Filmes com atores das séries que vale a pena ver (Parte 2)
| 25 Mar, 2017

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Já é mais do que sabido que as séries são a grande paixão aqui do nosso refúgio. No entanto, não é a única e é aí que entra o cinema. Recordam-se de uma crónica em que escrevemos sobre algumas das nossas obras favoritas da 7.ª arte que incluíam atores de séries no elenco? Já vai há algum tempo! Entretanto, muitos filmes novos saíram, muitos outros vi, por isso achei que estava na altura de fazer uma nova crónica com diferentes recomendações para uma maratona de cinema. Vão certamente reconhecer muitas caras do mundo das séries, mesmo que não sejam os protagonistas.

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Battle in Seattle (Batalha em Seattle), 2007

Com: Jennifer Carpenter (Dexter), Martin Henderson (Grey’s Anatomy), Joshua Jackson (Fringe), Ray Liotta (Shades of Blue) e Michelle Rodriguez (Lost)

Baseada em acontecimentos reais, mas com personagens fictícias, a história deste filme anda à volta da Conferência de Ministros da Organização Mundial do Comércio que decorreu em Seattle, Washington, no ano de 1999. Ou melhor, o enredo centra-se nos protestos contra esta organização, que é acusada de contribuir para um fosso cada vez maior entre ricos e pobres. Aquela que era suposto ser uma manifestação pacífica rapidamente descamba, quando um grupo de protestantes mais revoltados começa a destruir lojas e a causar outros distúrbios. A polícia não é capaz de acalmar os ânimos e responde com violência, o que nos remete para o tema fraturante da brutalidade policial e é precisamente por isso que Battle in Seattle tem uma mensagem tão poderosa. No rol de personagens temos protestantes, polícias e pessoas que simplesmente foram apanhadas no meio de toda aquela confusão, sem culpa nenhuma do que se estava a passar, e que ficaram magoadas. Ficamos com a perspetiva dos vários envolvidos nos acontecimentos e com a certeza de que em todos os lados há pessoas boas e pessoas más. É daqueles filmes ‘arrepiantes’ porque, de certa forma, está muito próximo da realidade em que vivemos.

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Dead Poets Society (O Clube dos Poetas Mortos), 1989

Com: Robin Williams (The Crazy Ones), Josh Charles (The Good Wife) e Robert Sean Leonard (House M.D.)

Este é daqueles filmes considerados quase obrigatórios de se ver. Daqueles filmes que até nos deviam dar a conhecer na escola porque, afinal, Dead Poets Society é um filme sobre um professor inspirador que muda a vida dos alunos. E o que eu desejei ter um professor como este! A ação passa-se num colégio de elite só para rapazes, o Welton Academy, com regras rígidas e um corpo docente conservador. No entanto, John Keating chega como o novo professor de Inglês e, para além de constituir uma revolução em termos académicos, influencia muitas outras partes da vida dos alunos, que acabam por ‘resgatar’ do passado o velho Clube dos Poetas Mortos – do qual Keating tinha feito parte – e juntam-se para ler poemas e prosa. Eles próprios começam a escrever e aprendem a lutar por aquilo em que acreditam. O momento em que todos se levantam e se colocam em cima das secretárias, dizendo “O Captain! My Captain!”, será sempre uma daquelas cenas inesquecíveis da história do cinema.

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Gone Girl (Em Parte Incerta), 2014

Com: Patrick Fugit (Outcast), Carrie Coon (The Leftovers), Kim Dickens (Fear the Walking Dead) e Neil Patrick Harris (How I Met Your Mother), Casey Wilson (Happy Endings)

Para quem gosta de mistério e de grandes twists, Gone Girl é imperdível! É, sem sombra de dúvida, o melhor que já vi do género e o meu filme preferido desse ano, com uma interpretação soberba de Rosamund Pike. Aliás, ando a torcer para que ela integre o elenco de uma série! No centro da história está o desaparecimento de Amy no dia do seu aniversário de casamento com Nick. Ao início, tudo parece indicar que alguém a atacou em casa. No entanto, à medida que a investigação se desenvolve, as provas parecem começar a apontar para o marido, como se ele tivesse encenado aquele cenário. Indicações de que havia grandes problemas no casamento fazem Nick parecer cada vez mais culpado, um marido abusivo. As provas estão todas contra ele e Amy parece ser mais uma vítima de violência doméstica. É claro que não vou revelar spoilers, mas posso dizer que a grande revelação deste filme é o mais bem engendrado twist de sempre! É a prova de que é possível fazerem-se coisas originais e completamente surpreendentes. Gone Girl é uma história construída de forma muito sólida e convincente, que faz refletir sobre a natureza do ser humano e das próprias relações. Recomendo também vivamente o livro que inspirou o filme, da autoria de Gillian Flynn, e com o mesmo nome.

