Ando sempre à caça de minisséries para ver e apesar de não me parecer que Four Weddings and a Funeral se fosse encaixar no tipo de séries de que mais gosto, decidi espreitar por curiosidade, ciente de que a Hulu costuma trazer-nos produções de qualidade. Acabei por gostar imenso da série e portanto decidi partilhar convosco algumas das razões que considero mais válidas para vos convencer a vê-la. Antes de avançarmos, vou só dar-vos o contexto: a série centra-se num grupo de amigos americanos que se reencontram em Londres para um casamento que é o ponto de partida para muitos outros acontecimentos, alguns mais e outros menos felizes.

[Livre de spoilers]

1 – Grupo de amigos

Esta razão para ver a série pode parecer um bocado óbvia, mas é legítima porque estes quatro amigos formam um grupo mesmo giro. São todos americanos, mas três deles vivem em Londres, local onde Maya se lhes junta para a celebração do casamento de Ainsley. Amigos da faculdade, não podiam ser mais diferentes: Maya trabalha no mundo da política, a escrever discursos, e é apaixonada por boas causas; Ainsley tem o seu próprio negócio, mas a sua vida é financiada pelo dinheiro dos pais; Duffy é o dorky (digo isto com carinho) professor de Latim que sonha ser escritor e Craig é um bem-parecido, divertido e confiante banqueiro no ramo dos investimentos. A química entre os quatro é muito boa e a amizade entre eles é daquelas que nos deixa com inveja por não fazermos parte de um grupinho semelhante. Estes quatro são responsáveis por muitas das cenas mais engraçadas da série, mas também por alguns bons momentos dramáticos.

2 – Registo diferente do que se costuma ver em séries

Four Weddings and a Funeral insere-se no género das comédias românticas, mas não torçam já o nariz por causa disso. Os filmes deste género não costumam ser grande coisa e são já um conceito muito explorado, mas Four Weddings and a Funeral não só proporciona bom entretenimento como traz até à televisão/streaming um registo diferente do que habitualmente se vê em séries. Durante os primeiros episódios até tive alguma dificuldade em ver a série como uma comédia romântica, encarava-a mais como algo num estilo feel good, mas depois percebi que a inclusão na categoria era justa. No entanto, não temos só comédia, que é boa, porque soa muito natural e genuína e sem recurso a momentos absurdos; nem só romance, mas também algum drama interessante, construído de forma a não ser foleiro e a fazer-nos sentir empatia pelos problemas daquelas personagens e a torcer para que as coisas lhes corram pelo melhor.

3 – Elenco pouco conhecido, mas sólido

O membro mais conhecido do elenco desta série será mesmo Nathalie Emmanuel, que vimos como Missandei em Game of Thrones, mas os atores são todos bastante bons e basicamente não há nenhum personagem desinteressante. O núcleo principal vai crescendo um pouco, mas as adições são um ponto positivo. Zara, a namorada de Craig, é suposto ser a bimba lá do sítio, mas é uma personagem muito engraçada; Gemma é snobe até dizer chega, mas não é nada difícil começar-se a gostar dela, nem do seu marido, com quem combina na perfeição. Depois temos também, por exemplo, os Tony, o Tony original e o Tony 2, que trabalham na loja de design de interiores de Ainsley, e que são absolutamente cómicos em interações com ela. Vários outros se juntam a este rol de personagens que nos trazem histórias interessantes que envolvem questões políticas como imigração, aliadas a outros temas como a homossexualidade, a parentalidade e a importância de seguirmos os nossos sonhos.

4 – O ‘mundo’ de Kash

Kash está longe de ser um dos meus personagens preferidos, embora não haja nada para não gostar nele, e, no entanto, algumas das narrativas mais relevantes da série estão relacionadas com ele. Tal como Craig, Kash trabalha no mundo dos investimentos, mas o seu sonho é ser ator. O desenvolvimento desta história acabou por ser bem mais satisfatório do que aquilo de que estava à espera, mas o foco de interesse aqui não é esse, mas no quanto o concretizar deste sonho entra em choque com o modo de vida como Kash foi criado. Ele é de origem paquistanesa e os pais decidiram ir para Inglaterra para proporcionar aos filhos oportunidades que eles nunca tiveram e uma boa vida. Ora, o trabalho de Kash encaixa precisamente nesse sonho que o pai tinha para o filho. Não se trata de um daqueles progenitores que querem impor aos filhos os seus desejos, trata-se apenas de um homem que tem medo que esse sonho do filho não lhe proporcione estabilidade, segurança, um futuro certo. A família de Kash é precisamente uma das partes mais fofas da série e o irmão é extremamente engraçado e uma criança sábia para a idade. No entanto, o rei desta série é Basheer, amigo de Kash. Não há tipo mais porreiro que ele! A incursão de Kash pelo mundo dos encontros amorosos com um acompanhante para garantir que as coisas são mantidas no máximo nível de respeito que a fé muçulmana exige foram dos melhores momentos da série. Basheer e a avó de Fatima são os melhores chaperones de sempre!

5 – A série parece que nos transporta para aqueles lugares

Já há muito tempo que tenho uma paixão por cidades pequenas nas séries, por isso o que é que há de mais improvável no facto de ter ficado com uma certa vontade de me mudar para Londres ou, pelo menos, de visitar a cidade? A sério, olhem para aquelas casas totalmente giras! Sempre que se veem os personagens a andar na rua dá a sensação de ser o tipo de sítio onde se quer estar! Pareceu-me uma verdadeira experiência londrina a explorar. Nunca me deu essa vontade quando vi Notting Hill, o filme que partilha o nome com a zona de Londres onde Four Weddings and a Funeral é passada.

6 – Poucos episódios

A primeira vantagem de uma minissérie é o compromisso a curto prazo, mas eu gosto de séries com poucos episódios que contam simplesmente a história que é suposto contar sem se alongarem mais só porque as audiências assim o ditam. Mais vale ficar a chorar por mais do que começar a ficar cansada porque a coisa enrolou durante demasiado tempo. Four Weddings and a Funeral tem dez episódios que se quer ver de enfiada porque se fica mesmo interessado em descobrir o que vai acontecer com estes personagens. A série tem um início, um meio e um fim com lógica, sem deixar pontas soltas. O que é que se pode pedir mais?

7 – O episódio final

Pode-se pedir que o final seja extraordinário, como de facto foi. O último episódio foi o melhor da série, sem qualquer espécie de dúvida. Teve tudo aquilo que se deve esperar de uma série como esta, que é levezinha e fofa, mas que não trata os seus personagens e a sua história de forma leviana. Cada personagem teve o final que fazia sentido e houve imensos momentos engraçados que me fizeram rir. A cena que está aqui na imagem é mais num registo emotivo, típico de rom-com, mas não foi aquele cliché foleiro, funcionou muito bem na linha de relação entre duas das personagens mais relevantes da série e era o único “felizes para sempre” que eu queria mesmo que se concretizasse.

Diana Sampaio