Classificação

9.5
Interpretação
9.5
Argumento
10
Realização
9
Banda Sonora

Contém spoilers!

“The dead are at peace, but the real heroes are the ones who have to keep going”.

 

Depois de um cliffhanger à Avengers: Infinity War passamos para o Endgame. A espera foi dolorosa, mas as expectativas para a conclusão de Crisis on Infinite Earths nos dois últimos capítulos em Arrow e Legends of Tomorrow conseguiram ser superadas. Crisis consagra-se assim como o Rei dos crossovers, num evento que sem dúvida ficará para a História e será discutido infinitas vezes nos anos que virão.

“You have failed this… universe!”

Comparando inevitavelmente com outro recente grande crossover no mundo dos super-heróis, percebemos que enquanto em The Defenders (2017) as partes eram muito melhores do que a fusão do todo, com cada crossover do Arrowverse, e em particular com Crisis on Infinite Earths, não só a junção das diferentes séries melhora o que há de bom em cada uma delas, como a fasquia tem sido elevada de ano para ano. A Marvel tentou, mas no que toca a crossovers no mundo das séries é a DC a unânime vencedora deste campeonato.

– “Do you trust me?”

– “With every cell of my body”.

O serão foi recheado de momentos épicos, mas eleger o mais surpreendente é relativamente fácil, embora para Marc Guggenheim tenha sido uma tarefa herculana que nas palavras do próprio “custaram dois rins”. Num acordo com os executivos da Warner Bros, Guggenheim conseguiu o ultimate cameo com Ezra Miller a aparecer no seu papel de Flash no Arrowverse! Assistimos assim a algo que ninguém julgava ser possível, a integração do Arrowverse com o DCEU. Mais do que isso, ao longo deste evento, a CW foi capaz de basicamente juntar todas as realizações da DC no pequeno e grande ecrã num único, gigante e rico multiverso com infinitas Terras, infinitas personagens e infinitas histórias.

“Dying’s the easy part”.

Oliver Queen, o homem que criou o Arrowverse, acabou a salvar todo o Multiverso. Uma personagem que passou anos a combater com a sua escuridão interior, que muitas vezes cedeu aos seus medos e demónios, e repetidamente se subvalorizou como super-herói vendo-se apenas como um vigilante, deixa como legado o enorme sacrifício que deu a faísca para recriar todo o Multiverso. A maioria dos fãs ficou um pouco desapontada com a morte de Oliver logo na primeira parte deste crossover. Apesar de também ter sido uma morte heroica e o seu sacrifício contra os shadow demons do Anti-Monitor ter permitido o salvamento de milhões de pessoas da Earth-38, apesar de ter morrido rodeado pela sua filha e amigos, apesar disso tudo, não era suficiente; apesar de tudo, não fazia jus a oito anos de Arrow. Então e se reuníssemos uma equipa para partir numa jornada à procura de um Poço de Lázaro para ressuscitar o corpo de Oliver, fizéssemos um acordo com o Diabo para encontrar a alma dele, fôssemos parar ao Purgatório onde Oliver Queen se transforma em algo mais e emerge como… Spectre, uma das personagens mais poderosas da DC, que juntamente com Oliver Queen resgata os Paragons do Vanishing Point, ajuda-os a chegar ao Dawn of Time e depois de um confronto de titãs com o Anti-Monitor se volta a sacrificar de modo a salvar não só a sua família, amigos, colegas e conhecidos, mas é graças a ele que toda a vida no multiverso pode voltar a surgir? “And it all started with the Big Bang”, Oliver Queen. Bem, parece que assim o final da personagem é muito mais digno e o seu legado é merecido. Resta saber se o final de Oliver Queen é definitivo para a eternidade ou se existe a possibilidade de o voltar a ver no futuro. Talvez no próximo crossover? Ou será que os últimos dois episódios de Arrow guardam algum final feliz para Oliver e Felicity antes de o manto ser definitivamente passado para Mia?

Cinco curiosidades sobre o Spectre da DC:

– sabiam que Spectre é considerado o mais poderoso utilizador de magia da DC?

– os seus poderes estão ligados a Presence – o equivalente a Deus na DC e ele é a personificação da Divine Wrath, entregando a vingança e a justiça de Deus

– a atuação de Spectre é limitada à sua ligação a um hospedeiro. Nos comics da DC, na maioria das histórias, cabe a Jim Corrigan o papel de hospedeiro humano de Spectre, mas mesmo Hal Jordan (aka Green Lantern) já chegou a ter esse destino

– a personagem foi criada por Jerry Siegel e Bernard Baily, tendo a sua estreia em fevereiro de 1940, no número #52 da revista More Fun Comics

– para quem quiser saber mais sobre esta enigmática personagem, em 2010 saiu uma curta-metragem de animação, The Spectre, que serve como uma ótima introdução tanto para as habilidades de detetive de Jim Corrigan, como para o espírito de vingança de Spectre

Para além dos momentos mais bombásticos, o episódio primou por se focar nas personagens sobreviventes e aprofundar um pouco da importância de cada um dos Paragons. Tirando Oliver, Flash e Supergirl foram as esperadas estrelas do episódio, mas ninguém ficou de fora e tanto Choi como Luthor demonstraram o seu valor e provaram o porquê de terem sido escolhidos para a batalha final. Algo que felizmente não ficou por abordar foi a história de origem, principalmente de Mar Novu, mas também um pouco de Anti-Monitor, o que ajudou a dar perspetiva ao evento e a explicar como tudo se desencadeou.

Tendo as duas últimas partes de Crisis saído no mesmo dia, o mais provável, e mesmo aconselhável, é ver a conclusão em dose dupla. Se em Arrow as surpresas, drama e ação estiveram em alta, Legends of Tomorrow fica com a missão de atar todas as pontas e dar forma ao novo multiverso após a Crisis on Infinite Earths.

Emanuel Candeias