Classificação

7.1
Interpretação
7.3
Argumento
7.2
Realização
7.1
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

“Catherine will be delighted, but how can that be if you’re stuck here and still the guest of honor? I guess you’ll see as we drink tea and someone ends up a goner.”

Batwoman regressa esta semana após um breve hiato com A Mad Tea-Party, o oitavo episódio desta sua 1.ª temporada.

Neste episódio, Kate e Alice continuam o seu jogo de gato e rato, enquanto Alice e Mouse levam a cabo o seu plano mais malévolo até à data. Mary convida Kate para um evento especial em honra de Catherine e, por fim, Jacob toma uma decisão que deixa a sua filha perplexa.

Não é segredo que, semana após semana, Batwoman tem vindo a superar as nossas expectativas com episódios que, de forma consistente, continuam a melhorar a olhos vistos. Neste sentido, não é de surpreender que A Mad Tea-Party possa mesmo ser o melhor episódio até agora, cheio de voltas e reviravoltas, surpresas e até mesmo a primeira grande morte da série.

Ainda que só exista no Arrowverse há oito episódios, Alice tem-se estabelecido como uma das melhores — se não mesmo a melhor — vilãs deste universo. Esta sua posição é solidificada neste episódio, onde se apresenta, novamente, como uma das personagens mais importantes para a narrativa. Finalmente, a sua mad tea-party tem lugar e Alice vê os seus sonhos de vingança tornarem-se realidade. De forma nada menos que simplesmente brilhante, a irmã gémea de Kate consegue livrar-se daqueles que acredita serem os seus maiores oponentes, ao matar a sua madrasta e culpar o seu pai pelo sucedido, tudo enquanto expõe as empresas Hamilton Dynamics e Crows Security, uma por armar a cidade de Gotham, a outra por se fazer passar por sua protetora.

É uma fantástica performance por parte de Skarsten, igualada e, neste episódio, superada apenas pelas interpretações de Nicole Kang e Elizabeth Anweis (Mary e Catherine Hamilton, respetivamente). Se Mary tem sido uma personagem que, até à data, nos tem proporcionado bastantes momentos de gozo e apenas alguns mais sombrios, essa tendência reverte-se aqui. É impossível ficar indiferente à emotiva despedida entre mãe e filha, ainda que Catherine nunca tenha sido uma personagem de quem gostássemos particularmente. Durante muito tempo, duvidámos dos seus motivos, mas acreditamos agora que as suas intenções não foram as piores e é verdadeiramente triste que esteja a partir tão cedo.

No entanto, é inegável que as ações de Alice e, em especial, a morte de Catherine virão a impactar o futuro da série e suas personagens. Kate parece ter um talento inato para dizer a coisa errada à hora errada e a sua relação com Mary está mais fraturada que nunca, mas será que está para sempre perdida? Pessoalmente, não nos parece que esse seja o caso. Mas, assim sendo, como irá Kate resolver esta situação? A nossa Batwoman parece ter desistido por completo de tentar recuperar Beth das garras de Alice, mas será mesmo isso que sente? Por agora, parece que Alice está para lá da possibilidade de redenção, mas o seu status enquanto vilã principal de Gotham não poderá ser algo permanente se a personagem continuar na série. Na melhor das hipóteses, é possível que Alice venha a trocar o seu papel de vilã pelo de personagem anti-herói, aproximando-se um pouco mais à ideia que temos de alguém como Harley Quinn (pessoalmente, gostaríamos de o ver acontecer).

Este episódio vem ainda a marcar o fim da atual relação de Sophie. De forma muito madura, a personagem e o seu marido resolvem tirar um tempo da relação, uma vez que, apesar do amor que sente por Tyler, os sentimentos que Sophie nutre por Kate são demasiado fortes para ignorar. Estes novos desenvolvimentos sem dúvida terão importância nos restantes episódios desta temporada e mal podemos esperar para ver onde nos levam.

Na verdade, o único ponto fraco sentido em relação a este episódio é o facto de, por vezes, parecer que Kate não tem uma presença tão forte quanto as personagens à sua volta. Não por falta de personalidade, mas sim porque as personagens que temos vindo a destacar são tão carismáticas que acabam por ofuscar um pouco a nossa protagonista.

A série compensa, no entanto, pelo seu storytelling e outros aspetos como as suas fortes sequências de luta, que definem um estilo muito próprio de lutar de Kate, sendo que neste episódio se destacaram também por serem feitas em apenas uma shot contínua. Algo que também tem sido agradável à vista é o facto de muitas das cenas exteriores de Batwoman serem filmadas em exteriores reais ao invés de cenários ou green screens (que, de forma geral, são horríveis na grande maioria das séries do canal The CW).

Batwoman regressa na próxima semana para a segunda de cinco horas do crossover anual do Arrowverse, Crisis on Infinite Earths, encaixando-se entre Supergirl e The Flash.

Inês Salvado e Margarida Rodrigues