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North Country (Terra Fria), 2005

Com: Woody Harrelson (True Detective), Sean Bean (Game of Thrones), Sissy Spacek (Bloodline) e Michelle Monaghan (The Path)

Vi este filme aproximadamente na altura em que saiu, quando era ainda adolescente. Uns bons anos mais tarde voltei a vê-lo e vivi-o de uma maneira muito diferente e mais intensa. A ação passa-se no final da década de 80′ e centra-se em Josey Aimes, uma mulher com dois filhos que regressa à cidade Natal para se afastar do marido violento. Para sustentar os filhos, arranja trabalho na mina local, considerada um local para homens, e depressa lhe começam a fazer a vida negra. É repugnante a forma como a tratam, como ninguém parece lembrar-se que é um ser humano que está ali. As coisas ficam tão más que Josey tenta chegar a alguém do topo da hierarquia da empresa, mas não fazem nada para a ajudar e, após mais alguns incidentes, ela acaba por pedir a ajuda de um advogado para instaurar um processo contra a empresa. No entanto, é aconselhada a arranjar outras mulheres para se juntarem à causa e assim começarem uma ação coletiva, mas, mais uma vez, Josey vê-se obrigada a ‘lutar’ sozinha, o que só serve para provar o seu valor. Maltratada e atacada por ser uma mulher num meio de homens, insultada por outras mulheres que acreditavam que ela era uma ameaça aos seus casamentos, Josey não se permitiu ser uma vítima, mesmo quando tinha todos os motivos para tal. Quase 30 anos nos separam da ação do filme, mas continuamos a viver num mundo incrivelmente sexista – culpa não só de homens, mas também de muitas mulheres – e são precisas muitas mais pessoas como Josey e talvez assim, daqui a 30, possamos dizer que finalmente as coisas mudaram.

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Short Term 12 (Temporário 12), 2013

Com: Brie Larson (United States of Tara), Rami Malek (Mr. Robot), John Gallagher Jr. (The Newsroom) e Kaitlyn Dever (Last Man Standing)

Este filme passou despercebido a muitos, já que não passou propriamente pelo circuito comercial, mas foi aclamado pela crítica e mereceu todos os elogios que recebeu. No centro da trama está Grace, uma jovem conselheira de uma instituição que acolhe miúdos problemáticos. Também ela teve um passado complicado e, por isso, consegue rever-se na história daqueles miúdos, principalmente com a de Jayden. Apesar de ainda estar nos primeiros anos de adolescência, Jayden já tem um historial de se cortar, tal como Grace. No entanto, cicatrizes como essas são sempre muito mais emocionais do que físicas e nunca ficam completamente enterradas no passado. Continuam presentes, de alguma forma. Esta é uma história comovente sobre pessoas com problemas muito reais e a quem a vida marcou de formas inimagináveis.

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Spotlight (O Caso Spotlight), 2015

Com: Rachel McAdams (True Detective), Liev Schreiber (Ray Donovan) e John Slattery (Mad Men)

Sempre se disse que o jornalismo era o quarto poder. Não o sensacionalismo barato (isso não é jornalismo!) que se vê por aí e em que tudo o que interessa é o volume de vendas, mas o jornalismo de investigação que se apoia num trabalho sério sustentado por provas. Spotlight centra-se numa investigação que traz ao de cima um escândalo de abusos sexuais a menores perpetrados por membros da Igreja Católica. Este filme pega num tema sensível – e denuncia um crime horrendo que muitos se esforçaram por esconder – de uma forma incrível. O prémio de Óscar para Melhor Filme provavelmente nunca foi tão bem entregue como nesse ano porque Spotlight consegue despertar uma série de sentimentos no espectador e confesso que foi um filme que continuou na minha memória durante muito tempo.

