Classificação

6.5
Interpretação
6.5
Argumento
6
Realização
5
Banda Sonora

Tiuri (Amir Wilson), um cavaleiro noviço com muito a provar, concede ajuda a um estranho que lhe entrega uma missiva destinada ao Rei. Na sua demanda pelos três reino, Tiuri arrisca a própria vida para escapar aos seus perseguidores e cumprir o que lhe foi pedido.

Um pouco ao estilo das lendas arturianas, The Letter for the King apresenta-nos um mundo medieval e mágico em que lendas e profecias são realidades. Neste mundo, Tiuri surge como um herói relutante e pouco preparado para os desafios que aí vêm. Um herói há muito profetizado que irá salvar os três reinos e trazer-lhe ordem e justiça. Uma tarefa grande demais para o rapaz pequeno e assustado que nos é apresentado. É isso, mais do que a clara conspiração que se desenrola à nossa frente, ou a batalha que começa aqui e que promete desenrolar-se durante o resto da temporada, que me agrada nesta série. É essa diferença gigantesca entre este rapaz e a tarefa que lhe é profetizada. Não que seja uma coisa nova, mas como diz o outro, “I’m a sucker for an underdog”. Não há nada que me chame à atenção tão depressa como uma personagem que pareça mais pequena e indefesa do que a tarefa que tem à frente.

Talvez aqui jogue também a favor da série a relativa inexperiência dos jovens atores (sendo que relativa é a palavra-chave). Todos eles parecem enquadrar-se com as personagens de uma maneira muito natural que os impede de se encherem da grandiosidade das personagens de uma forma egocêntrica e exibicionista. É o que permite a Wilson, na pele de Tiuri, ser um foco de pura honra, um verdadeiro cavaleiro, sem se tornar cansativo e moralista. Também as personagens que o rodeiam têm esse encanto. Lavania (Ruby Ashbourne Serkis), sagaz e prática, é o tipo de personagem em que sabemos que podemos confiar, apesar de tudo apontar em contrário. Os noviços que Tiuri abandonou, Iona (Thaddea Graham), Foldo (Jack Barton), Jussipo (Jonah Lees) e Arman (Islam Bouakkaz) revelam-se desde o início mais complexos do que o esperado, mais reais, e prometem desde cedo surpreender-nos. E o próprio enredo, à medida que se desenrola, parece conter uma grandiosidade que só mantém a credibilidade por ser sustentada por atores que são, à falta de melhor expressão, incrivelmente genuínos. Acima de tudo, esta série tem a seu favor um maravilhoso trabalho de casting que sustenta e eleva o enredo e as personagens.

Para os fãs da Lenda do Rei Artur, ou para quem ainda está a ressacar do final de Game of Thrones ou de épicos como O Senhor dos Anéis, fica aqui uma alternativa que, não tendo o apelo dos títulos anteriores, é ainda assim uma boa aposta.

Raquel David