Grace and Frankie já estava na minha watch list há muito tempo, só que as seis temporadas já disponíveis intimidavam-me um bocado, visto representarem um compromisso grande com a série, mas depois de começar não consegui parar. Terminei tudo em menos de três semanas e já estou ansiosa pelo resto da temporada final, que espero que seja tão boa quanto as anteriores. Queres uma série boa para fazer maratona? Então continua a ler e deixa-te convencer por estas sete razões para ver Grace and Frankie!

[Não contém spoilers]

1 – Mulheres de 70 anos no centro da trama e com direito a histórias relevantes

Com toda a honestidade, pode dizer-se que Hollywood tem um problema com as pessoas a partir de uma certa idade. Numa indústria que vive da imagem, a juventude, a beleza e os corpos em forma são a norma e não se foge muito a isso. É claro que eu consigo lembrar-me de umas quantas personagens femininas na casa dos 70 anos, mas as mulheres dessa idade costumam interpretar papéis de avós, sem ter muita identidade para além da esfera familiar, e não são elas o centro da trama. Aqui temos duas atrizes, Lily Tomlin e Jane Fonda, que quando a série começou já estavam bem dentro da casa dos 70. Elas dão vida a personagens da sua idade e são o centro da narrativa, trazendo-nos problemas próprios de quem está a envelhecer, com os problemas de saúde inerentes, questões sexuais e existenciais e sempre sem tabus.

2 – A amizade de Grace e Frankie

A amizade entre as duas personagens principais faz a série! A relação das duas é a essência de Grace and Frankie e é absolutamente delicioso acompanhar as aventuras destas amigas improváveis. Elas não podiam ser mais diferentes: Grace é uma mulher elegante que detesta mostrar e expressar sentimentos e Frankie é uma tagarela sem quaisquer inibições ou noção de bom senso. Conheciam-se há décadas, mas a relação não era das melhores precisamente por terem personalidades tão diferentes, mas a vida encarregou-se de as tornar melhor amigas. Bem, não exatamente a vida, mas os maridos delas, que lhes revelaram, ao fim de 40 anos de vida em comum, que eram gays e que se iam casar um com o outro. Resultado: Grace e Frankie acabaram a viver na casa de férias que os maridos, sócios há muitos anos numa firma de advogados, tinham comprado em conjunto e que os quatro já tinham partilhado muitas vezes.

3 – A dinâmica entre as famílias

É normal na vida real que as pessoas continuem a conviver imenso umas com as outras depois do divórcio? É que nesta série isso acontece frequentemente, mas não me estou a queixar, porque é sinónimo de momentos engraçados, geralmente com alguma confusão à mistura. Quando os dois filhos de Frankie e Sol e as duas filhas de Grace e Robert se juntam à festa, é caso para dizer que “quantos mais melhor”. Os “miúdos” são muitas vezes arrastados para os conflitos paternos e têm de ajudar a resolver as coisas, mas também não são raras as vezes em que os pais são chamados para resolver os seus problemas.

4 – Brianna Hanson

A filha mais velha de Grace e Robert, interpretada por June Diane Raphael, é a minha personagem preferida da série, sem qualquer espécie de dúvida. Estás a ver aquelas pessoas que adoram drama de tal maneira que estás sempre à espera que vão buscar um pacote de pipocas enquanto assistem à confusão? Brianna é uma dessas pessoas e é tudo aquilo de que gosto numa personagem. É muito engraçada na sua maneira mean de ser e, não fosse ela filha de Grace, não sabe lidar com emoções, o que lhe causa frequentemente problema nas relações, sejam amorosas, familiares ou laborais. A única coisa que faz Brianna chorar são filmes com cães a morrer. Destaque ainda para a sua relação com Frankie, que é muito cúmplice. Estou à vontade para dizer que ela gosta mais de Frankie do que da mãe, mas eu era capaz de sentir o mesmo no lugar dela!

5 – Combinação perfeita entre drama e comédia

Uma das criadoras de Grace and Frankie é Marta Kauffman, um dos génios por detrás de Friends. Só por aí, acho que o fator comédia está garantido, mas o estilo é bastante diferente do da série dos anos 90. É um humor que me faz lembrar mais The Kominsky Method, outra série muito boa da Netflix e que também acho que faz uma excelente combinação entre drama e comédia. Não há aquele esforço óbvio para nos fazer rir e as coisas soam naturalmente, enquanto a componente mais dramática é on point. Para quem, como eu, tem um fraquinho por dramas, este tipo de comédia é o ideal.

6 – Episódios viciantes

Não é fácil uma série prender-nos ao longo de seis temporadas da mesma forma. No entanto, é exatamente isso que Grace and Frankie consegue fazer e sempre que acabava um episódio apetecia-me ver imediatamente o seguinte. Isto tem também a ver com a própria estrutura da série, que faz com que haja um fio condutor na história. É daquelas séries perfeitas para ver em modo maratona. Não cansa, prometo!

7 – A casa da praia

Acontece-me muitas vezes afeiçoar-me aos lugares das séries e a casa da praia que Grace e Frankie partilham é uma parte bastante importante da história. A casa é linda (tem ali um espacinho perfeito para servir como reading nook), tem piscina e fica mesmo na praia. Podia ser mais perfeita? Nem por isso. Estou até disposta a aturar as maluqueiras de Frankie se me deixarem mudar-me para lá!

Vale também a pena partilhar que a Netflix disponibilizou hoje, de surpresa, os primeiros quatro episódios da última temporada da série.

Diana Sampaio