04x22 - YHWH

04×22 – YHWH

O final de temporada mais ansiado da televisão finalmente aconteceu. Em “Asylum” descobrimos que Samaritan pretendia descobrir a localização da Máquina para a destruir e Control andava a tentar descobrir o plano maquiavélico da inteligência artificial, ainda que não tenha chegado exatamente a uma conclusão. John, Fusco e Elias estavam amarrados sob o olhar atento de Dominic, que pretende controlar o crime organizado de Nova Iorque. Com a ajuda de Harper, Fusco consegue escapar mesmo a tempo de salvar o seu colega enquanto que Harold e Root procuram encontrar uma forma de salvar o seu “Deus”.

Não vou entrar em muitos detalhes da história, porque sinto que este final de temporada deve ser saboreado por todos e os spoilers não ajudam. Vou-me focar, no entanto, na evolução que Person of Interest tem tido ao longo dos anos e que a torna numa das mais importantes séries de televisão do momento. Quando Person of Interest estreou, por mão de Jonathan Nolan (irmão de Christopher Nolan), a série apresentava uma refrescante visão sobre a criação de uma inteligência artificial que conseguia observar tudo e todos de forma a monopolizar o controlo governamental sobre a população. A dita Máquina, criada por Harold Finch, foi desenhada e motivada para salvar as pessoas que o governo considera serem irrelevantes, para o desgosto da Casa Branca e, uma vez que ninguém se atreve a salvar os mais necessitados, Harold recruta John Reese, um ex-agente da CIA com um passado tristonho, para o ajudar no dia a dia. A Máquina comunica através da entrega de números de Segurança Social mas não consegue determinar se a pessoa é inocente ou culpada, daí que necessite de agentes em carne e osso para descobrir a verdade. Pela sua extensa jornada pelo Bem, Harold e Reese conhecem poucos aliados e muitos vilões mas todos eles são peões indispensáveis no grande jogo que se avizinha. Assim que Person of Interest se despede de Joss Carter, uma das mais importantes personagens da série, encarnada pela talentosa Taraji P. Henson, os argumentistas decidem que está na altura de lançarem o arqui-inimigo da nossa Máquina, uma nova inteligência artificial com o nome de Samaritan. Samaritan é, ao contrário da Máquina, um software criado para controlar o mundo sem se preocupar com quem se encontra no meio para alcançar a sua meta. É um organismo que expande o seu império através da aniquilação de elementos chave que se revelam uma ameaça à evolução do seu monopólio. Os heróis em carne e osso vêem-se englobados numa guerra de duas inteligências artificiais que irá ditar a sobrevivência da Humanidade.

A progressiva elaboração de uma premissa prematura torna Person of Interest um acontecimento único na televisão. A série consegue enganar os espectadores ao lançar episódios de entretenimento que fogem do rumo da narrativa para apalpar terreno na linha principal da sua história. Mas, para além de apostar no fator entretenimento, a obra-prima de Jonathan Nolan consegue criar um leque de personagens cativantes que contribuem para o enriquecimento de um enredo trabalhado e imprevisível. Quando Amy Acker e Sarah Shahi estão em destaque, a série brilha, desmistificando o estereótipo de que as mulheres são frágeis e inofensivas. Root (Acker) foi outrora uma hacker impetuosa que assassinava sem dó nem piedade quem se metia no seu caminho e Shaw era uma fria agente que se limitava a cumprir ordens dos superiores. A evolução extraordinária do seu percurso veio a solidificar a narrativa da série, equilibrando as doses de testosterona que se notavam nos episódios anteriores à sua chegada. Mas a equipa de Nolan consegue manipular o espectador de forma exímia, não só com o realce das personagens mas também com o tratamento de escrita que deixa o público em pulgas para os eventos que se vão seguir.

Ainda que o final desta temporada não dê todas as respostas que precisamos, “YHWH” afirma-se como um capítulo genial que combina tudo aquilo que Person of Interest tem de melhor e, ao terminar com o tema dos Pink Floyd “Welcome to the Machine”, o que mais podemos nós precisar? Venha a quinta temporada!

Nota: 9/10

Jorge Lestre