Classificação

10
Interpretação
10
Argumento
9
Realização
10
Banda Sonora

[Contém spoilers]

AAAHHH!!!

Okay, já descarreguei, já estou mais calma, já podemos conversar. Quem mais não consegue bem acreditar que isto aconteceu tão cedo na temporada? E com isto obviamente falo do beijo (o beijo!), pelo qual já levávamos dois anos à espera. Eu tinha fé que era nesta temporada que finalmente ia acontecer, mas nunca pensei que fosse tão cedo! 2020 não tem sido, de todo, o melhor dos anos, mas Killing Eve deu-nos a 3.ª temporada duas semanas mais cedo e deu-nos o beijo de “Villaneve” logo no terceiro episódio e de repente a vida não parece tão sombria.  

Neste momento, ao escrever esta review, estou em total modo fangirl e, quem sabe, se calhar devia esperar para ter uma maior distância do episódio para poder formular comentários mais coerentes, mas – tal como em Killing Eve – eu acredito que o melhor trabalho é aquele feito sob o véu do extremo entusiasmo, por isso aqui estou eu a partilhar o meu com vocês. Penso que, a este ponto, é bem claro que sou uma enorme fã da relação entre Villanelle (Jodie Comer) e Eve (Sandra Oh). Não vejo que seja possível gostar de Killing Eve sem o ser, mas acredito que seja possível gostar ainda mais doutros aspetos da série como a trama de espionagem, por exemplo, assim que prometo dar o meu melhor para conter a histeria. 

Este episódio foi brilhante, por tudo o que aconteceu – não só aquele encontro fatídico no autocarro (e já vamos voltar a ele), mas também pela geral qualidade, imprevisibilidade, comédia e pelos vários momentos que nos deixaram K.O. Depois de dois capítulos mais brandos, Killing Eve regressou com um episódio de parar o trânsito.

A descoberta feita pelo colega de Kenny (Sean Delaney) através dos códigos super inteligentes que ele deixou no seu cubo mágico (e este momento em particular fez-me ter umas saudades desgraçadas dele e da sua genialidade), despoletou uma série de acontecimentos e intriga tão emaranhada como esta série nos habituou desde sempre. Contas bancárias que fazem ligação a acontecimentos da primeira temporada, que por outro lado têm ligação a Konstantin (Kim Bodnia), que o ligam a mais um antigo conhecido de Carolyn (Fiona Shawn), e ao novo alvo de Villanelle. Regressaram as reviravoltas e os complexos segredos de duplos agentes que nos confundem a cada nova cena e não podiam ser mais estimulantes! 

Um dos momentos mais surpreendentes do episódio foi ver como os Twelve se viraram contra o seu próprio homem, de forma a que nem Konstantin estava dentro do plano. Isto levantou inúmeras questões sobre quem está por detrás dos movimentos do dinheiro, sobre qual é exatamente o poder que Konstantin tem neste momento (não me parece ser muito, pelo contrário parece-me que está a ser usado, enganado e manipulado) e se Villanelle, Dasha e ele estão a trabalhar para as mesmas pessoas como é suposto ou se há mais que se lhe diga. O choque de Konstantin ao descobrir que Villanalle tinha morto o contabilista deixou-me particularmente confusa porque normalmente há pouco que choque este velho profissional da espionagem. Para além disso, ele está a espiar Carolyn (o íman no frigorífico) portanto devia saber que o seu colega tinha sido comprometido, não? Quer dizer, as conversas em casa de Carolyn que o comprometem não são teoricamente tidas na cozinha, mas mesmo assim, eles têm reuniões tão cândidas naquela casa que alguma coisa deve ter chegado à cozinha. Seja como for, o atual papel de Konstantin na trama é o menos claro de todos, sendo por isso aquele que me parece que será o principal alvo de plot twists esta temporada. 

Não faltaram cenas icónicas neste episódio e Carolyn foi sem dúvida a protagonista de várias delas, tornando-se, para mim, na estrela desta semana (e acreditem que com a minha primazia por Villanelle esta é uma afirmação de peso vinda de mim), como quando está na casa de banho a discutir os pormenores da morte de Kenny porque, nas suas palavras, tem todos os seus melhores pensamentos quando está no banho. A cena em que finge (e nos engana até a nós, espectadores, que estamos sempre à procura de pistas) ter sido rejeitada por um suposto pretendente porque sabia que aquele bancário estaria naquele bar e teria as respostas para as suas questões; a cena em que enfrenta Villanelle ou aquela em que é abraçada pela filha. Uma e outra vez, esta personagem impressiona e brilha, retirando protagonismo às duas “cabeças de cartaz” da série. É ótimo, ela é ótima!

Ainda assim, mesmo que Carolyn tenha sido quem teve o maior número de cenas memoráveis no episódio, foi de novo o nosso par apaixonado que nos deu A Cena do episódio, aquela sobre a qual todos vamos falar durante os próximos dias. Sempre que Villanelle e Eve se enfrentam, Killing Eve atinge o seu clímax de emoção e suspense. A fasquia estava muito alta para este encontro em especial, dado a situação em que se tinham visto pela última vez, mas não desiludiu. Villanelle entra do nada no autocarro em que Eve está (ah, e por falar nisso, já vi pessoas indicarem que o íman do autocarro de Londres de Konstantin era uma dica para esta cena!), e depois de andarem à pancada, o momento por que todos esperávamos dá-se, seguido por uma cabeçada que lhe põe termo. Foi short and sweet, como se diz em inglês, e deixou-nos a querer mais. Toda a história do perfume e do urso só adicionaram mais a um episódio deveras satisfatório para os fãs deste par. 

Finalmente, é também de apontar o humor certeiro ao longo de todo o episódio (algo que esteve um pouco off nos outros dois), com demasiadas cenas para mencionar, mas destacando toda a história do bebé que Villanelle rapta. Muito bom mesmo. E, ainda por cima, este bebé fez Villanelle decidir que quer conhecer a sua família – outra coisa pela qual já espero há muito tempo!

Este foi sem dúvida um episódio com tudo o que Killing Eve tem de melhor, provando que as minhas esperanças para um crescimento de qualidade na temporada estavam certas. Veremos agora se se mantém!

Francisca Tinoco