Bridgerton é o novo êxito da Netflix, lançado em janeiro deste ano. Série com muito romance e drama à mistura, foi criada por Chris Van Dusen e produzida por Shonda Rhimes, tendo como base os livros de Julia Quinn (pseudónimo de Julie Cotler), escritora de romances históricos. A série conta a história de Daphne (Phoebe Dynevor), que vive a sua primeira social season, em busca do seu futuro marido, quando conhece Simon (Regé-Jean Page), um duque que veio virar o seu mundo ao contrário. Com um excelente elenco, figurinos, cenários e banda sonora deixo-te com 7 razões pelas quais não podes deixar de ver Bridgerton.

[Pode conter spoilers]

1 – Tempo de Reis e Rainhas

Em 1813, Londres era considerada um dos centros da cultura e moda da Europa. A ação de Bridgerton é passada durante a regência da Rainha Charlotte devido a uma incapacidade do Rei George III. A alta nobreza era conhecida por gostar de festa. Desde banquetes, festas, bailes, almoços no palácio a convite da rainha, a agenda dos protagonistas não teve descanso ao longo de oito episódios. A série não seria tão boa se não houvesse aquele toque vintage e peculiar que foi dado ao enredo.

2 – Igualdade Racial

O tipo de séries deste género histórico é, muitas vezes, marcado por um elenco caucasiano. Em Bridgerton acontece exatamente o oposto. Rainhas, duques e membros da aristocracia têm etnias diferentes. O espectador foi habituado, ao longo do tempo, que o homem branco protagoniza o rei ou a rainha e o homem negro o serviçal. Bridgerton faz com que nunca tenha havido desigualdade de raças, sendo um ponto vencedor desta série.

3 – O uso do modo narrativo

Uma das características de Bridgerton a merecer destaque é, sem dúvida, o facto de ser narrada por Lady Whistledown (voz de Julie Andrews). Lady Whistledown é escritora de uma newsletter que conta os segredos, dramas e satiriza a vida dos nobres e da corte durante a social season. Numa época em que o papel da mulher é casar e ter filhos, sendo deixado ao sexo masculino a possibilidade de avançar nos estudos, Lady Whistledown veio mostrar que as mulheres não devem ser negligenciadas nesse aspeto. Ter uma pessoa a contar a história oferece um cunho próprio ao enredo tal como vimos em Jane The Virgin ou How I Met Your Mother e é interessante ter um ponto de vista que tenha mais a ver com o que o espectador está a pensar. Bridgerton consegue fazê-lo de uma maneira muito bem pensada e diferente do que temos visto em séries com um narrador.

4 – Costumes da época

Nesta época os costumes eram muito diferentes dos de hoje. O estatuto era muito importante, os casamentos eram arranjados pelo “homem” da casa e na maioria das vezes não havia sentimentos por parte do casal, era apenas para cumprir um dever. A temporada começa com as jovens com idade para casar a serem “cortejadas” pelos cavalheiros. Estar sozinha com um rapaz era completamente proibido e caso isso acontecesse a reputação da jovem rapariga ficava manchada para sempre. O modo de vida era completamente diferente, pois uma mulher solteira ou um filho fora do casamento eram considerados uma desgraça e eram renegados pela sociedade, como se de uma doença contagiosa se tratasse. Estes costumes estão de facto bem retratados de uma forma subtil, mas sem nunca perder a importância.

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5 – Uma série nada púdica

Estamos habituados a ver estas séries de época paradas, que demoram a desenrolar, onde há muita conversa e pouca ação, como se costuma dizer. Bridgerton contraria este paradigma por completo. Tem as suas alturas e momentos e a partir do 4.º ou 5.º episódio, as cenas de luxúria bastante explícitas surgem cada vez mais. Há momentos de muita tensão e a química entre os personagens é bem visível. Como não eram permitidas demonstrações de afeto em público, assim que os casais se apanhavam “entre portas”, outra festa começava.

6 – Banda Sonora

A banda sonora de Bridgerton está realmente muito bem conseguida. Os êxitos dos dias de hoje foram transformados em música clássica própria da altura, dando à série um toque moderno em tempo antigo. Esta técnica, que está de facto muito bem pensada, não é nova, pois durante as temporadas de Reign acontecia o mesmo. No entanto, não deixa de ser uma das razões para ver Bridgerton, pois nos dias que correm a banda sonora é importante a todos os níveis.

7 – Pride and Prejudice meets Gossip Girl

Tal como falado, Bridgerton é narrada por Lady Whistledown, que é nada mais nada menos que uma espécie de ‘Gossip Girl’ de 1813. Em vez de mensagens de texto ou de artigos num blogue, Lady Whistledown relata os mexericos e segredos da aristocracia britânica através de uma newsletter escrita e deixada porta a porta para que todos possam ler. É claro que os protagonistas dos artigos não achavam piada nenhuma a serem desafiados, principalmente a Rainha, que moveu mundos e fundos para descobrir a verdadeira identidade da escritora de maneira a conseguir expô-la perante a sociedade e se vingar do que tinha sido escrito sobre ela. Pride and Prejudice é aquele filme que deixa qualquer romântico rendido e Bridgerton tem um enredo sem dúvida muito romântico, devido à quimica entre os seus protagonistas, depois complementa com a ‘Gossip Girl’ da altura, o que torna o drama muito divertido.

Bridgerton é sem dúvida uma das grandes apostas da Netflix em 2021 e já foi renovada para uma 2.ª temporada, onde poderemos ver os irmãos de Daphne também a entrarem na sociedade. Espero que estas 7 boas razões tenham sido o suficiente para não perderes este sucesso, que já é o mais visto da plataforma de streaming.

Margarida Rodrigues Pinhal