua a ser uma das grandes armas desta série. Todos têm histórias bem interessantes, que se complementam e atestam a evolução dos personagens ao longo destes episódios. Destaque neste capítulo para a evolução de Amenadiel, que lida com a sua nova condição de pai, juntamente com Linda. Estou curiosa para saber o que lhes vai acontecer na quinta e última temporada. Apesar de mais apagada, não esquecer a fabulosa Meeziken, que continua a ser uma das melhores personagens da série. Mas confesso-vos que não achei grande piada ao romance entre Dan e Ella. O sentido desta relação é tanto que me deixa sem comentários para ela!

O episódio final traz-nos aquele que me parecia ser um encerramento digno para a série. Lucifer volta ao inferno porque os demónios que lá habitam sem ele não têm controle, mas não sem antes confessar o seu amor a Chloe e que esta lhe revelou ser recíproco. O anúncio da 5.ª temporada surpreendeu-me bastante, mas já estou com uma ansiedade para voltar a ver Lucifer a ser senhor de Los Angeles.

Catarina Lameirinhas