Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

Marie Adler (Kaitlyn Dever) é uma adolescente de 18 anos que é acusada de ter mentido sobre a sua violação. Baseada na sua história e na história das duas detectives (Tony Collette, Merritt Wever) que se recusaram a desistir do seu caso, Unbelievable é uma série sobre factos reais em que ninguém acreditou.

Inacreditável. Uma tradução muito simples de um título que resume de tal forma esta série que seria irónico se a situação tivesse piada. Inacreditável é de facto a melhor palavra para descrever os eventos que nos são apresentados. Não há momento neste primeiro episódio, apesar de já estarmos de pré-aviso sobre o que vai acontecer, que não nos frustre infinitamente. O tratamento de Marie e do seu caso é de tal forma desleixado que seria o suficiente para carregar esta série. A maneira como os detetives encarregues agem, como se não houvesse nada mais banal do que inventar uma violação para chamar à atenção, como se o único incómodo fosse que estão a perder tempo que poderiam estar a utilizar noutro caso, e a maneira como acabam por se voltar contra Marie quando ela tenta manter a sua história seria o suficiente para justificar a necessidade de contar esta história.

No entanto, Unbelievable consegue ir mais longe. Apoiada na performance intrincada e profundamente comovente de Kaitlyn Dever, esta série mostra-nos a angústia de uma vítima em quem ninguém acredita. Uma jovem que não tem em quem se apoiar, a quem as pessoas que lhe são mais próximas viram as costas e que parece ter o mundo contra ela. Uma jovem que acaba por assumir a culpa de uma mentira que não contou porque lhe parece mais fácil, mais viável, mais honesto, do que manter a verdade. Uma jovem que, ela própria, se vê forçada a questionar.

Kaytlin Dever, que manteve até recentemente o seu papel recorrente em Last Man Standing, mas que será talvez mais facilmente reconhecida pelo seu belíssimo desempenho em Booksmart, dá novamente provas do seu enorme talento ao dar vida a Marie. A sua performance, que acompanha brilhantemente o comportamento errático de Marie, nunca deixa de ser genuína. A verdade que vemos em Dever transparece de tal forma que nunca nos ocorre duvidar do seu testemunho. A dor, o choque, a confusão e a pressão que Marie Adler sofre transparecem de tal forma que a acompanhamos fielmente, por vezes acreditando mais nela do que ela parece acreditar em si própria.

A única falha, diria eu, deste primeiro episódio, é não nos introduzir já às personagens de Collette e Wever. Estas duas brilhantes atrizes, que terão papéis chave nesta série e cujas performances, dado o contexto, se adivinham muito prometedoras, não são ainda apresentadas ficando nós a sentir que há algo que ficou a faltar. No entanto, esta ausência causa em nós uma necessidade tal de seguir para o próximo episódio que talvez seja mesmo do que a série precisa.

Unbelievable é portanto uma série comovente e extraordinariamente frustrante, que nos agarra do início ao fim. Aviso, no entanto, que poderá não ser uma série para todos. Os assuntos tratados são pesados e muitos fortes, e algumas das cenas poderão ser um tanto ou quanto chocantes. Toda a série me parece feita com muita seriedade e respeito, mas a própria produção deixa o aviso, no início do episódio, de que algumas cenas poderão ser explícitas. Uma série a ver com algum cuidado e com calma, mas que vale definitivamente a pena. Com o devido aviso, uma série que aconselho vivamente!

Raquel David