Não vamos entrar em generalizações, mas muitos dos fãs de séries ‘consomem’ aquelas mais conhecidas e que dispensam totalmente qualquer tipo de apresentação. Uma grande parte dessas séries são americanas, até porque é nos Estados Unidos que há uma maior variedade, são de lá as que mais frequentemente chegam à televisão em Portugal e também é de lá que vem uma maior informação sobre novas apostas. Por isso mesmo, séries como Once Upon a Time, Grey’s Anatomy, Supernatural Game of Thrones repetiram cá a popularidade de que gozam do outro lado do oceano. Assim sendo, desta vez o que nos propomos fazer é dar a conhecer algumas séries americanas menos mainstream e que poderão ser mesmo desconhecidas de alguma parte do público. Aqui fica a lista com as nossas escolhas:
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Billy & Billie: esta é a atribulada história de um casal de namorados com uma particularidade: são meio-irmãos. O pai de Billy casou com a mãe de Billie quando eles eram ainda adolescentes e não se suportavam.  Muitos anos passados, são agora um recém-casal que está a tentar gerir as suas diferenças e, ao mesmo tempo, lidar com a pressão da sociedade sobre um romance que é tabu. Uma comédia dramática com muita ironia, sarcasmo e calão à mistura. É uma série original da Direct Tv e estreou nos Estados Unidos a 3 de março de 2015, sendo composta por duas temporadas, a primeira com dez episódios e a segunda apenas com um.
Capturar
Casual: Valerie (Michaela Watkins), juntamente com a filha, Laura (Tara Lynne Barr), muda-se para casa do irmão, Alex (Tommy Dewey), após descobrir as traições do marido. É assim que conhecemos os personagens de Casual: dois irmãos com uma relação de codependência pouco saudável (atenção, Valerie é psicóloga) e uma adolescente com mais autonomia e liberdade do que o habitual. É certo que Casual consegue soltar uns sorrisos aos seus espectadores ao longo dos episódios, no entanto, encontra-se bem longe da comédia romântica típica, em que, no final do dia, tudo acaba bem ou, pelo menos, um pouco melhor.  É muito fácil para o espectador relacionar-se com estes personagens imperfeitos: a confusão, a vergonha, a inveja, o medo, a falibilidade e o desejo humanos são retratados com naturalidade e aceitação, sem um embelezamento idílico do que o amor deve ser. Uma série de amor para românticos cépticos.

Impastor

Impastor: é uma comédia divertida, protagonizada por Michael Rosenbaum, que interpreta Buddy Dobbs, um vigarista com fortes probabilidades para tudo lhe correr mal na vida. Viciado no jogo, com imensas dívidas e com mafiosos atrás dele para cobrar as ditas dívidas, Buddy decide suicidar-se numa ponte. Contudo, no momento do ato, um homem acaba por morrer para o salvar. Buddy vê aí uma oportunidade de roubar a identidade desse indivíduo e mais tarde, descobre que terá de assumir a vida de um pastor luterano homossexual numa pequena cidade. A ideia inicial de Buddy era ficar na pequena cidade até limpar a conta bancária do verdadeiro pastor, mas acaba por ficar por lá e até habituar-se à sua nova vida.

