Nos últimos tempos, poucas séries conseguiram gerar tanto burburinho quanto Heated Rivalry. Nas redes sociais, multiplicam-se fãs apaixonados que tornaram a série canadiana sobre a relação amorosa entre dois jogadores de hóquei de equipas rivais num verdadeiro fenómeno mundial. Mas se ainda não percebeste porque é que anda toda a gente obcecada com Heated Rivalry, reunimos sete razões para dares uma oportunidade a este sucesso televisivo que, em Portugal, estreou no dia 23 de janeiro na HBO Max.

1 – Não é (apenas) sobre hóquei
Se queres aprender as regras do hóquei, Heated Rivarly provavelmente não é a série certa. Sim, há jogos, há rivalidade no rinque e há aquecimentos intensos. Mas esta história vai muito além do desporto. É uma série sobre ser consumido pelo amor, sobre a liberdade de amar quem queremos e, acima de tudo, sobre a coragem de sermos fiéis a nós próprios, mesmo quando isso tem um custo.

2 – Novos atores, novos talentos
Heated Rivarly apresenta uma nova geração de atores que conquistou não só a equipa da série, mas também os espectadores. Connor Storie, no papel de Ilya Rozanov, destaca-se desde o primeiro momento. O seu charme é subtil, intenso e cresce a cada episódio. Ilya é uma personagem que valoriza, acima de tudo, aquilo que sente, a sua liberdade e o cuidado para com os outros. E sim, o sotaque russo incrivelmente convincente é absolutamente irresistível. Hudson Williams, por sua vez, dá vida a Shane Hollander com uma entrega emocionante. Shane respira hóquei, mas luta com as suas emoções e tem dificuldade em verbalizar aquilo que sente. Por detrás da rigidez, existe um ser profundamente carinhoso, disposto a lutar por aquilo e por quem ama. O resto do elenco encaixa e brilha na perfeição.

3 – Heated? Sim. Rivalry? Nem tanto.
A história acompanha dois rivais de hóquei: Shane Hollander, jogador e capitão japonês-canadiano pela equipa de Montreal, e Ilya Rozanov, jogador e capitão russo pela equipa de Boston. Os dois conhecem-se no verão anterior à sua temporada de rookies, em 2008. No gelo, existe uma rivalidade fria e adorada pelo público. Fora do rinque, nasce uma tensão silenciosa e quente, que se estende ao longo dos anos. Antes do primeiro encontro amoroso entre os dois rivais, Ilya pergunta “What’s your room number?”, ao que Shane responde “1410” e seguem-se provocações como “I might knock” e “I might open”. E tal acontece. O contacto físico surge com plena consciência de que é uma má ideia, não apenas pela profissão de ambos, mas também por serem vistos como rivais. Talvez seja precisamente por isso que se torna mais desejável. Entre olhares contidos e gestos impulsivos, a atração fala mais alto, acompanhada por um processo íntimo de autodescoberta que nenhum dos dois consegue travar. Episódio após episódio, Heated Rivarly constrói uma ligação entre as personagens cada vez mais emocional e intensa, desvendado as camadas de Shane e Ilya e um amor que cresce em silêncio.

4 – Não uma, mas duas histórias de amor secretas
Se chegares ao episódio 3, prepara-te para uma surpresa inesperada. Heated Rivarly não vive apenas da relação escondida entre Shane e Ilya. Scoot Hunter (François Arnaud), jogador e capitão da equipa de Nova Iorque, conhece Kip (Robbie G.K.), um bartender que o conquista não só com batidos de mirtilo com “extra banana”, mas também com o seu sorriso caloroso e personalidade gentil. A ligação entre os dois é imediata. No entanto, para Scott, assumir-se como homossexual num desporto tradicionalmente masculino é um desafio enorme. Kip compreende, espera, mas deseja poder viver o amor sem segredos. Contudo, Scott surpreende todos com um ato único, corajoso e inspirador para Shane e Ilya.

5 – O soundtrack perfeito
Mesmo que Heated Rivarly não fosse memorável (spoiler alert: é!), a sua banda sonora já valeria a pena. Existe uma pequena playlist oficial no Spotify que transporta qualquer espectador para diversos cenários da série, especialmente o emblemático cottage, um lugar quase mítico para os grandes fãs. Uma das músicas que conquistou o público foi All the Things She Said, do duo russo t.A.T.U. Para muitos fãs, esta canção estará eternamente ligada a Shane e Ilya, especificamente a uma cena icónica numa discoteca.

6 – Amor sem filtro e vulnerável
O desporto continua preso a uma ideia rígida de masculinidade, onde mostrar emoção ou fragilidade ainda é visto como fraqueza. Heated Rivarly não foge dessa realidade, enfrentando-a. Apesar do amor secreto e intimidade silenciosa, Shane e Ilya encontram refúgio em pequenos gestos: sussurram e trocam números de quarto e falam ao telefone com nomes femininos, Lily e Jane, uma forma de se protegerem e de esconder o medo constante de serem descobertos. Com Ilya, Shane descobre quem realmente é e começa a reconhecer sentimentos que o assustam. O atleta acredita que, devido à sua profissão, não pode assumir-se publicamente e o medo de perder tudo aquilo que construiu acompanha-o a cada decisão. Ilya enfrenta dilemas semelhantes, mas por razões diferentes. Para ele, o maior obstáculo não é o hóquei, mas a sua origem russa, um contexto cultural marcado por uma aceitação limitada e por uma família rígida. Contudo, estes obstáculos não travam nem apagam o amor entre os dois, apenas os ensina a sobreviver em segredo.

7 – Um futuro com mais Heated e menos Rivarly
Heated Rivarly continua a afirmar-se como um sucesso exponencial, com uma promissora 2.ª temporada já confirmada. Vamos continuar a acompanhar a relação entre Shane e Ilya e os desafios que os dois enfrentam todos os dias, numa temporada em que a rivalidade dá cada vez mais lugar ao afeto. Para os mais curiosos, os livros permitem viver de forma ainda mais intensa esta bonita história de amor, em que dois rivais não só aquecem a pista de gelo, como rematam juntos para uma viagem apaixonada, vulnerável e emocionante.
Marta Relvas