Classificação

9.5
Interpretação
8.5
Argumento
9.0
Realização
9.0
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

A Hell of a Week: Part One marca o início de uma trilogia de episódios que regressa a um fórmula que já resultou no passado, com uma semana dedicada quase em exclusivo a um dos três irmãos. Pelo nome parece que os três irmãos terão semanas dignas do Inferno. A de Randall foi com certeza, mas essa circunstância serviu novamente para Sterling K. Brown brilhar e mostrar o ator de mão cheia que é.

Esta temporada arrancou com a introdução de novas personagens para dinamizar o enredo, a certa altura colocou-as um pouco para não dizer totalmente de parte e voltou a focar-se no núcleo central e com estes três episódios fica a promessa de ir a fundo, ao interior de cada um dos três irmãos para desvendar as camadas mais recônditas dos manos Pearson.

O momento de Randall no seguimento do final do episódio anterior esperava-se no mínimo desafiante do ponto de vista psicológico, uma vez que ele iria enfrentar o cenário de ter um ladrão a invadir o espaço da sua família. Isso aliado ao facto de já conhecermos a personalidade ansiosa de Randall já daria pano para mangas, mas a série escolheu, e esta escolha não foi de todo ao acaso, ir a três momentos chave da vida de Randall para mostrar os alicerces desta ansiedade que sempre viveu com ele.

A ansiedade é o produto de uma combinação de fatores endógenos e exógenos, há uma grande parte de influência do meio envolvente, mas também há com certeza muita carga genética por trás. E senão vejamos o exemplo que a série nos dá, os três irmãos cresceram nas mesmas condições, tiveram a mesma educação, enfrentaram os mesmos momentos marcantes. E Randall foi o que desde sempre evidenciou que trazia esta insegurança consigo – desde logo em criança quando é o primeiro a revelar dificuldade em passar a dormir sozinho. Curioso o encadeamento da cena em que Jack está a assistir a The Shining, um clássico do terror, e é o filho quem aparece assustado… Estas cenas do passado valeram mais uma vez a hipótese de usufruirmos do super protetor e carinhoso papá Jack e quanto a mim são sempre cenas que nos aquecem o coração.

E do passado mais longínquo para o imediato pós-Jack, aqui o trauma é mais que natural, mas os sonhos sufocantes de Randall que se repetem muito nesta fase elevam a tensão ainda mais. Felizmente já havia uma Beth a começar a dar provas de ser o seu braço direito e o seu maior apoio.

Finalmente no presente, onde passámos a maior parte do tempo e assistimos a mais um desempenho de encher o olho de Sterling K. Brown tudo foi detalhado ao pormenor e no ritmo correto para que não se queimassem etapas: gostei do confronto com o ladrão e do facto de a tensão da altura ter dado a Randall uma “racionalidade quase inconsciente” para dizer as palavras certas para resolver a situação. Porque a verdade é que quando a “racionalidade consciente” se apoderou dele começaram a surgir as questões, começou a imaginar o que podia ter sido e o que poderia acontecer à sua preciosa família se o ladrão voltasse.

Daí até ao final é uma jornada por momentos de um desequilíbrio evidente de alguém que está com imensa dificuldade em processar o que se passa ao seu redor, dominado pelos medos e receios que a situação despoletou. Por outro lado, assistimos a um claro acumular de adrenalina que a experiência foi causando e que impedia o sono e que originou aquela libertação de fúria que culminou no momento que fez de Randall o congressista herói!

E mais uma vez This Is Us despediu-se de nós com a passadeira lançada para um próximo episódio com um grande ponto de interrogação relativo à semana infernal de Kevin. Bom trabalho! Acho que não é só Randall que está ansioso, muitos dos fãs estão para perceber o que se segue com Kevin e Kate.

André Borrego