Colony é mais uma série que descobri durante o período de confinamento. Está um bocado distante do género de séries de que costumo gostar, mas vi-a ali na Netflix, com apenas três temporadas – não muito longas, ainda por cima – e decidi espreitar. Sobre Colony precisam de saber que se passa num futuro próximo, em Los Angeles, que está sob ocupação. A autoridade é exercida por humanos ao serviço de seres extraterrestres sobre os quais ninguém parece saber muito. As escolhas são poucas: colaborar com os invasores, juntar-se à Resistência ou manter a cabeça baixa. No entanto, a determinada altura, a linha entre algumas das opções pode revelar-se ténue. Já sabem que a série me convenceu, portanto agora resta-me convencer-vos a vocês a vê-la!

[Livre de spoilers]

1 – Boa série para quem não gosta de ficção científica

Ficção científica, fantasia e terror são, com toda a certeza, os géneros de que menos gosto, seja em televisão, cinema ou literatura. Assim, quando comentei com uma colega da equipa que estava a ver Colony e a gostar, a reação dela foi de completa surpresa, porque já me conhece. No entanto, apesar de Colony se tratar de ficção científica, esta está presente de forma muito ligeira e é, sobretudo, uma série de sobrevivência. Assim sendo, se, como eu, também não são amantes de histórias com extraterrestres, não se preocupem: o papel deles na série é ínfimo. De outra forma, Colony também não teria sido série para mim.

2 – Temática da sobrevivência

Um lugar abrigado e quente, comida, segurança, cuidados médicos são algumas das coisas mais importantes para a vida de qualquer ser humano. O que resta então quando tudo isso é um passado distante? Sobreviver. Muitos acabaram mortos com a chegada dos hosts, uns foram obrigados a esconder as suas identidades, outros adaptaram-se à nova realidade fazendo coisas que nunca teriam pensado fazer. Para o bem ou para o mal, sobreviver foi aquilo que a maioria dos personagens desta série tiveram de fazer. No entanto, o lado mais interessante desta luta pela sobrevivência dá-se quando os Bowman têm de fugir da vida que conheciam e fazerem-se à estrada.

3 – Ação e tiros com fartura

As duas primeiras temporadas são recheadas de momentos de ação (a terceira também os tem, mas em menor número). As cenas de confrontos físicos e de tiros são mais do que muitas, fazendo de Colony uma série dinâmica em que há sempre alguma coisa a acontecer, seja a Resistência a lutar contra os seus opressores, seja pessoas individuais a fazer aquilo de que precisam para sobreviver e garantir a segurança da sua família e daqueles que amam, seja os maus da fita a livrarem-se daqueles que lhes fazem frente… No entanto, se estão à espera de apenas uma série de pancadaria, vão desiludir-se. Isto faz parte da história, é até uma parte importante dela, mas não é tudo.

4 – Exploração da questão dos regimes opressivos

Nunca consegui estar a ver uma série (ou um filme) em que há um regime opressivo, seja ele de que tipo for, sem me lembrar das ditaduras reais do nosso mundo. Colony não foi exceção e eis que descubro, ao ler sobre a série, que esta foi “concebida como uma metáfora para a França durante a ocupação nazi“, onde as pessoas continuaram a “viver as suas vidas, a beber café em cafés […] enquanto oficiais nazi marchavam nas estradas”.  A minha comparação não tinha ido tão longe, mas acho que faz sentido. As pessoas têm de manter sempre uma espécie de normalidade nas suas vidas, mesmo quando tudo está virado do avesso, para conseguirem sobreviver. E, tal como durante a Segunda Guerra Mundial, também em Colony vemos muitos a lutarem contra o regime que transformou as suas vidas num inferno, vemos outros a aliarem-se a esse mesmo regime porque isto tornará as suas vidas e as das suas famílias mais fáceis ou simplesmente porque veem nessa aliança uma (falsa) sensação de segurança. Depois vemos também aqueles que se mantêm longe da Resistência, mas que não querem nada com os seus opressores. É claro que é fácil gostarmos dos heróis que querem fazer do mundo um lugar melhor, mas mesmo eles fazem asneiras, porque aqueles que amam são sempre uma prioridade. Só que aqui a opressão não vem apenas dos extraterrestres ou da Autoridade que os representa, mas também da parte de outros cujo poder lhes subiu à cabeça e que não são assim tão diferentes daqueles que querem combater. Esta dicotomia do bem e do mal tem muito que se lhe diga e representa uma das partes mais interessantes da série.

