One-liner: um assassinato de um jovem em Modesto, na Califórnia, e a violação da sua mulher leva-nos a uma série de outras histórias paralelas, embora todas ligadas umas às outras, onde o mundo da droga e dos gangues impera, enquanto se procura o culpado.

[Contém spoilers]

Ainda antes de ter visto o episódio já me tinha deparado com boas críticas em relação à estreia, ao facto de serem abordadas questões raciais, tema bastante sensível nos Estados Unidos. É bom que as séries tenham temas polémicos que valham a pena discutir, que nos façam refletir, num pequeno passo face à evolução. Antes de me centrar no episódio propriamente dito quero salientar que o país idealista que proclama o sonho americano é o mesmo que no séc. XIX ainda fazia da escravatura uma prática constante e que na segunda metade do século XX se debateu com graves problemas de racismo que, aliás, continuam a existir em grande medida atualmente. Para ser o mais isenta possível nesta review não explicitarei quem é hispânico, caucasiano ou afro-americano.

Tudo começa quando Russ é acordado a meio da noite por um telefonema que traz notícias trágicas. Este homem, que é pai, é chamado a ir identificar aquele que pode ser o corpo do seu filho. Confirma-se. O jovem foi morto em casa, naquilo que parece ser um roubo, mas a polícia não quer descartar outras hipóteses para já. Além do morto há outra vítima, Gwen, a esposa, que está em estado crítico e apresenta sinais de violação.

A partir daí somos transportados para várias outras histórias, algumas que ao início parecem não ter ligação ao crime, outras que estão claramente associadas ao que aconteceu. Aos poucos, como é óbvio, percebemos que está tudo interligado. Movimentações de gangue, o submundo da droga, um tipo tatuado que faz compras com os cartões multibanco do rapaz assassinado.

Um miúdo que não deve ter mais de dezasseis anos teve a esperteza (ironia) de emprestar o carro do pai a um tipo para dar umas voltas, a troco de dinheiro. O miúdo parece bastante ingénuo, mas tanta ingenuidade roça a estupidez. Ele achava que queriam o carro para quê? Para irem ao supermercado fazer as compras do mês? Queriam apenas um carro que não estivesse associado a eles para fazerem trabalhinho sujo. O puto acaba preso e o pai está muito zangado porque sempre o ensinou a fazer as coisas da maneira certa.

Depois há ainda um casal de drogados sempre desesperado pela próxima dose. A rapariga está disposta a fazer sexo oral (e não só, provavelmente) para sustentar o vício, o namorado não quer, mas quer a droga de tal forma que por quarenta dólares é capaz de apontar a arma a outro tipo.

Os pais do jovem assassinado querem descobrir o que aconteceu ao filho e Barb parece muito determinada em que aconteça rapidamente, o tipo de mulher que parece ser capaz de fazer o que é preciso, uma mulher preconceituosa, zangada com a vida, com o ex-marido e orgulhosa do filho agora morto. Filho esse que parece não ser tão certinho como se pensava.

Aquilo que ao início podia parecer um roubo que correu mal, um assassinato um bocado ao calhas, parece agora ser mais uma questão pessoal ou de negócios que correu mal, resta saber em que medida.

É feito o suficiente para me prender a atenção durante o episódio e tentar perceber as conexões entre todos os personagens, mas não é o suficiente para me deixar ansiosa pelo próximo.

Nota: 7/10

Diana Sampaio.