Classificação

9.7
Interpretação
9.7
Argumento
9.8
Realização
9.6
Banda Sonora

[Contém Spoilers – contém mesmo, se não viram, não se aventurem muito para o final da review!]

Todos os caminhos vão dar a Rebecca num final de temporada que eleva a qualidade da série para níveis que já nos havia habituado no passado. Com uma realização “de orquestra”, o episódio é harmoniosamente composto com Rebecca a garantir o encaixe de cada sequência entre 3 tempos diferentes e This Is Us é novamente bem sucedido a conseguir gerar surpresa e um “carrossel” de emoções ao longo de ciclos que chegam ao fim para dar lugar a novos arcos que se abrem e que estendem a passadeira vermelha para uma 4ª temporada.

Além de ser um episódio “de Rebecca”, foi um episódio onde “o AMOR” venceu… Venceu a diversos níveis e em diferentes formatos – tivemos o amor de Rebecca e Kate com a prova de que as diferenças entre família tão próxima e com laços tão fortes se explicam muitas das vezes por inseguranças e receios, mas que são sempre ultrapassáveis e há muito a ganhar em deitar essas diferenças para trás das costas; venceu porque o bebé Jack continua a ganhar as suas batalhas até estar fora do perigo que foi a sua realidade desde que nasceu em virtude do parto precoce; venceu porque os casais que estavam “debaixo de fogo” fizeram o sacrifício necessário para achar “a porta” para a resolução dos seus problemas – souberam colocar a sua cara-metade acima dos seus próprios desejos e interesses; venceu porque a família esteve mais unida que nunca (com Rebecca a ser o elemento unificador); e venceu porque a sabedoria e inocência da juventude soube dar uma grande lição e mostrar o que os adultos tinham mesmo à sua frente, mas simplesmente não conseguiam ver.

O episódio passou num instante, já não me deliciava com This Is Us deste modo há algumas semanas, talvez até nenhum outro episódio desta temporada me tenha dado essa sensação, pelo menos, não de um modo consistente do primeiro ao último segundo. No passado, a disfuncionalidade da família sem “o seu motor”, as analogias anedóticas e típicas de Jack e união da família, articuladas com a visita-relâmpago familiar no futuro em busca de respostas, passando pelo encontrar de sintonia entre Beth e Randall, a cumplicidade de Rebecca e Kate, a alegria escarrapachada na cara de Kate e Toby e a verdadeira prova de amor dada por Zoe – adorei cada momento. E num episódio onde o amor foi a palavra de ordem, “Friday I’m in love” dos The Cure não podia faltar…

Assim de repente recordo alguns episódios muito bons nesta temporada que nos levaram ao insólito primeiro encontro de Jack e Rebecca, à descoberta de Nick naquela jornada dos irmãos à procura de respostas sobre o passado, um grande episódio de Thanksgiving e o sonho de Toby e Kate que se tornou realidade e que com certeza levou muitos fãs a torcerem por eles e a sofrerem com eles nos momentos em que a situação se avizinhava mais complicada. De um modo geral, acho que esta temporada esteve uns furos abaixo da qualidade que a 1ª e 2ª tinham pautado, mas foi chegando próximo desse expoente a espaços. Também, verdade seja dita que a fasquia estava realmente muito alta, era difícil suplantar a emoção de momentos com tanto impacto quanto os que deixaram marca nas temporadas anteriores.

Algumas personagens evoluíram imenso – Kevin foi para mim quem mais se desenvolveu e as cenas finais falam por si, mas também Deja: se nos lembrarmos na “explosão” emocional de Deja no season finale da temporada passada e na demonstração de maturidade que revelou esta semana. Houve também mais espaço para personagens que não tinham tanto protagonismo como os Pearson, nomeadamente Beth, Miguel e Toby… Sinto que houverem recuos desnecessários e repetitivos (como a recaída de Kevin), percursos demasiadamente forçados, como o “complexar” da relação “perfeita” de Beth e Randall com momentos presentes e passados pouco concordantes com o que conhecíamos até então, realmente enervantes, mas que compreendo a intenção, agora com o quadro completo, servindo o propósito de aumentar a dúvida sobre uma possível separação para tornar a surpresa e a satisfação ainda maiores quando nos convidam a visitá-los numa cena futura, juntos, como sempre e como realmente faz sentido.

Há-que reconhecer o mérito dos argumentistas da série de reinventarem This Is Us, continuando a fazer desta uma excelente série e sobretudo uma extraordinária “contadora de histórias”.

O momento final dá-nos muitas respostas, mas deixa também tantas perguntas no ar:

  • Quem é a mãe do filho de Kevin? Aquele casarão explica-se pelo sucesso da sua carreira?
  • O que aconteceu a Miguel?
  • O que se passa exactamente com Rebecca, só a idade a levar a melhor ou algo mais?
  • Há alguma razão especial para Toby e Kate não terem vindo juntos?

This Is Us consegue encontrar “futuro” no passado, aonde eu adoro sempre voltar e onde há sempre mais momentos para visitar, mas abre realmente as portas para o futuro. E há espaço para uma nova geração, os netos de Rebecca e Jack que com certeza terão muitas histórias para encher o ecrã quando a série regressar e nos levar de novo de viagem pela vida inspiradora e apaixonante desta família que tem tanto com o qual qualquer um se pode identificar.

André Borrego