The Witcher marcou 2019 como uma das estreias mais antecipadas e como uma das que mais se destacou de entre o vasto leque desse ano. A 1.ª temporada, lançada toda de uma vez pela Netflix, não desiludiu quem a viu sem ideias pré-concebidas de que seria algo que não foi feito para ser. Não foi perfeita, é verdade, mas demonstrou um potencial enorme. Baseada na saga literária homónima do autor polaco Andrzej Sapkowski, a série de fantasia conta a história de Geralt, um bruxo caçador de monstros cujo destino está inevitavelmente interligado com o de uma princesa. A narrativa desenrola-se ao longo de várias décadas em diversos pontos do Continente e apresenta-nos diversas fases da vida do protagonista, ao mesmo tempo que ficamos a conhecer as personagens que fizeram parte das suas aventuras e qual a sua contribuição para o grande plot. Em baixo seguem sete razões pelas quais devem mesmo ver The Witcher e no final do artigo está disponível a versão em vídeo no nosso canal de YouTube.

[Livre de spoilers!]

1- Henry Cavill

Quero deixar claro que a ordem das razões é irrelevante. Henry Cavill não é a razão mais importante pela qual devem ver The Witcher, mas tem a sua quota parte de importância. Muitos podem achar que o ator só faz parte desta lista pela sua aparência e, apesar de eu não poder desmentir na totalidade esta frase, o que me leva a escolher Cavill como uma das razões é a interpretação que ele faz da personagem principal, Geralt of Rivia. Confesso que não conhecia o trabalho do ator e, portanto, nesse aspeto ia com zero expectativas para a série. Não esperava nada da atuação de Cavill porque simplesmente não conhecia, mas a verdade é que fiquei bastante satisfeita com o que vi.

Este foi também o primeiro contacto que tive com a personagem; ainda não tinha lido os livros quando vi a série nem tão pouco jogado os jogos. Para quem já pegou numa coisa ou noutra ou até em ambas, tentem distanciar-se da imagem que criaram. Cavill não tem diálogos muito elaborados e extensos, resumindo-se alguma vezes a monossílabos e onomatopeias (“Hmm”), mas por vezes não ter falas é mais difícil do que ter páginas e páginas de texto para debitar. As emoções e intenções têm de transparecer através de um olhar, de um gesto ou de uma expressão e isso não é fácil. Parte do encanto de The Witcher passa pela personagem Geralt of Rivia e, consequentemente, pela interpretação de Henry Cavill, que traz Geralt à vida de uma forma que se encaixa na perfeição no ambiente da série.

2 – Série de fantasia

Quem não é fã de fantasia, lamento informar-vos que esta série não é para vocês. Se não acham piada a monstros, magia, dragões, poderes e todo o non-sense irrealista inerente a uma série de fantasia, não há muito a fazer. Mas para quem gosta, sem dúvida que vale a pena darem uma espreitadela. Confesso que os efeitos especiais fazem torcer o nariz (e esse foi um ponto negativo que desiludiu um pouco, visto que o budget da produção era bem chorudo – 70 a 80 milhões. Podiam ter-se esforçado um bocadinho mais!), mas a história e as personagens agarram, o ambiente fascina e, enquanto fã de fantasia, só posso dizer que me senti compelida a ver os oito episódios de rajada e quando acabei fiquei com aquela sensação de ressaca de quem faz um grande binge-watch, sabem?

3 – Baseada numa saga de livros

Este é um ponto importante. Não quer dizer que o facto de a série ter livros como base resulte numa produção excelente e incrível, mas ajuda muito a construir a imagem e a dar um ponto de partida sólido. Não temam (estamos todos um bocadinho traumatizados depois de Game of Thrones, certo?), a saga literária de The Witcher está completa, portanto se tudo correr bem e a série for sendo renovada e se continuar a haver uma adaptação a partir dos livros, teremos um fim adequado para as aventuras de Geralt. Fica aqui já um aviso para quem vai ver a série e que me teria dado muito jeito: a trama decorre em três períodos temporais diferentes, três timelines, a de Geralt, a de Yennefer e a de Ciri. Confesso que não sei se nos livros isso também acontece, uma vez que ainda só estou no início do primeiro, mas este foi outro dos (poucos) pontos negativos da série e provavelmente o mais criticado, pois não é imediatamente percetível a diferença temporal entre cada narrativa e a certo ponto a nossa cabeça fica cheia de pontos de interrogação. Quem vai agora ver, já tem a vida facilitada. Segundo consta de algumas informações sobre a 2.ª temporada que já foram disponibilizadas, esta divisão entre timelines não estará presente, ou pelo menos não de forma tão confusa.

