Por intermédio do Syfy Portugal, tivemos a oportunidade de conversar com Eline Powell, a protagonista de Siren, uma das apostas de fantasia do canal português. Eline interpreta Ryn, uma sereia que aparece numa pequena cidade costeira. A série conta-nos o que acontece a partir do momento em que um grupo de pessoas descobre que as sereias são reais. A entrevista foi feita por telemóvel e Eline mostrou-se muito simpática e divertida durante todo o processo. Em baixo podes ler a entrevista à atriz.
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Olá! Antes de mais agradecemos por nos receberes. A primeira questão que temos é sobre a 3.ª temporada. O que é que podemos esperar do final da temporada que ainda irá ser transmitido pelo Syfy?

O final desta temporada é muito intenso. Aconselharia a terem uma manta ou algo que possam apertar enquanto veem [risos]. É tudo muito grande, é o nosso final mais épico, com muitas cenas debaixo de água. Toda a gente pôs o seu esforço máximo nestes episódios Aliás, tenham atenção! Eu não sei que previsões as pessoas têm do final, mas quando nós o lemos pela primeira vez ficámos muito surpreendidos.

Portanto podemos ficar com as expectativas em alta.

Sim, só temos 40 minutos, mas é um final que não irão esquecer.

Referiste as cenas na água, como é que foi gravar essas cenas? Tiveste algum treino especial?

Sim, especialmente nesta temporada, tivemos cenas na água todos os episódios. Eu não estive em todas, mas todos os atores receberam muito treino de mergulho de apneia, porque todo o trabalho debaixo de água que fazemos é de apneia. Claro que o ator pode respirar entre takes, mas a maior parte do tempo é em apneia, por isso precisámos de treinar muito. Todos os nossos atores foram corajosos e maravilhosos pelo trabalho que fizeram e hoje em dia até se tornou um hobby fora do set [o mergulho], mas no começo era muito difícil. Estamos a aprender uma nova habilidade e ao mesmo tempo ainda temos que representar. Mas agora na 3.ª temporada já somos todos especialistas nisso. Foi muito trabalho, mas sendo honesta contigo, foram dos melhores tempos que passei! Aprender novos movimentos, tentar falar debaixo de água, foi espetacular.

Então agora já conseguem estar relaxados debaixo de água?

Sim, já estamos relaxados a divertir-nos, focados na cena que estamos a gravar, mas continuamos a ter um desafio, não nos conseguimos ver muito bem uns aos outros debaixo de água. Sentimo-nos mesmo no ambiente da série, porque é completamente diferente do ambiente de estar em terra. Sinto-me mais Ryn quando estou na água. Adoro!

Como é que foi interpretar uma personagem tão intensa que mal fala, especialmente na 1.ª temporada, sendo que depois o seu discurso vai evoluindo?

[risos] É parte do desafio, mas parte da alegria para mim. Adoro tentar encontrar maneiras de comunicar o que estou a sentir para o espectador sem usar as palavras. Tinha que usar muito o meu corpo e as expressões faciais, mas sem as tornar demasiado humanas. Tive que encontrar maneira de dizer as coisas, mas não de uma maneira que tu as fosses dizer. Foi difícil no começo, mas adorei criar este ser completamente diferente e todos os outros atores no set o fazem bastante bem, as sereias e tritóres estão muito bem representados e conseguimos perceber o que é que cada um quer dizer só com um olhar. Não podemos relaxar, não podemos ser naturais.

Está a correr bem essa adaptação a sereia, uma vez que também conseguiste o papel de sereia no filme do King Arthur!

Sim! [Risos] É engraçado, mas aparentemente estava destinado. Não me importava de fazer papéis debaixo de água para o resto da minha vida!

Algumas séries trazem consciencialização sobre alguns temas. No caso de Siren é sobre um tema pouco comum que é a sobrepesca. Sentes o impacto que Siren tem ao abordar este tema?

