Acho que não é exagero dizer que todos nós temos séries preferidas e que se destacam das demais que ocupam a nossa agenda. Eu tive sempre coisas favoritas, quer sejam filmes, livros, músicas ou artistas, mas todas elas podem ser substituídas por novas que conseguiram marcar-me de forma mais significativa. Já há muitos anos que Expiação é o meu livro favorito, mas a ele juntou-se O Rouxinol e continuo a ter dificuldade a escolher entre os dois.

Durante muito tempo, se alguém me perguntava qual a minha série preferida, sentia que qualquer resposta seria uma traição e nunca sabia se devia responder Grey’s Anatomy ou One Tree Hill. Antes de OTH ter entrado na minha vida já tinha vivido com intensidade os dramas de Grey’s e por isso sentia-me sempre inclinada a dar como resposta a série que estava comigo há mais tempo. No entanto, vários anos depois de ter visto One Tree Hill continuo a achar que nunca terei por outra série o carinho que lhe tenho. Além disso, OTH tem a vantagem de ter acabado numa altura boa e de já não poder ser ‘arruinada’.

Catorze temporadas é muita coisa, é verdade! No entanto, Grey’s Anatomy foi a série com que mais vibrei, com que mais sofri, cujos episódios mais ansiosamente aguardei e ver isso desaparecer, em grande parte, é triste. Lembro-me de, há vários anos, pensar que se alguma vez a Callie – a minha personagem favorita de todo o universo seriólico – morresse ou saísse da série iria continuar a ver, nem que fosse para perceber o quão má se tornaria tudo sem ela. Dizia isto na brincadeira, mas agora quase se tornou verdade. É claro que o meu desinteresse na série não se explica com a saída de Sara Ramirez, mas também não ajudou. Foram muitas as personagens interessantes a abandonar a série e o mau drama começou a instalar-se, com histórias já mais do que vistas: uma irmã de Meredith a aparecer, relações a dar para o torto, médicos a fazerem asneiras e a acabarem por se safar sem grandes consequências… A série continuou a preservar um elenco enorme, o que cria muitas histórias paralelas e, para mim, desnecessárias. Até a banda sonora, que tinha sido sempre um dos pilares fortes da série, começou a decair. Houve épocas mais mortas na série, como a 8.ª temporada, mas nunca antes da 13.ª tinha dado comigo a apresentar verdadeiros sinais de cansaço. Grey’s Anatomy durou mais do que devia e isso ressente-se. Há alturas em que sinto vontade de deixar de ver, mas não consigo, nem sei se quero. Suponho que isto não aconteça só comigo, mas é uma espécie de dilema moral. Acho que é ‘lealdade’, lealdade a algumas personagens com quem ainda me preocupo genuinamente. E talvez também um pouco de curiosidade do género: como é que tudo vai acabar?

A série ainda me pode continuar a surpreender pela positiva (já o fez noutras alturas em que andava menos entusiasmada com os episódios), mas não irá recuperar o estatuto de minha favorita, disso estou quase certa. O lugar de minha ‘eterna’ (pelo menos por enquanto) favorita continua a pertencer a One Tree Hill. Volto a dizer que nenhuma série – nem mesmo Grey’s Anatomy nos seus melhores tempos – me fez sentir da mesma forma. Há algo de especial em OTH, algo que faz evocar a palavra ‘lar’, um sentimento de pertença, amor, amizade.

O lugar de minha preferida do momento pertence a Orange Is the New Black, mas há uns anos nunca teria imaginado. Desde o início que gostei da série, mas demorou umas quantas temporadas até vibrar com ela como agora. Orange cresceu em mim, se cresceu! A espera por cada nova temporada tornou-se muito difícil e, sempre que sai uma, é urgente a necessidade de ver todos os episódios de enfiada.

Muitas outras séries foram as minhas favoritas em tempos, mas nunca se espera que as nossas coisas preferidas da infância e da adolescência mantenham esse estatuto na idade adulta. É claro que não mantiveram, mas são para guardar com carinho num cantinho da memória reservado a coisas felizes do passado. Lipstick Jungle, Friday Night Lights e Friends são algumas dessas, séries que remontam à adolescência e ao início da idade adulta e que serão sempre uma espécie de marco. Once Upon a Time já surgiu mais tarde, no pico da minha vida seriólica. Todas elas foram minhas preferidas durante algum tempo. Ainda o são, apesar de OUaT ter também a capacidade de me deixar tão frustrada quanto Grey’s.

No entanto, desde que alguma série, seja ela qual for, continue a despertar em mim o mesmo ‘bichinho’ que todas estas que mencionei já despertaram, não tem importância se é Grey’s Anatomy, Orange Is the New Black ou One Tree Hill. Só preciso de continuar a ter ‘uma’ especial, mesmo que essa venha dar lugar a outra mais tarde. É um ciclo.

Diana Sampaio