Classificação

6.5
Interpretação
5
Argumento
6
Realização
4
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Todxs Nós é uma nova aposta brasileira da HBO na temática LGBTQ+, que tem estado cada vez mais presente nas séries e no cinema. Esta nova proposta brasileira pretende combater clichés, porém, pelo menos no primeiro episódio, é o que não falta. O tema não é novo para Vera Egito, argumentista da série, nem para Daniel Ribeiro que trabalha aqui como realizador. Mas o que posso dizer? Não me convenceu.

A história de Todxs Nós começa quando Rafa (Clara Gallo) chega de surpresa a São Paulo para morar com o primo Vini (Kelner Macêdo) e Maia (Juliana Gerais). Rafa fugiu de casa, situada no interior, depois de uma discussão com os pais, para morar na cidade, procurando ser mais livre e tenta até trabalhar como tatuador.

Rafa é uma pessoa não binária, porque não se identifica exclusivamente com o género masculino ou feminino além de ser também pansexual, com atração sexual ou romântica por ambos os sexos. Dessa forma não se apresenta como prima mas sim como prime.

O primo de Rafa é homossexual, tem ensaios de teatro e trabalha num restaurante. Tem uma relação que é aprovada pela mãe. Por fim, Maia é defensora de direitos iguais, é feminista e vê-se confrontada com um problema quando a sua empresa de táxis se vê envolvida numa denúncia de violação por parte de um motorista.

Estas são as três personagens principais. As interpretações são medianas apesar de não ter desgostado do trio principal. Os diálogos em muitos momentos demasiado lentos e parados, talvez de forma propositada mas em nada ajuda à fluidez que deveria ser natural. A banda sonora é raramente usada quando até poderia ter dado mais vida a algumas das cenas. A decoração do apartamento e guarda-roupa são, provavelmente, aspetos a destacar pelo lado positivo.

A série, apesar de alguns momentos que se tenta apelar às piadas, encaixa-se no género de drama mas não traz nada de novo ao que outras que passaram pelos nossos olhos nos mostraram. Destaco apenas uma cena no final em que os três definem conceitos LGBTQ+ com os quais, se calhar, nem toda a gente é familiarizada.

Se Todxs Nós não subir de intensidade nos próximos episódios vai cair facilmente no esquecimento e, provavelmente, terá dificuldades em passar dos oito episódios da 1.ª temporada.

Bruno Pereira