Classificação

9.2
Interpretação
8.0
Argumento
9.5
Realização
9.5
Banda Sonora

Atenção, contém spoilers!

This Is Us habituou-nos a episódios de Thanksgiving pouco convencionais, onde o caos e o inesperado se instalam e viram do avesso a dinâmica das tradições tão vincadas da família Pearson. Este ano não fugiu à regra, houve carrossel de emoções e revelações surpreendentes.

Para mim este episódio foi como uma dança em que se trocaram os pares. Depois de várias semanas habituado a ver duplas ou trios a contracenar e a desenvolver a sua química, houve desta feita troca dos personagens que costumamos ver interagir nos últimos tempos. Em vez da dupla maravilha Kevin-Nick, tivemos direito a Randall-Nick, Kevin passou por este episódio lado a lado com Tess, Rebecca teve um episódio muito solitário e marcante, e Beth viu-se entregue ao pobre Miguel que continua sempre a ser o “parente pobre” da equação e teve ainda de respirar fundo e aceitar Shauna debaixo do seu teto,  junto de Deja.

Até talvez mais de metade do episódio confesso que não estava a gostar, a troca de pares não resultou para mim, não estava a adorar a dinâmica de quase nenhum par, talvez com exceção do tio “boa-onda” Kevin a ajudar Tess a superar as dificuldades para se assumir com uma estratégia no mínimo criativa. Também não estava a sentir particular interesse em nenhuma das “jornadas” planeadas para os personagens principais. Ver o declínio de Rebecca, ainda que concorde que permite a Mandy Moore assumir-se cada vez mais como a personagem que mais se transforma e reinventa de época para época, também é alguma que não considero prazeroso.

Em cima de tudo isto, odiei aquela mensagem no telemóvel de Toby. Percebo que Kate não tem sabido lidar com a perda de peso de Toby, não tem sido compreensiva nem justa com ele, mas se a mensagem indicia algum tipo de tentação para traição, coloco-me já do lado de Kate, porque nada o justifica. Espero bem que haja uma boa explicação para aquela mensagem porque Toby é um dos meus personagens preferidos e não gostava nada que o estragassem.

Mas, de repente, houve um momento que dá nome ao título do episódio e que representou para mim o volte-face que me colou ao ecrã, a música de Leonard Cohen “So long, Marienne”. A música é de facto algo poderoso, e quando Nick já se tinha convencido que Jack o esquecera depois do afastamento dos dois por razões já conhecidas, é justamente com esta música e com as palavras de Randall que ele percebe que o irmão nunca deixou de pensar nele e manteve bem presente as memórias que criaram juntos. Nick ganhou o episódio para mim e trouxe mais uma tradição para juntar ao vasto leque de momentos que não podem faltar no Thanksgiving dos Pearsons. Esta, quanto a mim,  bem melhor do que ver a Academia de Policias 3: partilhar dois quilos de camarão em família tal como ele um dia partilhará com o irmão numa altura cuja família dos dois era tudo menos estável e contavam apenas um com outro para fazerem daquele dia, um dia feliz.

E o final é This Is Us a ser This Is Us, a brincar com o encaixe das cenas, a iludir-nos e a plantar suposições nas nossas mentes com Rebecca a chegar à companhia dos filhos, depois de ter estado perdida, a dois momentos diferentes: o Thanksgiving deste episódio e o 40.º aniversário dos três irmãos. Adorei esta cena e com ela, a série consegue suscitar mais um punhado de novas questões para adensar a curiosidade em redor desta família: por que Randall está de relações cortadas com a família? Quanto tempo isso durará? Vimos no final da temporada passada todos juntos, incluindo Randall num momento mais para a frente. Onde estava Toby no aniversário? Estarão Toby e Kate separados? Questões que esperamos ver respondidas no que resta desta quarta temporada.

André Borrego