Tinha espreitado o episódio piloto da série na altura em que estreou, mas nada nele me deu vontade de continuar a ver. No entanto, o lado bom das antologias é que se pode ver uma temporada sem ter visto a anterior e quando uma amiga – sabendo da minha imensa paixão pela Evil Queen de Once Upon a Time – me fez crer que eu ia gostar desta nova história de Why Women Kill, achei que valia a pena começar a ver. Aqui estou, portanto posso confirmar que vale a pena. Eu só precisei de Lana Parrilla como razão para ver a temporada, mas vou dar-te mais seis motivos, que espero que te convençam a dar uma oportunidade à série.

[Não contém spoilers]

why women kill

1 – Elenco extraordinário e personagens incríveis

Não é frequente deparar-me com uma série tão recheada de excelentes personagens. Aliás, a mim basta-me perfeitamente ter um favorito ou dois, mas na 2.ª temporada de Why Women Kill até é difícil escolher. Os personagens principais são todos interessantes, cada um à sua maneira e com as suas particularidades, e o elenco está genuinamente bem escolhido. É claro que a opinião sobre os personagens vai acabando por se alterar à medida que a trama se desenvolve, nem sempre pelos melhores motivos, mas essa também é parte da magia.

2 – Lana Parrilla

Fiquei absolutamente fã de Lana em Once Upon a Time e depois de ter visto Why Women Kill é mais do que justo dizer que ela nasceu para interpretar mulheres poderosas, sassy e sexy. Um tipo de personagem que me costuma agradar bastante, aliás. Rita Castillo é manipuladora, mas é também engraçada e tem uma aura qualquer magnética que nos atrai para ela enquanto personagem. É impossível desviar os olhos quando ela está no ecrã. Se és fã da Evil Queen/Regina Mills, vais querer conhecer Rita, a mulher que acha que o marido lhe está a falhar por ter 80 anos e ainda não ter morrido.

3 – As disputas entre personagens

Esta é uma série de intrigas, com personagens calculistas que procuram servir os seus próprios interesses e por isso há imensas disputas. No entanto, a minha preferida é a que Rita tem com Catherine, a filha do marido. Catherine, maravilhosamente interpretada por Veronica Falcón, sabe que a mulher do pai só está interessada no dinheiro dele e está decidida a que Rita fique sem nada. No entanto, há coisas que Rita pode usar contra Catherine e conta com a ajuda de Isabel, a sua prima e empregada dedicada. As próprias inseguranças de Rita quando descobre que o seu amante tem uma namorada também geram uns atritos engraçados entre personagens, mas ninguém vai mais longe do que a doce Alma Filcott, que está imensamente empenhada em fazer parte do clube de jardinagem ao qual Rita preside. Nenhuma destas mulheres vai facilitar a vida à outra. Há algo de deliciosamente cativante nesta série!

4 – O toque especial da existência de um narrador

A maioria das séries não consegue fazer funcionar bem a presença de um narrador que nos põe a par de algumas das coisas que estão a acontecer e que devemos saber acerca dos personagens. No entanto, nesta série parece essencial, como se o narrador fosse alguém que nos está a confidenciar uma série de coscuvilhices juicy sobre estas pessoas. Cria proximidade com o espectador e para quem via e gostava de Desperate Housewives (sendo que as duas séries são de Marc Cherry), proporciona também uma certa sensação boa de nostalgia.

5 – O sentido de humor em toda a história

Adoro séries que conseguem conjugar bem o drama com a comédia e aqui há um certo sentido do absurdo que torna a série tão irresistivelmente divertida e quase nos faz esquecer da sua componente mais séria. Há uma data de pessoas a morrer e uns momentos dark o suficiente, mas a série, no essencial, tem um tom leve, especialmente na primeira metade da temporada, onde os momentos cómicos são uma constante. As personagens femininas, sobretudo Alma, Rita e Catherine, conseguem ser bastante engraçadas e a ingenuidade (para não usar uma palavra menos simpática) de Scooter também é demais. Destaque também para Bertram, o marido de Alma, que é outra pérola.

6 – A estética e as cores

Não há nenhuma série que bata Pushing Daisies em termos de cor e de impacto visual, mas Why Women Kill também deixa a sua marca nesse aspeto. Há uma altura em que o jardim da casa dos Filcott está absolutamente esplêndido e mesmo na própria intro da série, bem como nos posters de divulgação, nota-se a atenção que foi dada às cores. Os vestidos das senhoras do clube de jardinagem são, no geral, pirosos até mais não, mas o guarda-roupa da série também contribui em muito para construir uma estética muito própria.

7 – As constantes reviravoltas

Estava muito longe de imaginar a maioria das coisas que aconteceram nesta série! Talvez pareça óbvio que alguns géneros televisivos tenham a obrigação de surpreender, mas há muitas vezes em que isso não é conseguido, mesmo quando é suposto. É portanto de louvar quando as coisas são bem feitas nesse sentido. Os personagens revelam-se e mostram a sua verdadeira faceta, a contagem de corpos não é gigantesca, mas é razoável, e as manipulações são tantas que o melhor é prestar atenção ao recap mostrado no início de cada episódio. Principalmente se a tua memória não é a melhor, como a minha! São só dez episódios e a maioria vai dar-te uma vontade incrível de ver o seguinte.

Importa acrescentar que a série está disponível na HBO Portugal! Vais espreitar?

Diana Sampaio