Classificação

8.6
Interpretação
7
Argumento
8.2
Realização
6
Banda Sonora

Com um elenco de peso e uma premissa interessante, Code Black é viciante desde o início ao fim do primeiro episódio. O novo drama da CBS, criado por Michael Seitzman, estreou nesta quarta-feira e é uma adaptação do documentário com o mesmo nome, de Ryan McGarry, e conta a história de um grupo de médicos que trabalha no serviço de urgência do LA County Hospital.

A melhor maneira de descrever Code Black é puro caos a um ritmo intenso, num ambiente de grande stress, constante pressão e miséria, onde o número de pacientes a precisar de atendimento de emergência ultrapassa por vezes, em muito, a quantidade de recursos para os assistir. Essa situação é chamada de Code Black, e previsivelmente, o episódio tem um. De acordo com o piloto, esta situação acontece cinco vezes por ano, na maioria dos hospitais. Neste hospital em particular, é quase uma ocorrência diária.

Este elenco é liderado pela fantástica Marcia Gay Harden (The Newsroom, Trophy Wife) que merece bem o seu estatuto de líder. Ela interpreta Leane Rorish, uma médica residente no LA County Hospital que governa com mãos de ferro e tem um passado trágico (é claro) que a colocou no caminho em que se encontra. O Dr. Neal Hudson (Rafa Jaffrey, que teve uma passagem memorável na quinta temporada de Homeland), é o médico que todos os pacientes querem e que, por ver o quanto Rorish mudou, por vezes questiona a sua abordagem. Luis Guzman (Narcos), no papel de Jess Sallander, faz a sua aparição como enfermeiro e eleva a fasquia de Code Black para um patamar de excelência.

Este trio faz um sólido núcleo na série e guia os recém-chegados residentes no seu primeiro dia no serviço de urgências. Temos ainda Bonnie Somerville como Christa, cuja idade foi um ponto de mudança e mais tarde aprendemos que perdeu um filho; Benjamin Hollingsworth como Mario, um ex-viciado em drogas; Harry M. Ford como Angus, que nem sequer queria ser médico, e Melanie Chandra como Malaya, a mais talentosa e inteligente do grupo, mas simpática, mesmo sendo do tipo que sabe tudo.

Por definição, Code Black terá de se focar em vários casos para induzir ansiedade e tensão a cada semana e conseguir passar aos telespectadores o ambiente no serviço de urgência daquele hospital. No piloto tivemos: uma vítima de um disparo com arma de fogo; uma vítima de acidente de carro com morte cerebral; um homem idoso que sofreu um derrame; um toxicodependente com uma lesão na cabeça; um jovem com um colapso pulmonar; um rapaz com uma perna partida e uma mulher grávida com intoxicação por monóxido de carbono. Mas será a série capaz de manter o nível de tensão e intensidade todas as semanas? Mais importante, como irá conseguir que os espectadores se preocupem e se cativem com os personagens, isto, é dar-lhes tempo e espaço para crescer? Irá abordar alguns dos temas que foram focados anteriormente no documentário? O excessivo tempo em lista de espera e a necessidade de mandar embora pacientes? Claro que poderá e deverá fazer, porque a margem de manobra até é grande.

Code Black é a série dramática perfeita para a CBS: é intensa, tem grandes performances, um excelente realismo e no fim do episódio piloto estamos viciados. Consegui capturar bem o stress e o sofrimento do serviço de urgência, que é bem caracterizado, embora tenha por vezes exagerado nos diálogos algo clichés para enfatizar o dramatismo. O maior desafio poderá estar em manter a dinâmica acelerada, mas que também poderá ser um trunfo, se explorarem os personagens e agarrarem o telespectador aos mesmas. Outra incógnita, embora tenham tudo para o fazer, será se a série conseguirá distanciar-se das restantes séries que retratam estes dramas médicos!

Fernando Augusto