Classificação

9.5
Interpretação
10
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers!]

Temporada: 1

Número de Episódios: 10

No espaço de um ano, a televisão deu-nos duas Catarinas, duas gerações e duas qualidades. Em 2019 tivemos a desilusão com Helen Mirren, mas 2020, apesar de tudo o que nos está a atirar ao lombo, deu-nos também Elle Fanning e este The Great.

A temporada mostra-nos a iniciação de uma jovem e inocente Catarina na louca corte russa. A série não se contém e, às excentricidades de uma corte comum, acrescenta-lhe uma dose extra de loucura russa. Corte essa que é liderada por um rei sociopata que vagueia entre o tolo parvo e o esperto cruel, mas com caminho certo traçado para a ruína de uma nação. Catarina percebe cedo que tem de tomar medidas para salvar o seu novo amor.

Elle Fanning, com a ajuda de um guarda-roupa incrível, faz a viagem da inocência e ignorância do piloto até à audácia e a abdicação dos desejos pessoais que fazem uma grande líder no finale. O sorriso fácil apaixona e a capacidade como a actriz navega pelas diferentes facetas da monarca impressiona. Facetas essas que a própria está a descobrir ao mesmo tempo que o espectador. Não é que houvesse dúvidas que o sangue Fanning é dotado, mas é sempre bom presencia-lo. Nicholas Hoult, que já tinha trabalhado com o criador Tony McNamara em The Favourite, é um verdadeiro ladrão de cenas. É verdade que lhe foi dada uma personagem quase sem limites, mas o ator esbanja-se e mostra uma amplitude que lhe desconhecia. Assume-se cada vez mais como um dos melhores, e mais ocupados, atores da sua geração. Agora imaginem o nosso privilégio em ver na mesma série Hoult e Fanning a brilhar… Huzzah!

Sacha Dhawan (Orlov), Charity Wakefield (Georgina), Adam Godley (Arcebispo), Douglas Hodge (Velementov), Sebastian De Souza (Leo) Belinda Bromilow (Tia Elizabeth) e especialmente a incrível Phoebe Fox (Marial) são satélites que orbitam estes dois astros, em que os próprios têm de decidir qual sairá vitorioso.

O melhor dilema que uma série nos pode oferecer é perceber se o que estamos a ver é qualidade dos atores ou a impossibilidade de falhar quando o argumento é estelar. Eu tendo a cair para a segunda hipótese. The Favourite já nos tinha mostrado a capacidade de McNamara em escrever bem no geral e retratar cortes tresloucadas em particular. Se são fãs do filme, The Great quase se encaixa no mesmo universo e a série vem demonstrar que o filme não foi um acaso para McNamara.

The Great não pode ser ignorado por quem é fã de diálogos rápidos e bem escritos, por quem ama séries de época e por quem quer ver elencos de gabarito com liberdade para se expressar. A série não é completamente fiel à história real, mas o que é que isso interessa? Se querem história vejam um documentário. Mas se querem uma comédia louca, com momentos de pura crueldade e violência e introspeção narrativa, The Great é para vocês. Indeed!

Personagem de Destaque:

Peter III (Nicholas Hoult) – Hoult é um verdadeiro dínamo. Considerando que consegue brilhar entre estrelas é algo que não pode ser subestimado. O ator brilha no aspecto físico e oratório e dá uma dimensão a Peter para lá do simples louco.

Melhor Episódio:

Episódio 10 – The Beaver’s Nose – O último episódio é um espelho do que foi alcançado ao longo da temporada. A tensão sobre o que pode acontecer, os movimentos de indecisão de todas as personagens, os sacrifícios pessoais, as jogadas de bastidores… Deixa-nos muito satisfeitos com a 1.ª temporada e deixa-nos sedentos por mais.

Vítor Rodrigues