Classificação

9
Interpretação
9
Argumento
8.5
Realização
8.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Mrs. America, que estreou no passado dia 15 no FX on Hulu e chegou ontem, dia 17, à HBO Portugal, retrata a história verídica, durante os anos 70, de um movimento para ratificar a Equal Rights Amendment (ERA), enquanto uma mulher conservadora, Phyllis Schlafly (Cate Blanchett) se opõe veemente a este. Posto isto, a minissérie de nove episódios criada por Dahvi Waller, vai contrapor vários pontos de vista, desde os mais favoráveis ao movimento até aos mais desfavoráveis, mostrando, dessa forma, como é que este movimento foi importante não só na mudança de panorama político, mas também social.

As minhas expectativas para esta série estavam bastante altas, tendo por base não só a temática que esta aborda, mas também o elenco escolhido, que conta com nomes, de entre outros, como James Marsden (Westworld), Jeanne Tripplehorn (Criminal Minds), Elizabeth Banks (The Hunger Games) e Uzo Aduba (Orange Is The New Black).

Contudo, tenho que ser sincera e confessar que durante a primeira parte do episódio estava a ficar ligeiramente preocupada porque estava a ser tudo muito parado e envolto em política. No entanto, após acabar o episódio e analisá-lo como um todo, penso que foi necessário essa primeira parte mais lenta para dar um maior contexto à história, especialmente com relação à vida de Phyllis, a personagem que dá nome ao episódio.

Assim que se começa a abordar mais especificamente o tema da emenda e da igualdade de direitos independentemente do género, o episódio começa a ganhar outro ritmo e quando damos por nós este já acabou, e o que nos vem à cabeça é a ideia de que queremos continuar a ver mais e mais.

O foco em Phyllis, neste episódio, tornou tudo ainda mais interessante dado o ponto de vista desfavorável que ela apresenta relativamente à emenda, levando-nos a pensar que atitudes é que ela vai tomar, deixando-nos assim curiosos em relação ao que se irá desenrolar nos seguintes episódios. Quando Phyllis faz um discurso para outras mulheres e começa a apresentar uma lista dos motivos pelos quais a emenda não deve ser ratificada foi o momento que me levou a pensar que definitivamente iria ver a série até ao fim.

Posto isto, considero definitivamente que vale a pena a visualização da série, ou pelo menos que vale a pena dar uma oportunidade a este primeiro episódio, pois sem dúvida vamos ser desafiados pelos vários pontos de vista que vão ser apresentados, ainda para mais quando ainda é um tema que se debate tanto na sociedade atualmente. Este facto relembra-me que devemos ter em mente, durante a visualização da série, que dado o ano em que decorre a história retratada a mentalidade era outra e que por mais que não concordemos com algum argumento ou atitude devemos ter em atenção esse contexto, o que acaba por tornar tudo ainda mais interessante.

Cármen Silva