Classificação

9
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Andava a desesperar pela estreia da HBO em parceria com a BBC. Vi o filme há uns anos – A Bússola Dourada – e odiei. Os livros andam à espera que os leia no meu kindle há anos. A verdade é que o filme foi tão mau que fiquei sem vontade nenhuma de ler a trilogia. Sim, eu sei que Philip Pullman ganhou mil prémios pela obra, mas pronto. Pode ser que a série me fascine e me dê estaleca para começar.

A série tem todos os elementos para ser um sucesso. Para começar, tem como base uma história aclamada pela crítica e considerada das obras mais importantes da literatura infantil, depois vem da HBO que tem uma data de séries bem sucedidas ao longo dos anos (excluindo claro a oitava temporada de Game of Thrones) e um elenco de peso.

Bom, His Dark Materials passa-se no nosso mundo… mas só que não. É um mundo em que os humanos possuem daemons, animais que têm alma humana. Até as crianças atingirem a puberdade, os daemons vão mudando de forma animal a seu belo prazer.

Pan é o daemon de Lyra, uma menina de 12 anos e a grande protagonista desta história. A adorável Dafne Keen (que muitos conhecem de Logan) dá vida a Lyra e deixem-me dizer que não desilude. Das falhas que o episódio piloto possa ter não foram culpa da jovem, que coitada viu-se a passar por imensos acontecimentos num só episódio. A menina foi entregue pelo tio a um Master em Jordan College, Oxford. (Confesso que tenho de dar nota 10 aos cenários. A Universidade de Oxford é realmente um local lindo que trouxe um encanto diferente ao episódio piloto.) O tio trabalha no norte e ela poucas vezes o vê.

James McAvoy dá vida ao tio Asriel, que faz uma descoberta que quase lhe custou a vida e vai colocar o mundo de pernas para o ar. O personagem tem muito que se lhe diga mas não esteve muito tempo em cena e não de maneira a gostarmos dele. Por muito interessante que seja dava vontade de lhe dar umas bofetadas. No entanto, para mim a verdadeira rainha de Lyra’s Jordan foi Ruth Wilson. A atriz brilhava como uma estrela em The Affair e aqui não lhe fica nada atrás, fazendo-me esquecer que existem outros personagens na série. Ela apareceu pouco mas o suficiente para não me ficar pelo primeiro episódio.

Não me interpretem mal, eu gostei do episódio. Mas não adorei. Tanto que tive de o ver por três vezes. Só há três razões pelas quais não veja um episódio de seguida. Ou estou sem tempo, sem internet ou porque estou aborrecida. Neste caso foi a terceira. Aborrecida não pela série, mas mais exasperada por não explicarem. Vi o episódio acompanhada e o meu parceiro desistiu a meio porque estava confuso e a série não lhe dava o suficiente para se manter interessado. Claro que nos pilotos temos só uma introdução e um adoçar de curiosidade. Mas um bocado de contexto é necessário, é bem vindo. Houve demasiado mistério, muita história que não esclareceu o suficiente. O final foi mais esclarecedor e animou-me mais para os próximos episódios.

Estou muito curiosa em relação ao futuro de Lyra, da traição que falam. De saber realmente o que há de tão importante e especial nela. De descobrir o que aconteceu com os meninos e saber se isso tem a ver com o governo deveras tirano que parece haver. E de Marisa Coulter. Ela parece demasiado querida e, porém, os mestres em Oxford não parecem confiar nela. Não para Lyra lhes contar da bússola que lhes ofereceram. E o que é que aquilo faz mesmo?

No entanto, não posso ficar um pouco desiludida que uma história com animais falantes, uma misteriosa substância, mundos paralelos e cenários como Oxford não me tenha prendido a atenção desde o início. Eu desde há muito que sou muito seletiva e esquisita com séries, mas aqui vou insistir e até sou mulher de ver a primeira temporada toda. Acompanham-me?

Maria Sofia Santos