Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

[Esta review não contém spoilers]

O mês de agosto é meio parado em termos de séries. As séries de verão são sempre lançadas em junho ou julho e na rentrée de setembro é que entram as grandes estreias dos vários canais ou serviços de streaming. Portanto quando foi para escolher as séries do mês nem liguei muito aos temas porque agosto é mês de férias e com a Covid-19 entre nós pensei que tivesse afetado bastantes as séries a estrear nos meses de verão. Estava com um feeling de que a produção ia ser fracota em geral, mas este piloto de Lovecraft Country foi uma exceção.

Deixem-me que vos diga que a nova série da HBO deixou-me absolutamente de boca aberta e estranhamente surpreendida pela qualidade e por todos os momentos “WTF” que tive ao longo de 65 minutos de episódio. Mas isso aconteceu pura e simplesmente porque eu vim mesmo à surpresa ver a série. Não pesquisei a temática e só sabia que tinha a atriz Jurnee Smollett (irmã de Jussie Smollett de Empire).

Antes de mais, comecemos por explicar o título porque à primeira vista não parece ter nada a ver com nada. Pensava eu, claro. Perdoem a minha ignorância. Howard Philips Lovecraft (mais conhecido por H.P. Lovecraft) foi um poeta e escritor norte-americano que escrevia terror, fantasia e ficção científica. Era também um homem extremamente racista, coisa que deixou transparecer em vários poemas ao longo da sua carreira.

A história passa-se nos anos 50, numa altura em que a segregação racial nos Estados Unidos estava no seu auge, com as leis de Jim Crow. E apesar de a segregação racial ter sido banida no país, o racismo é algo que, infelizmente, ainda está muito presente, tanto nos EUA como no mundo. O assassinato de George Floyd, sufocado por um oficial da polícia em Minneapolis trouxe o movimento Black Lives Matter às bocas do mundo novamente. O racismo ainda existe, sim, infelizmente. Portanto imaginam o quão “adequado” é uma série destas no mundo de hoje.

Voltando à série. Quando vi os primeiros minutos pensei que a série era de ficção científica, depois quando os personagens nos são introduzidos, Atticus ‘Tic’ (um veterano negro que combateu na guerra da Coreia), Letitia (uma amiga de infância) e George (tio de Tic) pensei que fosse uma série sobre racismo e segregação durante essa época (que, parece-me, tinha Dwight D. Eisenhower na Casa Branca e que se opunha à segregação). Estava errada. Não a 100%, claro.

O trio inicia uma viagem em busca do pai de Tic, com quem ele tem uma relação, no mínimo, tensa. Ele foi em busca dos antepassados da mãe de Tic algures no Massachusetts. No caminho, montados num carro super catita e que me dá vontade de comprar para mim, encontram toda uma espécie de terrores. Foi aqui que eu disse muitas asneiras, tal foi a surpresa. O Lovecraft Country do título vem do racismo do autor e das suas obras. Temos monstros e naves espaciais nesta coisa! Juro que era a última coisa de que estava à espera. Os monstros aparecem já mais para o fim do episódio, daí achar que a série cobria apenas a segregação racial americana, mas leva a coisa a todo um outro nível quando mete mesmo terror com monstros de vários olhos. Muito emocionante e breathtaking.

Sundown, o episódio piloto, é, como já mencionei, bastante longo. Torço sempre o nariz quando vejo um piloto de uma hora ou mais. Quando vi que o primeiro episódio de Fringe tinha quase uma hora e meia ia tendo um fanico. Contudo, tirando um início de episódio mais lento e um tanto confuso tudo muda quando eles se metem na estrada e as aventuras começam. Desde que eles foram perseguidos por estarem num restaurante… Ufa, nunca mais parou até ao fim do episódio! E aquilo acaba com um cliffhanger, agora pensem!

Não sejam como eu e vejam primeiro o trailer da série para estarem mais alertados. Lovecraft Country está disponível na HBO Portugal e é emitida semanalmente. A novos subscritores, a plataforma oferece os primeiros 14 dias grátis.

Maria Sofia Santos