5 – Jogos políticos

Quem melhor do que Alan Snyder para representar os jogos políticos em Colony? Ninguém, vos garanto! Não há muitas carreiras que terão tido tantos altos e baixos como a de Snyder, mas ele soube sempre jogar muito bem nesse mundo da política delicada de um mundo de pernas para o ar. Não se consegue gostar de um homem como ele, nem de nenhum dos responsáveis pelo exercício da autoridade, aliás, mas há que lhe admirar a inteligência. Ele e tantos outros, como Helena Goldwyn ou Nolan Burgess, aproveitaram as suas posições de poder para salvarem a sua própria pele, mesmo que isso possa ter custado a vida de outros. Apesar disso, muitos teriam feito o mesmo se estivessem no lugar deles. Helena é outra que navegou bastante bem as águas da política, mas não suporto Nolan, que, sob uma falsa capa, escondeu aquilo que realmente é. Confesso que nunca confiei nele e que sabia o que poderíamos esperar do personagem, mas não deixa de ser desprezível. Os jogos políticos e a disparidade entre os privilegiados da Zona Verde e os restantes mortais foram outro dos pontos fortes da série nas primeiras duas temporadas.

6 – Sarah Wayne Callies

Costumo ter personagens preferidas nas séries, mas aqui isto não me aconteceu muito. No entanto, desde os tempos de Prison Break que gosto bastante de Sarah Wayne Callies. Lá, ela dava vida à minha personagem preferida, depois irritou-me profundamente como Lori em The Walking Dead, se bem que quando a personagem morreu estava a começar a gostar dela, e aqui volta a ter um papel muito interessante que me cativou. Katie é uma das personagens mais relevantes de Colony: acumula o papel de mãe, esposa e proprietária de um bar com o trabalho para a Resistência. Este balanço não é fácil, porque Will, o marido, trabalha para a Ocupação, embora com objetivos nobres. Katie está sempre pronta para a luta, mas perde um pouco o ‘fogo’ na 3.ª temporada. A vida é diferente aí, mas Katie, tal como Will, parece ter perdido o foco, negligenciando aquilo que devia ser mais importante. Katie consegue manter a sua humanidade, continua a ser uma personagem interessante, mas acho que passei a gostar menos dela. Lá está, talvez isto se deva ao facto de a 3.ª temporada ser um bocado atípica, mas enquanto decaiu a qualidade numas coisas, compensou noutras. Com Katie e Will menos presentes como pais, vemos Bram chegar-se verdadeiramente à frente no papel de irmão mais velho e adulto responsável, sendo que a sua relação com Gracie foi uma das melhores coisas da última temporada.

7 – Ideal para fazer maratona

Ao fim de alguns episódios, estava completamente agarrada. Colony é daquelas séries boas para fazer maratona, porque é viciante e quer-se saber rapidamente o que acontece a seguir. A 3.ª temporada provavelmente vai-vos fazer abrandar o ritmo, porque baixa um pouco o nível de qualidade, mas dá vontade de ver a primeira e segunda de enfiada, com um pacote de pipocas no colo. Esta descida de qualidade explica o cancelamento, mas nem assim se perde o interesse em saber como tudo vai acabar. Além disso, o mérito de duas temporadas muito bem conseguidas ninguém lhe tira. A terceira não é declaradamente má, mas é mais parada e distancia-se um pouco daquilo que fez de Colony aquilo que é. O final também deixa um pouco a desejar no sentido em que ficam muitas pontas soltas por explicar, mas foi bastante bom em termos de coisas a acontecer e recuperou um pouco em termos de ação que tinha ficado a faltar nesta última temporada.

Diana Sampaio