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It’s Always Sunny in Philadelphia: é aquela típica comédia americana que, por ser tão “ruim” no verdadeiro sentido da palavra, se torna um clássico instantâneo. Com um elenco reduzido, mas incrivelmente talentoso composto por Charlie Day, Kaitlin Olson, Glenn Howerton, Rob McElhenney e Danny DeVito, é um dos mais descarados exercícios de televisão alguma vez feitos. É bem “arruaceira” e os americanos bem que gostam, porque já se encontra na 11.ª temporada. Não percam a oportunidade de conhecer estes quatro amigos, todos eles com egos enormes e traços claros de arrogância, que têm um bar irlandês em Filadélfia.
Kingdom
Kingdom: bem-vindos ao mundo do MMA (artes marciais mistas). Na série conhecemos o ex-lutador Alvey Kulina (Frank Grillo) e a sua companheira Lisa (Kiele Sanchez), ambos donos de um ginásio de MMA na Califórnia. Lisa gere a parte administrativa, enquanto Alvey treina lutadores, incluindo os dois filhos, Nate (Nick Jonas), que esconde um grande segredo da família, e Jay (Jonathan Tucker), viciado em sexo e drogas. Devido a problemas monetários, Alvey recebe no ginásio um antigo campeão, de forma a angariar mais publicidade e dinheiro das lutas. O único problema é que Ryan (Matt Lauria) é ex-noivo de Lisa e foi libertado recentemente da prisão, por um erro que cometeu no passado. Se gostam de MMA, com problemas familiares à mistura, experimentem ver esta série, que vai estrear a sua terceira temporada em 2017.
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Legend of the Seeker
Legend of the Seeker: podia ser o resultado da escola de Xena: A Princesa Guerreira com um pouco mais de magia. De origem americana, mas filmada na Nova Zelândia e com um elenco maioritariamente neo-zelandês, Legend of the Seeker (LotS para os fãs) é uma série fantástica que combina aventura, ação (e as cenas de ação são maravilhosas!), romance, magia, mistério e é baseada na série literária “The Sword of Truth”, de Terry Goodkind. Tem duas temporadas de 22 episódios cada e a segunda é das coisas mais bonitas alguma vez feita em televisão. Richard descobre que é o Seeker e que, obviamente, tem a missão de salvar o mundo onde vive do mal. Encontra Kahlan (uma Confessor) e Zed (um feiticeiro) e em conjunto viajam pelas terras mágicas com o objectivo de derrotar o Darken Rhal. Mais tarde encontram Cara (uma Mord’Sith) e é justamente por volta dessa altura que a série se torna mais complexa, bonita e se aprofunda na mitologia do mundo criado por Terry Goodkind. Se são fãs de séries fantásticas, esta é sem dúvida uma que não devem perder. Se não são e decidirem mesmo assim espreitar, de certeza que vão gostar!
Capturara
Love: o meet cute de Mickey (Gillian Jacobs) e Gus (Paul Rust) (os protagonistas de Love) marca o tom da série no que respeita ao tratamento de lugares comuns nesta narrativa: quando Mickey se apercebe que não tem a carteira consigo, Gus, qual cavalheiro, oferece-se para lhe pagar o café, ao que ela agradece acrescentando um pacote de cigarros à conta. A série, assinada por Judd Appatow, Rust e Lesley Arfin, acompanha a amizade e o romance entre estes dois personagens, explorando a influência de relações passadas, ambientes de trabalho peculiares e grupos de convívio bastante diferentes. Mas o que de melhor tem esta série na abordagem (que se pretende realista) das relações amorosas de hoje em dia é a subversão de estereótipos, nomeadamente do que significa ser-se nerd e cool na idade adulta, entre casais e entre amigos. Uma boa série para românticos pouco óbvios.
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The Expanse é um thriller de ficção científica, sobretudo espacial, emitido pelo canal Syfy. É verdade que o canal em questão nem sempre prima pela qualidade nos seus trabalhos, contudo, no meio de tantas séries que são lançadas todos os anos, algumas delas sobressaem e conquistam a nossa curiosidade. O Syfy não tem sido muito feliz com as suas séries espaciais, no entanto, esta tem-se revelado uma surpresa agradável. Longe de ser uma série perfeita, The Expanse acompanha a Humanidade num futuro algo distante, cerca de 200 anos, quando a colonização e exploração do sistema solar está no seu auge. A sobrepopulação e a escassez de água levam-nos a povoar Marte e Ceres, um planeta anão que existe no Belt (o cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter). Nesta distopia, a luta de interesses entre Terra e Marte, bem como a luta muitas vezes inglória pela sobrevivência, vai colocar o sistema solar numa guerra fria sem precedentes. Dentro do elenco acabamos por encontrar surpresas bastante agradáveis: Shohreh Aghdashloo e Thomas Jane têm dois dos papéis mais complexos do enredo e foram muito bem entregues!

Capturar
The Man in the High Castle: esta aposta da Amazon retrata uma realidade fictícia baseada na seguinte premissa: E se a Alemanha e os japoneses tivessem ganho as guerras que travaram? Então a série apresenta-nos os Estados Unidos divididos em três partes, uma governada pelos japoneses, outra parte governada pelos nazis e uma parte neutra que serve de ligação entre as duas primeiras. A história, baseada no livro de Philip Dick, passa-se em 1962 e tem foco em quatro personagens. São eles: Juliana Crain, uma mulher de São Francisco ligada à resistência; Blake, que ingressa na resistência como agente duplo, trabalhando para os nazis; Nobusuke Tagomi, um oficial japonês, e Frank Frink, o namorado judeu de Juliana que acaba por ser preso e vê a sua família executada. Assim a série apresenta-nos quatro pontos de vista diferentes, desde a resistência, os nazis, os japoneses e alguém que foi apanhado no meio disto tudo. Além disso, ao longo da série temos pequenos pormenores da realidade alternativa, coisas que já se passaram naquele tempo e de maneira diferente do que na nossa realidade.
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You Me Her: comédia, drama, sensualidade e uma muito boa forma de passar o tempo. You Me Her conta a história de Jack e Emma, um casal de meia idade cuja relação arrefecida volta a aquecer quando conhecem Izzie, uma jovem universitária que se torna, para ambos, mais do que pensavam ser possível. Jack, Emma e Izzie embarcam numa relação a três cheia de situações caricatas. É uma comédia romântica em modo série, com excelentes personagens principais e secundários, desde o trio amoroso aos amigos do casal e a colega de quarto de Izzie. A primeira temporada é curta e agradável e a série já foi renovada para mais uma. Se gostas de séries que quebram tabus e são boas fontes de entretenimento, You Me Her merece uma oportunidade.
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Ana Velosa, Diana M. Ferreira, Diana Sampaio, Eduarda Pinto,
Jorge Leste, Mafs, Mélanie Costa, Raul Araújo e Rui André Pereira