Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
6
Realização
6
Banda Sonora

A 5 minutos do começo do episódio, já me estava a arrepender de ter decidido ver o pilot de Billions. Não tinha visto o trailer da série, nem pouco mais ou menos sabia do que tratava. Apenas decidi ver porque tem como protagonista o Damian Lewis, ator cujo trabalho fiquei a admirar não por Homeland, mas sim pela série Life, que não sei se algum de vocês conhece, mas é bastante boa (e só tem duas temporadas, portanto, vê-se bem, fica a dica para aqueles que ainda estão à espera dos regressos das suas séries favoritas e não têm nada para ver).

Voltando a Billions, porque é que já me estava a arrepender aos 5 minutos? Para além de um começo no mínimo inesperado, com uma cena estranha de sado-masoquismo e fetiches… peculiares, digamos assim, aquilo que fez o meu nível de atenção e vontade de continuar a ver o episódio diminuir exponencialmente foi toda a terminologia financeira e legal debitada em todo o diálogo criado nos primeiros 20 a 30 minutos do episódio, quando estamos a ser introduzidos às duas fações que vão desencadear a história da série. E sendo que séries de advogados e afins é coisa que não me interessa particularmente e jargão financeiro é coisa que eu não pesco minimamente, o visionamento do episódio estava-se a tornar difícil.

Para meu bem, e para o bem de Billions, espero eu, depois dessa fase inicial difícil, a história lá se começa a tornar compreensível para o comum e mortal leigo.

As duas fações que vão conduzir e chocar ao longo desta história são:

De um lado, Bobby Axelrod, um empresário que sobreviveu ao ataque às torres gémeas, onde a maioria dos seus amigos e sócios morreu, e que é agora um multimilionário, dono de uma grande empresa chamada Axe Capital, e os seus aliados.

Do outro lado do ringue: Chuck Rhoades, o Procurador dos EUA, cuja missão é deitar abaixo empresas corruptas e garantir que a lei é cumprida, e os seus aliados.

Quando chegam a Chuck suspeitas de que o negócio de Axelrod pode estar envolto em corrupção, está fácil de ver onde a história vai parar: com estes dois galos de capoeira às cabeçadas. Mas para dificultar um pouco as coisas, há que mencionar que a mulher de Chuck (sim, a cena de BDSM é entre eles os dois, embora eu tenha estado o episódio todo a tentar entender se era mesmo isso ou se Chuck teria alguma amante) trabalha num alto cargo da Axe Capital.

Com uma interpretação brilhante de Paul Giamatti (Chuck Rhoades) e um Damian Lewis que vai buscar um pouco do carácter despreocupado e enigmático do seu Charlie Crews em Life, a série apresenta um elenco carismático. Talvez deixe um pouco a desejar com a personagem de Malin Akerman (Trophhy Wife) que faz de mulher de Axelrod e que neste episódio é deixada à mercê do estereótipo de esposa do milionário, com a duplicidade angel-bitch apresentada numa pequena cena em que ela sai em defesa do marido.

Na verdade, depois dos tais 20 a 30 minutos de suplício, a série ganha um especial interesse, quando se começam a entender as motivações de Chuck e a personalidade de Axelrod, os problemas que vão surgir e sim, acaba-se o episódio com vontade de ver o próximo.

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Mélanie Costa