After Life estreou em 2019 e a 2.ª temporada saiu em abril de 2020, mas só agora é que a decidi ver. Não consigo dizer especificamente o que me levou a fazê-lo, só sei que estava a vaguear pela aplicação que utilizo para me orientar nas séries a contemplar qual iria ver a seguir, uma vez que tinha terminado The Good Place (também só vi a série toda agora) e na imensa lista de séries que tenho marcadas para ver lá apareceu After Life. Como só tem 12 episódios, divididos em duas temporadas (seis em cada), com duração média de 30 minutos, pensei: “porque não?”.

Antes de mais, devo confessar que não fiquei muito convencida quanto à série quando vi os primeiros dois episódios. Agora não sei se isso se deveu à abordagem de After Life ou se foi o facto de, em vez de ter visto o primeiro e segundo episódio, ter visto o segundo e o terceiro. Isto porque quando coloquei a série a dar na Netflix, em vez de ter começado o primeiro episódio, começou a dar o segundo (não me perguntem porquê, eu também não sei!). Como vi dois episódios de seguida, acabei então também por ver o terceiro, sendo que pensava que estava a ver o segundo. Não é que eu não estivesse a perceber a história, mas a verdade é que sentia que algo não estava certo. Talvez ter sido apresentada dessa forma à série tenha condicionado as minhas primeiras impressões.

Só me apercebi que tinha começado a ver a série pelo episódio errado após ler comentários, quando fui marcar na aplicação os episódios, que faziam referência a cenas que não tinha visto. Então, decidi ir ver o primeiro episódio e o certo é que acabei por gostar bem mais desse do que dos outros. Não sei se foi porque de certa forma já estava familiarizada com o estilo e abordagem da série, o certo é que quando dei por mim, já tinha visto a 1.ª temporada toda. Logo se seguiu a segunda e quando terminei, num abrir e fechar de olhos, tanto a minha mente como o meu coração estavam num turbilhão de sentimentos e ideias. Ainda assim, no meio desse rebuliço, tudo em que conseguia pensar era no quão boa a série era, mesmo que numa ou outra situação, a meu ver, a abordagem pudesse ter sido outra, e no quanto tinha gostado.

Dessa forma, e ainda que possa ser considerada uma série ligeiramente pesada, dependendo do nosso mindset, especialmente da forma como percebemos e analisamos o que nos está a ser transmitido (particularmente no final do quarto episódio da 1.ª temporada), considero que existem diversas razões pelas quais devem ver After Life, sendo que aqui vos deixo sete.

[Não contém spoilers]

razões ver After Life - Ricky Gervais

1 – Ricky Gervais

Para quem é fã de Ricky Gervais, o facto de After Life ser escrita, realizada e protagonizada por ele já é motivo suficiente para ver a série. Porém, eu não era particularmente fã, sendo que também só conhecia o seu papel como David Brent em The Office UK (e o personagem dele fez-me sentir bastante vergonha alheia, deixem-me que vos diga), mas acabei por ficar bastante surpreendida. Não só com a série que criou, mas particularmente com a sua atuação. Dei por mim a chorar diversas vezes por causa de Tony, o seu personagem, especialmente na 2.ª temporada, e isso não se deveu somente à história dele, mas também à interpretação. Sinceramente nunca me passou pela cabeça, quando decidi dar uma vista de olhos à série, ainda que soubesse qual era a premissa, que ele iria conseguir esse feito. Acho que estava muito presa ao único registo que conhecia dele e erradamente acabei por subestimá-lo. Posto isto, considero que, sem dúvida absolutamente nenhuma, Ricky Gervais é uma das razões pelas quais deves ver After Life.

razões ver After Life - Tony and Lisa

2 – Tony e Lisa

Sendo que a série segue Tony após este perder a sua mulher, Lisa, que lutava contra um cancro, era de esperar que a relação fosse abordada e que esta, de certa forma, mexesse connosco, nem que fosse pelo facto de sabermos que Lisa já não está viva e ver o impacto disso em Tony. No entanto, acaba por ir bem mais além do que isso. É bastante percetível, desde o início, o amor que sentiam um pelo outro e é impossível não ficar de coração partido cada vez que vemos alguns dos momentos que partilharam. Contudo, por mais que nos custe ver esses momentos, ficamos gratos por presenciar um amor tão bonito como o deles. A cumplicidade, a forma como se complementam, como brincam ou fazem pouco um do outro, mas acima de tudo a forma como se apoiam e puxam pelo melhor lado de cada um deles, são algumas das coisas que mostram que a relação de Tony e Lisa é aquele tipo de relationship goals. Mesmo quem não acha muita piada ou não liga de todo a histórias de amor, com toda a certeza que não vai conseguir ficar indiferente a este casal e à sua história.