Fico muito orgulhosa por fazer parte de uma série que traz esse impacto. Em Siren fazemos isso muito bem porque o mundo já está cheio de sinais desse perigo, mas para muitas pessoas o oceano é algo longínquo que nem veem. Em Siren os escritores tornam isso pessoal, cria-se uma ligação com o oceano e fico espantada com a maneira como fizeram isso. As sereias são um pouco a personificação do oceano. Espero que se há alguma coisa que as pessoas levem da série é mais empatia com o que se está a passar. Talvez algum desejo de mudar as coisas. Sinto-me abençoada por poder fazer parte disso.

Sentes que Ryn tem história para uma 4.ª temporada?

Acho que as histórias continuam, não sei se há um ‘felizes para sempre’ no final, acho que há sempre mais para ser explorado e mais do mundo das sereias para ser encontrado. Por outro lado, como atores, nunca sabemos se vai haver outra temporada ou não e por isso pomos sempre o nosso maior esforço em cima da mesa e esta tornou-se a minha temporada preferida por isso mesmo. Se for o fim, sei que podemos ficar de cabeça erguida pelo trabalho que fizemos! Tenho a certeza que há mais para ser explorado em Ryn, mas se não houver mais os espectadores constroem o final que querem imaginar para Ryn.

Agora uma curiosidade. A mãe da personagem principal, Ben, chama-se Elaine Pownall, o que é muito semelhante ao teu nome. Foi uma brincadeira ou homenagem?

[risos] Não é estranho? Foi uma coincidência enorme, o nome foi aleatório, mas perguntei ao criador uma vez se era uma homenagem a mim, na brincadeira, e ele respondeu-me que não e para sair do meu pedestal [risos]. Foi apenas uma coincidência, mas muito engraçada. Na 1.ª temporada foi muito confuso quando lia os guiões.

Como foi a investigação feita para trazer realismo à criação das sereias? Por exemplo, o facto de, se entrares em água doce, não haver transformação, apenas na água salgada?

Foi-se desenvolvendo de forma orgânica e o crédito está na nossa equipa extraordinária e no Eric [Wald, criador da série]. Tentámos desenvolver numa direção mais científica, como disseste queriam trazer realismo, não podia ser como na pequena sereia da Disney. Adoro que seja sci-fi, mas baseado nalguns princípios científicos. O meu pai era cientista, eu ia mandando ao Eric alguns artigos científicos que ia encontrando, por exemplo sobre as canções das baleias e o seu efeito, e ele era um geek como eu, ficava super entusiasmado com isso. O mérito é todo de Eric, mas fico muito entusiasmada quando vejo a direção que a série tomou. Por exemplo, vê o que fizemos na 3.ª temporada com a teoria das células estaminais.

Durante as primeiras duas temporadas vimos a evolução do triângulo Ryn-Ben-Maddie, mas nesta última temporada Maddie começa a ser deixada de fora. O que achas deste afastamento?

Com Ryn foi uma jornada confusa. A perspetiva dela é a do mar, onde o amor é simples e direto e não há estas regras. O que aconteceu com o trio é que Ben e Maddie têm uma perceção comum de como lidar com estes problemas e conceitos e isto levou-os a afastarem-se. Ryn ainda ama muito ambos, mas a sua maior conexão é com Ben, para quem cantou, e a canção é muito poderosa. Esta temporada acho que, apesar de Ryn estar mais com Ben, a amizade que fundou o trio nunca vai desaparecer. E para Maddie acho que foi bom afastar-se um pouco, mas torna-se um pouco complicado perceber que tipo de relação é que eles têm e as consequências que isso pode ter. É muito complexo em contraste com Ryn, que é muito simples! Fiquem atentos aos últimos episódios para saber como termina!

Resta-nos agradecer ao Syfy pelo convite e oportunidade e recomendamos que fiquem atentos a Siren para acompanharem os últimos episódios desta temporada. Quem sabe, pode ser que venha outra a caminho!