Tinha Special já há algum tempo na minha watch list da Netflix e calhou ter algum tempo livre na altura em que a 2.ª e última temporada da série se preparava para estrear, por isso foi a altura ideal para começar a ver a série. Vamos ver se consigo convencer mais alguém a ver Special, com estas sete razões:

[Pode conter spoilers]

1 – Um personagem com paralisia cerebral como foco da narrativa

Quando comecei a ver a série, não sabia absolutamente nada sobre paralisia cerebral, também conhecida como PC. Depois de ver alguns episódios, fui procurar alguma informação sobre PC porque queria perceber melhor o que era. Ryan tem aquilo a que se pode chamar um caso ligeiro e apesar daquilo que o nome possa fazer parecer, as dificuldades que ele enfrenta prendem-se com questões motoras e não cerebrais. Ryan coxeia e não consegue fazer coisas (ou tem muita dificuldade em fazê-las) que parecem tão simples para a maioria: apertar os cordões das sapatilhas ou os botões da camisa, varrer o chão, colar um balão à parede, abrir a embalagem de um preservativo… Nunca me tinha deparado com a realidade de alguém com paralisia cerebral e creio que muitas outras pessoas também não e a série é importante nesse sentido. Ryan O’Connell, o criador, argumentista, produtor executivo e protagonista, tem PC e a sua vida serviu de inspiração a esta série.

2 – A série combina bem comédia com elementos fofos

Special é uma série leve, com vários momentos engraçados, mas também se destaca bem no departamento da fofura. Ryan consegue ser egoísta e injusto, mas também há muitas alturas em que o vemos a ser querido para as pessoas à volta dele, nomeadamente quando se trata de algumas das suas relações mais importantes. No entanto, estou especificamente a pensar nalgumas das suas incursões amorosas. Nem tudo foi perfeito, mas acho que Ryan passou por experiências muito giras. Quer dizer, ele estava perto dos 30 e não tinha perdido a virgindade e acabou por recorrer àquilo a que chamou um “profissional do sexo”. Até esse momento foi fofo! Quando é que em qualquer outra altura pagar por serviços sexuais foi querido ou adorável? Nunca! Ryan passou por vários companheiros, uns mais duradouros do que outros, mas sinto que todos foram genuinamente importantes e que contribuíram para Ryan sentir que a PC não tem que o privar de amar e ser amado.

3 – Jessica Hecht e a relação de Ryan com a mãe

Lembras-te de Susan, a namorada de Carol em Friends? A atriz que a interpretou chama-se Jessica Hecht, que aqui dá vida a Karen Hayes, a mãe de Ryan. Ela é uma das personagens mais importantes da série e uma das minhas preferidas, para além de que tem arcos de história bastante bons. A relação entre mãe e filho é muito próxima, mas nem sempre é a mais saudável. São muito dependentes um do outro, mas foram sempre os dois, portanto não é de estranhar e é perfeitamente compreensível que Karen seja protetora. No entanto, a dinâmica entre eles muda ao longo da série e leva a um certo crescimento de ambos. Acho a interpretação de Hecht nesta série extremamente comovente! Há algo de muito vulnerável, mas ao mesmo tempo forte, em Karen. O tempo de ecrã dado à personagem foi mais do que merecido, até porque era importante mostrar um lado dela diferente do seu papel de mãe.

4 – Punam Patel e a amizade de Kim com Ryan

A sério, Kim é um máximo! Tirando, claro, a parte de estar endividada até às pontas dos cabelos porque não consegue resistir a roupas e calçado com pinta! Para mim é, sem qualquer espécie de dúvidas, a personagem mais engraçada da série. Punam Patel tem também uma certa capacidade de ofuscar os outros personagens quando está no ecrã. A par de Ryan e Karen, Kim é quem tem histórias mais interessantes ao longo das duas temporadas. Seja a nível profissional, pessoal, amoroso, familiar, ela tem sempre muito a dar. A sua amizade com Ryan é outra parte essencial da série!

5 – Sensação de aprendizagem ao ver a série

Sabes quando estás a ver ou a ler alguma coisa e tens aquela sensação de que estás genuinamente a aprender? E não estou a falar de aprendizagem em termos de conhecimento concreto, como quando se trata de História, Geografia ou Ciências, mas daquela sensação de que estás a acrescentar algo ao nível da tua compreensão sobre os outros e o mundo à tua volta? Não estou a dizer que Special é uma série que mudou a minha vida, isso é ir demasiado longe, mas é impossível dizer que me deixou na mesma ou que não me trouxe nada de novo. Se gostas de séries que te façam sentir isso, não podes perder esta!

6 – Os flashbacks da infância de Ryan

Foi apenas num episódio, mas fiquei absolutamente deliciada! Num episódio que examina um pouco da relação entre Ryan e a mãe, temos a oportunidade de ver o nosso protagonista em versão mini e é comovente em muitos aspetos. Mostra o imenso amor daquela mãe, mas também o quanto Ryan foi capaz de alcançar ao longo dos anos!

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7 – Temporadas e episódios curtos

Isto pode não ser um ponto positivo para muitas pessoas, mas é para mim e será também para quem não tenha tempo para assumir compromissos a longo prazo com uma nova série. São apenas 16 episódios, divididos em duas temporadas, sendo que a primeira tem episódios mesmo curtinhos, que rondam os 15 minutos de duração. A 2.ª temporada aumenta a duração dos episódios para cerca do dobro, mas isso até foi uma mudança positiva. Pelo menos, sinto que me consegui deixar envolver mais pelas histórias dos personagens na 2.ª temporada e que houve mais espaço para desenvolver melhor cada um e as suas relações.

Estas sete razões foram suficientes para te convencer a ver Special ou preciso de continuar?

Diana Sampaio