Já ouviram falar do termo “serendipidade”? Provavelmente não… Trata-se do ato de descobrir algo acidentalmente e que isso acaba por se tornar uma surpresa bastante agradável! Foi isso que aconteceu comigo… Durante a distribuição das reviews dos pilotos das séries que estão a estrear, nenhum dos colegas mostrou disponibilidade para tratar de Outlander… Como é uma série que junta história, aventura e drama com uma pitada de fantasia eu decidi arriscar! E acreditem, foi um dos pilotos mais agradáveis que assisti nos últimos tempos.

Cuidado… Os kilts podem esconder spoilers!

Em linhas gerais, Outlander narra a história da enfermeira Claire Randall que em 1945 viaja para a Escócia com o marido, de forma a recuperar a cumplicidade que tinham antes da Segunda Grande Guerra… Todavia, ela misteriosamente recua no tempo para o ano de 1743!

Claire foi enfermeira na Segunda Guerra Mundial… Pela breve cena que nos foi mostrada, ela é uma mulher forte, decidida e sabe o que quer! Mesmo perante as adversidades ela não desiste… Consegue salvar a vida de um jovem soldado que perderá uma perna… Chega o médico e ela afasta-se… Ouve um barulho vindo da rua e melhor notícia não poderia ser: a guerra terminou!

Ao longo de todo o episódio é a voz de Claire que vai fazendo uma narração perfeita que nos ajuda a perceber e contextualizar tudo o que vai acontecendo. Após alguns meses do findar da guerra, ela e Frank vão até Inverness… A pequena vila, além de muito acolhedora e sendo um local de gentes muito simpáticas, tem uma mística muito interessante… As lendas celtas percorrem todas as ruas e bosques daquela pacata localidade.

A viagem a Inverness não foi ao acaso… Frank é professor de história e, durante a guerra, tinha um cargo relacionado com estratégia e espionagem. Foram vários os homens que morreram ao seu serviço. Para tentar esquecer esse passado sombrio, Frank está muito interessado na genealogia da família… Supostamente, o seu antepassado Jonathan Randall exerceu funções militares naquele local. Para acompanhar o marido, e também para esquecer a sua passagem pela guerra, Claire tem a botânica como hobby, sobretudo o estudo e a aplicação das plantas em situações terapêuticas.

A passagem de ambos por Inverness tem sido muito agradável… Conhecem alguns monumentos, têm muito sexo e Frank pode ler documentação sobre os seus antepassados! Claire ainda tem direito a que lhe leiam o destino em folhas de chá e através da sua peculiar palma da mão! E não é que bate tudo certinho? Mas ela ainda não sabe o que lhe está prestes a acontecer. Os dois levantam-se de madrugada para irem ver um ritual secreto de druidas! Foi uma cena fantástica! Claire sente algo de errado… Algo no seu íntimo lhe diz que ela não deveria estar naquele local! Já na pequena albergaria ela diz ao marido que voltará ao local do ritual para colher umas flores… Assim que as recolhe, um ruído forte sai do menir central daquele monumento megalítico! Ela toca-lhe, cai… E acorda em 1743!

Corre desorientada… A determinada altura vê soldados britânicos… Pensa que está a ter um pesadelo, ou que está no meio das gravações de um filme histórico! E não é que encontra o antepassado do seu marido, Jonnathan, que é do pior! Quase a mata e viola! Felizmente aparece um highlander que a salva e leva consigo. A série é tão rica que a narração de Claire até faz menção ao fedor do ser salvador! Já no abrigo, ela ajuda Jamie pondo-lhe o braço novamente no lugar…

Aqui começa a jornada deste grupo de highlanders por sinuosos caminhos repletos de emboscadas do exército inglês até ao Castelo Leoch… Ainda dois dias antes, Claire havia estado com o marido (onde ele lhe fez sexo oral) nas ruínas daquele lugar fantástico.

Por aqui terminou um episódio piloto que fez a apresentação e contextualização não só dos personagens como dos locais de forma muito rica e harmoniosa. A banda sonora é deliciosa, o elenco muito bom e o genérico é algo de outro mundo… Mesmo que decidam não assistir a esta série, vejam apenas o genérico, vale mesmo a pena! O enredo está bem desenvolvido e é muito rico (sem se tornar enfadonho)… Os cenários são perfeitos e os factos históricos são apresentados com exatidão e leveza. Embora tenha visto o episódio apenas para poder fazer esta review, Outlander ganhou em mim um fiel seguidor.

Poderia lançar aqui as imensas questões que costumo apresentar, mas julgo que não valerá a pena (já que dificilmente a review de Outlander se tornará permanente no nosso cantinho). No entanto, é impossível contornar a questão: como e porquê Claire foi levada para o passado? Ainda não sabemos, mas irei ver todos os episódios com atenção para descobrir tudo aquilo a que tenho direito.

Nota: 10/10 (não consegui encontrar um único defeito ou facto que não gostasse)

Rui André Pereira