Classificação

7.8
Interpretação
8
Argumento
8.2
Realização
7.9
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

Crisis on Infinite Earths, o maior crossover televisivo de sempre, foi inaugurado por Supergirl com um episódio sólido e de agarrar o espectador, mas que poderia ter sido algo mais. Talvez se deva ao facto de o plot de Crisis não ter sido desenvolvido anteriormente, como aconteceu com Arrow The Flash e de o fim do mundo ter sido largado de repente perante Kara e a restante equipa. Contudo, não é fácil juntar no ecrã tantas personagens distintas, de tantas séries diferentes, e mesmo assim conseguir dar-lhes tempo de antena individual e obter um bom resultado. Esta primeira parte pode não ter sido perfeita, mas foi boa e se houve coisa que não faltou foram easter eggs!

Sendo Supergirl a terceira série original do Arrowverse, faria todo o sentido envolver as personagens desta série mais cedo na alienação vindoura, como fizeram com as duas séries suas predecessoras, em que a narrativa tem girado já desde o final das temporadas passadas em volta de Monitor e de Crisis. Desta forma, acho que deixo claro que gostava que Kara, Alex, Brainy, J’onn e Nia soubessem de antemão o que enfrentariam. É nesse aspeto que acho que este primeiro episódio daquilo que é suposto ser um marco histórico na televisão deixa um pouco a desejar.

A incorporação dos diferentes heróis e a forma como são repescados até à Terra-38 está bem feita e não sei se haveria outra forma de o fazer. De todos, apenas Oliver, Barry e Mia estavam ao corrente do que se estava a passar e acho que as reações dos restantes estiveram aceitáveis. Afinal de contas, herói que é herói age primeiro e faz perguntas depois, não é? Ainda assim, gostava de ter visto algum tipo de reação das duas pessoas que nunca tinham saído da Terra-1 nem lidado com seres suprahumanos: Mia e Kate.

É óbvio que o foco de cada um dos episódios do crossover será o desenvolvimento do ataque de Anti-Monitor e da  luta dos heróis para salvarem o multiverso. Mas, claro, têm de haver pequenos blocos de ação ligados especificamente à série em que o episódio decorre. Gostei destas cenas em Supergirl e acho que foram bem intercaladas com tudo o que se estava a passar. Por um lado, foi uma pena Kal-El ter de regressar da sua reforma e envergar o fato de Superman uma vez mais tendo agora uma família, mas por outro, salvar tudo o que existe é prioritário. Apesar do comportamento de Lena nesta temporada, a dinâmica entre esta e Alex esteve on point e foi bom que tivessem deixado claro que nem todos os Luthor são vilões por natureza.

Quanto ao main plot devo dizer que para primeiro episódio fizeram um bom trabalho. Os heróis reúnem-se, há uma primeira ameaça a ser derrotada e planos a serem feitos para o que se segue. Acho que o que menos gostei foi provavelmente a viagem até à Terra-16 para salvar Jonathan e o encontro de Sara com o Oliver envelhecido de lá. Na minha opinião foram minutos desperdiçados. Porquê incluir essa cena de todo? O que trouxe de novo? Nada. Tivemos ainda a confirmação de que Nash Wells é Pariah e que foi ele a causa de Crisis, no fundo. Aguardo ansiosamente as suas ações nos próximos episódios.

Last, but not least, o final. Esta não é nem pode ser a morte de Oliver Queen. Não faz qualquer sentido. Tudo aponta para que seja uma morte temporária. A começar pelo que Monitor diz, de este não ser o final que ele tinha previsto para Green Arrow, ao facto de ser completamente ridículo a personagem morrer não só no início do crossover como num episódio de uma série que não é a sua. Algo acontecerá que o trará de volta e acho que deve ter a ver com Monitor. É impossível Oliver morrer sem estar rodeado dos seus amigos e família. Até porque, se formos a analisar com atenção, nunca é mencionado que Oliver morre. Ele simplesmente desaparece e nunca mais é visto.

O Arrowverse é já o maior universo de séries que vimos no mundo televisivo juntando não só as cinco séries nas quais assistiremos ao crossover da Crisis, mas muito mais como Black Lightning, Constantine, Vixen e The Ray. Nesta primeira parte do evento tivemos espantosos easter eggs aos quais já fomos habituados, assim como um excelente fanservice.

  • Vimos Ray na Earth-X a voar sobre a cidade agora mais livre de Nazis
  • Quem segue Titans reconheceu Jason Todd como Robin? Ficámos a saber que essa série se passa na Terra-9
  • Houve ainda uma referência à icónica trilogia dos filmes do Batman por Tim Burton com Michael Keaton no papel de Bruce Wayne, isto na Terra-89
  • E ainda a mítica série de Batman dos anos 60, com um envelhecido Dick Grayson/Robin (Burt Ward) a gritar “Holy crimson skies of death!” enquanto os céus se tornam vermelhos

Temos mais quatro episódios pela frente e muita coisa ainda pode acontecer. Espero que a qualidade da narrativa vá evoluindo e que cheguemos a 14 de janeiro de 2020, com a 5.ª parte a suceder-se em Legends of Tomorrow, com a sensação de que assistimos a história a ser feita; que melhor do que isto não podia ter sido. O próximo episódio decorre em Batwoman e poderemos ver a mais recente heroína do Arrowverse em ação no seu ambiente natural.

Beatriz Caetano (com inputs de Emanuel Candeias e Joana Henriques Pereira)