Classificação

6.5
Interpretação
6
Argumento
7.5
Realização

[Pode conter spoilers]

Minissérie

Número de Episódios: 3

Estrearam no Channel 5 os três episódios que constituem a minissérie Anne Boleyn, descrita como sendo um thriller psicológico que pretendia dar a conhecer os últimos meses de vida de Anne Boleyn (interpretada por Jodie Turner-Smith), a segunda esposa do Rei de Inglaterra, Henry VIII, antes de ser decapitada por acusações de adultério, incesto e traição. Através desta minissérie pretendia-se reimaginar a luta de Anne Boleyn para conceber um herdeiro, para assegurar um futuro para a sua filha Elizabeth e ainda para desafiar uma sociedade patriarcal.

Agora, após reler esta sinopse, consigo finalmente entender o porquê de ter ficado tão desapontada com esta minissérie. Bem me parecia que eu tinha ficado com uma ideia bem diferente daquilo que acabou por ser Anne Boleyn, e agora entendo o porquê. É que a sinopse promete uma coisa, e algo que à partida já parece bastante bom, mas vai-se a ver e a minissérie não corresponde de todo ao prometido. Prometeram tanto, mas deram-nos tão pouco. À medida que ia terminando cada um dos episódios aquilo que me vinha à mente era: falta algo.

Faltou profundidade, faltou contexto, faltou um bom desenvolvimento, faltou conseguirmo-nos ligar/importar com as personagens, faltou conseguir impactar-nos, e acima de tudo, faltou pautar pela diferença. Sinceramente, ter visto ou não a série pouca diferença fez. Não acrescentou muito. Isso deixa-me ligeiramente desiludida, uma vez que tinham em mãos uma excelente oportunidade para fazer algo bom, e, principalmente, para fazer algo diferente. Se a ideia era reimaginar os acontecimentos em torno de Anne Boleyn, havia muito que poderiam fazer e explorar.

E pela sinopse, e até mesmo pela escolha de atores, principalmente a atriz que interpretou Anne Boleyn (e ainda a que interpretou a princesa Mary, Aoife Hinds) parecia que era isso que iam fazer, mas na realidade a história apresentada ficou muito aquém daquilo que poderia vir a ser. Ficou muito à superfície, e muito à base daquilo que já conhecíamos e/ou que facilmente poderíamos encontrar na internet. Não digo que isso é algo totalmente negativo, mas poderiam ter ido muito para além disso.

Já para não falar que para quem não está muito familiarizado com a história de Anne Boleyn, e principalmente com a história envolvendo o passado do Rei Henry VIII e a anterior esposa, Catarina de Aragão, provavelmente vai achar a história ainda mais superficial. Parece que as coisas acontecem assim sem grande lógica e também não parece haver grande justificação, ou pelo menos não é com essa ideia que ficamos, para o que lhe acaba por acontecer. É verdade que vemos um pouco o desmoronar do casamento deles, mas é de forma tão leviana – e até mesmo rápida – que parece não conseguir sustentar de forma eficaz os acontecimentos que levam à execução de Anne Boleyn. Talvez fossem necessários mais episódios ou então flashbacks que nos contassem um pouco mais da história da relação deles. O que quer que fosse, o certo é que era necessário mais. Para além disso, de thriller psicológico Anne Boleyn não tem quase nada. É certo que isso pode ser considerado como algo insignificante e a verdade é que a mim pouca diferença fez, mas, quando analisado num todo, parece que nem isso fizeram “bem”, por assim dizer.

Contudo, não quero com isto tudo dizer que a minissérie Anne Boleyn é péssima. Até se vê bastante bem, ainda para mais quando são somente três episódios. Agora, eu estava à espera de mais e, inevitavelmente, acabei por ficar bastante desiludida. Ora, como é obvio, isso acabou por condicionar um pouco a forma como eu me sinto em relação à minissérie, mas talvez alguém que não fosse com umas expectativas tão altas até acabe por gostar da série e daquilo que foi apresentado.

Episódio de Destaque:

Episódio 2 – Ainda que não tenha gostado particularmente de nenhum dos episódios, considerei que se sentiu uma ligeira diferença, em termos de qualidade, do primeiro para o segundo episódio. Neste, para além de vermos Anne a tentar ser forte depois da perda do seu filho, vemos também o desmoronamento total do seu casamento com Henry, que culminará na acusação de traição, adultério e incesto, que por sua vez a levará a ser condenada à morte.

Melhor Personagem:

Anne Boleyn – Mesmo não tendo ficado fascinada com a personagem e/ou com a história apresentada, não podia escolher outra personagem que não Anne Boleyn, ainda para mais quando não houve grande espaço para que fossem desenvolvidas outras personagens. É certo que já se sabia que a série se iria focar essencialmente em Anne Boleyn, mas mesmo assim poderia ter havido espaço para um melhor desenvolvimento de outras personagens, sendo que, inclusive, muitas dessas personagens eram igualmente importantes para a história. Um exemplo disso é o Rei Henry VIII, que mal apareceu ao longo dos três episódios.

Cármen Silva