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The Age of Adaline (A Idade de Adaline), 2015

Com: Blake Lively (Gossip Girl) e Michiel Huisman (Game of Thrones e Treme)

Já imaginaram a vossa vida se, na casa dos 20 anos, perdessem a capacidade de envelhecer? Foi isto que aconteceu a Adaline, depois de um acidente. Os anos deixaram de passar por ela, a sua aparência manteve-se jovem durante décadas. No entanto, esta grande ‘particularidade’ obrigou-a a ter que se esconder, de certa forma. Nunca se deixou ficar muitos anos no mesmo local, para que as pessoas não desconfiassem da sua condição, e acabou por se tornar uma mulher solitária que fingia ser neta da própria filha. A certa altura, Adaline conhece Ellis e apaixona-se. Os dois partilham uma história de amor com uma certa magia, mas ao mesmo tempo bastante credível. É através de Ellis que Adaline vai entrar em contacto com uma parte do seu passado que ela julgava ter deixado para trás das costas. Este filme é capaz de deixar um sorriso nos lábios, porque há qualquer coisa de imensamente terno nele.

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The Breakfast Club (O Clube), 1985

Com: Molly Ringwald (The Secret Life of the American Teenager) e Anthony Michael Hall (The Dead Zone)

Um grupo de cinco alunos do liceu veem-se obrigados a passar o sábado na escola, na detenção. Durante horas, eles estão ali presos, sem nada para fazer, no último sítio onde gostariam de estar. Temos a menina popular, o desportista, o rebelde, a miúda estranha e o nerd. Alguns deles nunca se relacionariam num dia normal de escola, mas ali têm algo em comum, apesar de ao início terem dificuldade em vê-lo. Ao longo do dia, acabam por começar a falar sobre eles próprios, os seus rótulos e vidas, e descobrem que afinal, mesmo sendo diferentes, há coisas que os ligam e que a forma como se viam uns aos outros não corresponde necessariamente à realidade. Este é um filme poderoso com uma mensagem forte e que apela ao respeito pelo outro e à aceitação. Eles não se tornaram amigos, aquele dia foi uma exceção, mas aquela partilha que os cinco fizeram certamente viria a marcá-los para sempre. É daqueles filmes de culto dos anos ’80 que está mais do que à altura da sua popularidade.

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The Help (As Serviçais), 2011

Com: Viola Davis (How to Get Away With Murder), Allison Janney (Mom) e Octavia Spencer (Red Band Society)

Este é outro daqueles filmes que acho que todos deviam ver! Os Estados Unidos, suposta terra da liberdade, têm uma história recente vergonhosa. Ainda foi há menos de 60 anos, quando os meus pais já eram nascidos, que os EUA faziam uma clara distinção entre negros e brancos, como se a cor da pele fizesse alguma diferença naquilo que somos. A história deste filme é precisamente passada na década de 60 e centra-se numa jovem branca aspirante a jornalista que decide escrever um livro da perspetiva das chamadas criadas negras que dedicam a vida a trabalhar para famílias de brancos e o racismo de que são alvo. The Help conta com excelentes interpretações da nossa Viola Davis e de Octavia Spencer, mas também de Emma Stone e Jessica Chastain.

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The Intervention, 2016

Com: Cobie Smulders (How I Met Your Mother), Natasha Lyonne (Orange Is the New Black), Melanie Lynskey (Two and a Half Men), Jason Ritter (Parenthood), Ben Schwartz (House of Lies) e Vincent Piazza (Boardwalk Empire)

Este não é daqueles filmes que tem pretensões de ser muito profundo ou uma grande obra de arte, mas não deixa de ter mérito na mesma. Um grupo de amigos e respetivos companheiros juntam-se para um fim de semana com o objetivo de fazer uma intervenção a um dos casais, cujo casamento está pelas ruas da amargura. Uns querem avançar, outros não acham que seja assim tão boa ideia, mas a coisa acaba por dar-se. No entanto, as relações de todos os pares acabam por ser postas em causa de alguma forma, nomeadamente por causa da mais recente presença no grupo. The Intervention é um filme sobre pessoas, sobre as relações humanas e as nossas fragilidades.

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