Classificação

8
Interpretação
6.5
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

A antologia da HBO, In Treatment, está de regresso para a sua quarta temporada, mais de 10 anos depois do seu último episódio, emitido em dezembro de 2010. Conta agora com Uzo Aduba como protagonista, interpretando o papel da Dra. Brooke Lawrence.

Esta série, que já angariou dois Emmys e um Golden Globe, estreou em 2008, com Gabriel Byrne e Dianne Wiest nos papéis principais. Sob um formato muito próprio, In Treatment acompanha um grupo de pessoas nas suas sessões de terapia, sendo que nesta 4.ª temporada acompanharemos a vida de um trio de pacientes.

Confesso que nunca tinha visto nenhum episódio, mas sendo uma antologia e com Uzo no papel principal, decidi espreitar. A primeira coisa que me chamou à atenção foi o formato do episódio: não segue as regras tradicionais de um guião para televisão, focando-se numa só conversa entre terapeuta e paciente, neste caso por videochamada. Com uma duração total de cerca de 30 minutos, temos a sensação de assistir a uma sessão de terapia em tempo real e este é, sem dúvida, o ponto diferenciador da série.

Esta 4.ª temporada de In Treatment acompanha três pacientes, sendo que o primeiro a ser apresentado se trata de Eladio, interpretado por Anthony Ramos (também há fãs de Hamilton por aqui?). O paciente, de origens humildes, está atualmente a trabalhar para uma família rica, como cuidador pessoal do filho mais novo. Está na terapia porque tem tido insónias constantes e procura uma solução que lhe consiga trazer de volta a harmonia de um sono regular. No entanto, a Drª. Brooke não aconselha medicação antes de descobrir a origem das insónias e, assim, é como se o espectador se colocasse na pele da terapeuta para desvendar, a cada semana, mais acerca da vida de Eladio.

Além de conhecermos os pacientes de uma perspetiva muito íntima, vamos lentamente conhecendo também a personalidade da terapeuta. Neste primeiro episódio, já houve pistas do caráter meticuloso de Brooke, quando vemos que a personagem tem a casa organizada de forma rigorosa e usa maquilhagem, roupas e mesmo expressões faciais muito precisas e cautelosas. Parece ser uma personagem que controla todo o seu exterior ao limite, talvez para esconder algo irregular no seu interior. Será interessante explorar também o puzzle que é a Drª. Brooke durante a temporada, principalmente nos seus momentos mais íntimos fora das consultas.

Gostei muito da representação de ambos os atores, pois foram capazes de transmitir com subtileza a complexidade das suas personagens, com todos os seus contratempos interiores. Contudo, o facto de terem de representar sem estarem no mesmo espaço físico fez com que a sua dinâmica não fosse tão convincente como poderia ter sido. Não sei se foi devido às regras de distanciamento da Covid-19 ou se estava mesmo previsto este formato, mas sinto que não resultou muito bem, pois conseguimos sentir uma distância (não apenas física) entre os dois.

Concluindo, considero que vale a pena dar uma vista de olhos a esta 4.ª temporada da série da HBO, In Treatment, que promete uma alta qualidade de representação e imagem. As personagens também têm potencial para se tornarem muito interessantes, mantendo sempre uma camada de mistério que nos convida a continuar a assistir para desvendar mais.

Já espreitaste esta nova temporada? Conta-nos o que achaste nos comentários.

Os episódios estão disponíveis semanalmente na HBO Portugal.

Ana Oliveira