Classificação

9
Interpretação
8.5
Realização
7.5
Argumento
7
Banda Sonora

Minissérie

Episódios: 3

[Não contém spoilers]

O que acontece quando Deus fala contigo? Será que estás pronto para ouvir o que ele tem para te dizer? Black Narcissus faz grandes perguntas dentro de pequenas paredes.

Esta minissérie pretende, em três horas, contar a história de cinco freiras que viajam até ao fim do mundo para divulgar a mensagem de Deus, mas enquanto o trabalho é santo na intenção, acaba por expor pecados bem humanos, até no coração mais fechado, e arrisca-se a falhar no mesmo ponto que outras missões falharam. A guiar a expedição está a Irmã Clodagh (Gemma Arterton), mulher perseguida por um passado aquecido que nem o gelo de Mopu consegue esfriar. Freira que esconde orgulho e ambição debaixo do hábito e que terá de lidar com os seus próprios demónios enquanto gere os que assolam a mente das restantes irmãs. Alma, que usa a dor para esquecer o amor. Entre os obstáculos contam-se a beleza do novo local, sonhos não concretizados, luxúria e, até, “verdadeiros” fantasmas que vivem nas paredes de um mosteiro que já foi uma casa de paixões e tragédia.

A história está longe de ser básica, monótona ou cheia de doces conventuais. Não há nada pacato aqui, ritmo lento ou longas preces. É uma história de, principalmente, vários tipos de sofrimento. O trailer pode induzir uma ideia de thriller psicológico ou até vibes de horror, mas é bem mais contemplativa. Uma exploração à psique humana, aos seus auto-limites e até onde estamos dispostos a ir nas nossas convicções.

O destaque principal vai quase todo para Gemma, que mostra novamente ser mais que a menina bonita de Prince of Persia. Uma fotografia bonita e uma cinematografia atenta que explora o local mágico da ação e suga toda as emoções dos protagonistas enaltecem o trabalho dos atores. Black Narcissus é um perfume intenso que parece entranhar tudo em que toca e esta série promete fazer o mesmo no final, deixando-nos a pensar sobre o que vimos.

Melhor Episódio:

Episódio 3 – Era aqui que a história podia fracassar, não compensando a “tortura” das personagens ou não satisfazendo quem a acompanhou, mas o final oferece o esperado: tragédia e reflexão, inícios e fins…

Personagem de Destaque:

Ao invés de destacar uma personagem em particular (é mais do que óbvio que seria Artenton a merecer todos os louros), prefiro antes destacar dois pequenos papéis: o de Diana Rigg, que tem aqui o seu último em televisão, e o de Gina McKee , uma atriz que adoro em tudo o que faz.

Vítor Rodrigues