3 – Brandy

Brandy, a cadela de Tony, só por si já é razão mais que suficiente para dar uma vista de olhos a After Life. É impossível não gostar instintivamente de Brandy (especialmente quando se tem animais, que também é o meu caso, mais especificamente um cão e uma cadela), que mais do que ser uma companhia para Tony, é o motivo pelo qual ele, inicialmente, não comete suicídio. A ligação e a dinâmica entre eles, a par com a relação de Tony e Lisa, são das coisas mais bonitas de ver na série. Para além disso, Brandy parece muitas vezes espelhar a nossa própria angústia para com a decisão de Tony, tornando-a assim uma personagem ainda mais impactante.

4 – Sensação de coração cheio, mas ao mesmo tempo de coração vazio

É estranho e difícil de explicar como é que uma série consegue ao mesmo tempo proporcionar-nos uma sensação de coração cheio, mas ao mesmo tempo de coração vazio, mas a verdade é que After Life faz isso. Isto porque, ao mostrar, por exemplo, a relação de Tony e Lisa, a preocupação de todos para com ele e as sucessivas tentativas de o ajudar, a ligação deste com Brandy, ou até mesmo a relação de amizade com Anne, que também é viúva, é impossível não ficar com aquele sentimento de coração cheio. Já para não falar do sexto episódio da 1.ª temporada que nos enche o coração do início ao fim. Contudo, ao sabermos e entendermos o que Tony está a sentir, é impossível não ficarmos tristes e de coração vazio, não só por ver o que ele perdeu, mas também por ver o quanto está a sofrer. É um misto de emoções, semelhante à sensação de doce-amargo, mas que acabam por se conjugar na perfeição.

5 – Banda sonora

Muitas são as vezes em que vemos uma série e a banda sonora nos passa totalmente despercebida. Apesar de poder ser essencial, visto que, usada de forma bem pensada, pode melhorar e muito a experiência de visualização, sinto que raras são as vezes em que uma série fica marcada ou chama à atenção por causa da banda sonora. Pelo menos eu só consigo pensar em meia dúzia, das inúmeras que já vi, que tiveram esse efeito em mim. No entanto, desde o início que a banda sonora de After Life nos capta a atenção. Nota-se perfeitamente que Ricky Gervais pensou nas músicas ao pormenor, não só por causa da mensagem subliminar que muitas vezes transmitem, mas porque se encaixam mesmo na perfeição, tanto naquilo que nos está a ser mostrado como no ambiente característico da série. Acredito que seja bastante difícil, mesmo para aqueles que muitas vezes não prestam atenção à banda sonora, ficar indiferente a esta. E adivinha quem é que acrescentou umas quantas músicas à sua playlist?.

6 – Do riso ao choro

Apesar de After Life estar categorizada como sendo uma série de comédia, e ainda que alguns momentos, por mais estranhos e random que possam parecer, nos proporcionem algumas gargalhadas, a verdade é que, no geral, acabamos por passar mais tempo a chorar do que a rir, especialmente na 2.ª temporada. Em alguns momentos até estamos a rir, mas rapidamente acontece algo que nos faz chorar. E o contrário também acontece, estarmos a chorar e de repente começarmos a rir. Não existe propriamente um equilíbrio entre a comédia e o drama, mas penso que a forma como os dois géneros foram intercalando funcionou bastante bem.

7 – Rápida de se ver

Uma pessoa carrega no play para começar a ver o primeiro episódio e quando dá conta já terminou tudo. Como mencionado na introdução, After Life, até ao momento, só tem duas temporadas (uma 3.ª já está confirmada) e estas são curtinhas. Assim, para quem não gosta de episódios muito longos ou de temporadas com muitos episódios, esta é uma excelente série para ver. Mas garanto que assim que acabares vais desejar que a série tivesse mais episódios ou que não a tivesses visto tão depressa.

Foram razões suficientes para te convencer a ver After Life? Partilha nos comentários!

Cármen Silva