4 – Jaskier

Todas as séries que não sejam de comédia têm uma personagem que se encaixa no perfil do comic relief, aquela personagem que traz alguma leveza a certas cenas e que nos permite respirar entre todo o drama e ação e que, neste caso, ainda nos brinda com boa música. Jaskier é um bardo, que viaja de terra em terra a cantar e a contar histórias de acontecimentos de outras partes do Continente. A sua personalidade metediça leva-o a travar amizade com Geralt e a acompanhá-lo em algumas aventuras. As cenas entre os dois levam sempre a uma gargalhada e são das partes mais interessantes na série, uma vez que conseguimos perceber que Jaskier é talvez o único verdadeiro amigo que Geralt tem. Apesar de ser um nadinha chato, Jaskier é um dos pontos positivos que marca a série. Se não se sentem motivados a ver por tudo o que já mencionei, saibam que Jaskier, por si só, já é uma excelente razão para fazer maratona de The Witcher.

5 – A nova Game of Thrones… ou talvez não

Ainda The Witcher não tinha estreado e já todas as associações possíveis e imaginárias a GoT tinham sido feitas. Não vou negar que aquele primeiro poster que foi lançado não deu muitas vibes a Jon, Daenerys e ao ambiente de Game of Thrones, porque deu, mas tirando algumas parecenças em termos de caracterização e o género da fantasia, mais nada une as duas séries. Expectativas foram criadas com base nessa comparação e na ligação que foi feita entre elas, não havendo qualquer razão para tal. E, como seria de esperar, muita gente ficou dececionada ao perceber exatamente isso: que The Witcher não era a próxima Game of Thrones. Nem tinha de ser. A começar no facto de os episódios de GoT terem sido lançados semanalmente e os de The Witcher terem saído de uma vez só, a approach à história é completamente oposta (numa há uma evolução lenta das personagens, noutra temos de colocar as peças todas juntas para perceber o que está a ser contado, visto que a informação nos é “atirada” para cima).

The Witcher não mereceu muitas das críticas negativas que recebeu, uma vez que foram dadas com a ideia ilusória de que seria como Game of Thrones. Não estou a dizer que The Witcher é perfeita, porque não é. A nível de argumento e até nalguns aspetos técnicos como os efeitos especiais fica aquém do que poderia ter sido, mas a verdade é que a série está incrível. Tem tudo para ser uma série de topo, mas sempre um passinho atrás da grandiosa. Quando virem ou revirem, tirem da vossa mente comparações desnecessárias e aproveitem as oito horas de boa televisão que a série proporciona.

6 – Caracterizações e cenários

Época considerada medieval com pozinhos de magia pelo meio equivalem a caracterizações e cenários de excelência. Efeitos especiais à parte, as roupas, penteados e cenários como os castelos e as tabernas estão de um realismo incrível. Sei que a peruca de Henry Cavill incomodou muita gente, mas do meu ponto de vista só posso elogiar. Na maior parte do tempo não me lembrava que era uma peruca. Outra caracterização de louvar é a da personagem na imagem acima, cujo nome não vou revelar para não estragar a surpresa a ninguém. Vou apenas dizer que ela não vai ficar sempre assim e que quando virem o depois vão ficar de boca aberta com a qualidade desta caracterização. No geral, as fatiotas assentam muito bem a todas as personagens e os cenários têm um aspeto bastante real, o que contribui em grande parte para nos transportar até este universo e vivermos as aventuras com as personagens.

7 – Cenas de luta

[Link no título: cena de luta em The Witcher. Possíveis spoilers] A nível visual, este é provavelmente o ponto que mais impressiona na série e que mais a eleva. As coreografias são incríveis e as performances, quer de duplos, quer de atores, dão um realismo brutal às cenas. São autênticas danças que nos deixam vidrados. É melhor não desviarem o olhar do ecrã nestes momentos, porque não só muita coisa acontece como o que acontece é mesmo de deixar de boca aberta.

Beatriz Caetano