Classificação

9
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
7
Banda Sonora

Michael Douglas e Alan Arkin a contracenar juntos, é preciso dizer mais alguma coisa para que vejam a série?

The Kominsky Method estreou na sexta-feira passada e chega-nos através da plataforma de streaming da Netflix. De Chuck Lorre, que tão bem nos habituou a sitcoms de renome como The Big Bang Theory, Two and a Half Men, Mike & Molly, Dharma & Greg, entre tantas outras. The Kominsky Method aborda temas tão sérios como a velhice e a morte, através de uma comédia natural e bonita.

Sandy Kominsky (Douglas), actor reformado, dedica-se agora ao coaching de representação, sem nunca desmontar do seu ar de eterno galã, algo que eu creio que lhe está tão entranhado, que o homem há-de chegar à idade do seu pai e continuar assim. Estamos tão acostumados a vê-lo em papeis dramáticos e sérios, no entanto não nos surpreende na comédia, dada a sua enorme capacidade, adapta-se a qualquer situação.

Sem nunca descurar da sua fama de engatatão, Sandy continua a ter sucesso entre as mulheres, apontado pelos amigos de só escolher as mais novas, eis que lhe surge Lisa (Nancy TravisLast Man Standing), sua aluna e mulher de meia idade que o leva a quebrar o hábito. Sandy blinda-se de um egocentrismo, mas para mascarar a dor, quando toca a ter que lidar com situações de desgaste emocional, como o de visitar amigos doentes e moribundos, e quiçá lembrá-lo que ele próprio já poderá estar próximo do fim.

Norman (Alan Arkin), agente e melhor amigo de Sandy, dono de um humor lascivo atravessa um momento menos bom da sua vida com o falecimento da sua esposa, ambos os amigos apoiam-se mutuamente, ainda que estejam constantemente a embirrar um com o outro, algo que advém com o avançar da idade.

A premissa da serie aborda o tema da terceira idade e a mortalidade, algo a que não estamos tão habituados a ver, mas que aqui resulta genialmente. Apesar das agruras da vida e da dura realidade, a escrita da serie é tão leve que desejamos que os episódios nunca acabem. Com a sensibilidade que lhe é necessária, quando se trata destes temas, não se torna maçadora, aborda temáticas tão penosas mas deixa-nos com um sorriso.

A dupla Douglas e Arkin é fantástica, a interpretação de ambos é qualquer coisa de espetacular e devia ser obrigatória ver.

As transições entre um humor inteligente e o drama são tão naturais, que damos por nós a rir e a chorar ao mesmo tempo, sim isto aconteceu-me. Vale muito a pena ver!

Ana Galego Santos