Classificação

8.5
Interpretação
7
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

Contém spoilers!

Episódios que oscilem apenas entre dois núcleos/momentos são raros em This Is Us, se não oscilasse de todo nem seria This is Us, mas quando se foca entre menos personagens e períodos, normalmente temos oportunidade de explorar mais, o que geralmente me agrada.

Desta vez, não adorei o episódio. Começou por ser um episódio que me dava a ideia de que seria uma chamada de atenção onde sairia enaltecido o respeito pela diferença, a multiculturalidade e aceitação e tolerância, mas não foi por esse caminho, seguindo as faíscas que sinalizavam que as boas intenções podiam vir a dar lugar a dois dos jantares mais awkard da história da série.

Não gostei muito do papel que “vestiram” a Jack nesta semana. Tenho Jack Pearson num pedestal e o seu altruísmo não encaixa bem com alguma infantilidade e mesquinhez que levaram a melhor sobre si neste jantar. Confesso que fiquei tão incomodado como estava Rebecca perante aqueles comentários hostis face ao professor de Randall que representa algo tão especial e bom para o filho naquele momento da sua vida, depois de um convite para jantar que me tinha parecido generoso e pleno de boas intenções no episódio passado. Redimiu-se Jack com a explicação já à porta de casa para com o professor e amigo de Randall e com a revelação de que aquelas atitudes eram o “medo” a falar… medo por não conseguir satisfazer as questões do filho e não ser o seu “herói”, dúvidas infundadas e prontamente dizimadas por uma Rebecca mais esclarecida! E que Kevin irritante que tivemos nesta mesa, tal como já esperamos desta fase da sua criancice rebelde!

E se não gostei muito do jantar no passado, passou-se mais ou menos o mesmo no presente com Randall e Beth a convidarem os pais de Malik para um jantar pouco acolhedor. Não sou pai, posso apenas imaginar a reação de pais face a circunstâncias tão desafiadoras, mas achei tudo muito forçado. Compreendo os seus receios e apreensão, mas na realidade imaginaria dois resultados possíveis – ou tentavam cortar completamente a relação de Deja com Malik em virtude dos receios resultantes da bagagem de ambos e não convidariam os pais de Malik para jantar “em família” ou, convidando, o propósito deveria ser compreenderem-se e procurarem uma solução/justificação para as atitudes menos corretas de Deja e Malik. O que se passou foi um misto em que o convite foi feito, foi dito que teriam uma mente aberta, mas desde logo, e sobretudo Beth, recebeu os convidados com pedras na mão e do outro lado temos o pai de Malik a tirar a camisa e a mostrar as tatuagens “de guerra”. Foi demasiado à filme! Salvou-se no meio disso tudo a pequena Annie com as suas afirmações muito inconvenientes em momentos-chave.

O que mais gostei nesse segundo núcleo foi o passeio romântico de Deja e Malik por Filadélfia. Malik foi uma excelente adição ao leque de personagens e veio tornar Deja também uma personagem ainda mais interessante, pelo que fico contente que tenham permitido que este namoro possa ter futuro.

Não foi de todo um mau episódio, teve alguns bons momentos, não faltaram os paralelismos característicos e alguns bons desempenhos. Terminou até de um modo bastante inspirador, mas a mim desiludiu-me um pouco porque criei uma expectativa de que se desenvolveria noutro sentido.

Em suma, tivemos um episódio onde os adultos tiveram atitudes de criança e as crianças mostraram maior maturidade que alguns adultos e, para mim, Deja, Malik e o pequeno Randall estiveram em alta e merecidamente tomaram as rédeas do episódio. Foram de facto dois jantares estranhos, não gostaria de lá ter estado à mesa, mas sei que já passaram por aquelas mesas momentos enternecedores que compensam qualquer dia menos positivo.

André Borrego