Classificação

6
Interpretação
6
Argumento
5
Realização
6
Banda Sonora

Depois de um escândalo com a clínica de fertilidade do pai, Julia Bechley (Brittany Snow) vê a sua vida virada do avesso. Para além de ter de lidar com as repercussões de estar associada às ações do pai, que doou o seu próprio esperma e inseminou dezenas de mulheres, tem ainda de aprender a lidar com duas das suas recém-descobertas irmãs e arranjar uma forma de fazer esta nova família resultar.

À primeira vista, para além de profundamente confuso, o enredo desta série parece extremamente improvável. Prestando mais atenção a todo o contexto, este enredo torna-se progressivamente mais problemático e definitivamente mais complicado de maneiras que a própria série não explora. Poderia apontar isto como uma falha, mas prefiro acreditar que foi propositado e, honestamente, extremamente inteligente. Isto porque Almost Family não é esse tipo de série. Se procuram uma série com uma complexidade moral interessante e uma profundidade emocional complicada, então esta série não é para vocês. No entanto, se têm interesse numa série emocional, mas divertida, com os momentos dramáticos pontuados por momentos de humor (por vezes desnecessário, mas muito humano), então não procurem mais.

O que Almost Family é, acima de tudo, é uma série sobre família. Uma família pouco convencional e criada de uma forma moralmente dúbia, mas ainda assim, uma família. Uma família que não se conhece, mas que se vê inegavelmente conectada, uma família que ainda não se ama, que não sabe como agir perante a situação em que se encontra, mas que se apercebe que só junta pode enfrentar o futuro e, como tal, decide ficar junta e se constrói diariamente com base nessa decisão. No fundo, são três mulheres com nada, senão a genética de um homem manipulador em comum, que se unem para enfrentar o dia a dia e que encontram força, amor e apoio nessa união. a.k.a., como dizem os nossos amigos americanos, uma família.

No papel central (visto que o protagonismo está bastante bem distribuído) temos Julia Bechley (Snow), uma jovem bondosa e lutadora que, apesar das tentativas de manipulação do pai, persiste em fazer o mais correto ainda que isso lhe custe a reputação. Depois temos Edie Palmer (Megalyn Echikunwoke), uma persistente e combativa advogada cujo maior desejo é o de ter uma família normal, e Roxy Doyle (Emily Osmet), uma child star com um problema de drogas de quem os pais se têm aproveitado até agora e que, mais uma vez, anseia por uma família. As vidas das três acabam por convergir, no rescaldo do escândalo que revelou a sua relação genética e numa altura em que as suas vidas pessoais estão à beira de se desmoronar e terão de encontrar uma maneira de lidar com tudo isto em conjunto.

Não sendo isto nada de novo, a série poderia ficar por aqui e ainda é possível que fique. No entanto, perante a interação destas três atrizes, a generosidade de Snow, a garra de Echikunwoke e a coragem de Osmett (que tem um momento muito comovente, que tem mesmo de ser visto, num carro, enquanto canta a capella), que interpreta aqui um papel com o potencial de se tornar muito pessoal, quero acreditar que esta série não nos vai desapontar. Para já, foi um despejar de informação, a criação de um mundo e o estabelecimento das personagens que iremos ver de futuro, mas acredito que esta série ainda vai dar que falar.

Para os fãs de dramas familiares, de personagens humanas e de séries que vão muito bem com tardes de domingo e uma bebida quente, Almost Family parece-me a aposta certa. E tu? Pronto para fazer parte desta (quase) família?

Raquel David