The Good Place tem sido aclamada desde o seu final como uma das melhores comédias de sempre. Bem sabemos o quão difícil é fazer uma boa série de comédia e provavelmente, aí desse lado, quem ainda não viu pode continuar com dúvidas sobre a afirmação inicial. Desta forma, trazemos sete razões que justificam a qualidade de The Good Place e o porquê de terem mesmo que vê-la!

1. Comédia, Ética e Filosofia num combinação improvável

Quem teve aulas de Filosofia no Secundário dificilmente consegue conceber a ideia de aliar comédia a esta disciplina, especialmente quando se incide sobre questões de ética. No entanto, The Good Place não só o faz como o resultado é brilhante e fascinante. A maneira como são abordados diversos temas e questões éticas e filosóficas consegue dar-lhes o twist humorístico sem perder a profundidade dos assuntos; muito pelo contrário, fá-lo de uma forma tão eficaz que ficamos muitas vezes a pensar naquilo horas e até dias depois de ver os episódios! Sejamos honestos, se tivéssemos tido o Chidi a explicar Immanuel Kant no secundário, talvez aquela nota fosse outra!

2. Conceitos originais, leves e ao mesmo tempo complexos

Existem mil teorias, mais ou menos religiosas, sobre a vida depois da morte, outras mil e trezentas sobre os conceitos de espaço e tempo, que já ouvimos, lemos e vimos serem explorados em outros mil e tal livros e filmes. E ainda assim, The Good Place explora conceitos como estes de uma forma tão original, tão elegante, leve e ao mesmo tempo profunda e complexa, que se surgir por aí uma crença chamada Goodplacismo, nós não só não nos admiramos como nos juntávamos a pronto. Ou ainda alguém tem dúvidas que Jeremy Bearimy é a forma como o tempo no pós-vida flui em relação ao tempo na Terra? E que a pontinha do i é o momento em que nada nunca ocorre? Qual céu, qual quê!

3. Uma forma diferente de fazer comédia

Por que é afinal The Good Place apelidada como uma das melhores comédias? A resposta não está na ponta da língua, mas uma das principais razões é por não se pautar pelo estilo comum das sitcoms. As piadas que aqui se fazem, a forma como são construídas e, o mais importante, como nos chegam são de uma grande inteligência. Não são as típicas falas ou diálogos que nos fazem soltar uma meia gargalhada; também não nos fazem rir descontroladamente, é verdade (qual é a comédia que o consegue?), mas melhor do que isso: fazem-nos pensar. Por meio de sarcasmo, indiretas e diretas, metáforas e eufemismos ligados, na maior parte das vezes, à filosofia, esta série leva-nos a refletir sobre temas e dilemas de forma leviana e cómica. Claro que o elenco, os cenários e a ideia de base de The Good Place em si já têm o ar da sua graça, mas tudo junto é uma fórmula cujo único resultado só podia ser o sucesso.

4. Um elenco muito perto da perfeição

Talento, diversidade, beleza e humor. São apenas algumas das palavras que podem descrever o elenco principal, e também o recorrente, de The Good Place. A série é não só marcada por grandes nomes que já nos habituaram a muitas risadas, como é o caso de Ted Danson e Kristen Bell, como também nos introduziu a atores relativamente estreantes que rapidamente marcaram a sua posição pelo talento que demonstraram, sendo o exemplo mais sonante o de D’Arcy Carden e a sua brilhante Janet, mas também o de Manny Jacinto (Jason), William J. Harper (Chidi) e Jameela Jamil (Tahani). A quase perfeição deste elenco não se deve só ao talento dos atores em trazer-nos personagens cómicas e identificáveis, mas principalmente pela complexidade e profundidade que lhes é incutida.

5. Como quatro estranhos completamente diferentes, um demónio e uma não-robô
se tornam
numa força inabalável

Já repararam nas personagens principais desta série? Um homem a caminhar para a terceira idade, uma meia leca com escolhas de vida questionáveis, um filósofo da Nigéria com demasiadas indecisões, um nativo da Florida (que, para quem não sabe, é um estado onde tudo o que é estranho e impensável acontece) cuja melhor qualidade não é a inteligência, uma socialite linda, mas com traumas de infância e uma não-robô que num estalar de dedos faz surgir à sua frente o que as pessoas quiserem e que a cada reboot evolui um pouco mais. Não podiam ser mais díspares. Não há nada em comum neste grupo de pessoas e de uma não robô, mas, ainda assim, tornam-se numa força inabalável da série. À partida, nada os uniria e o que torna a narrativa ainda mais interessante é perceber como com o passar do tempo vão descobrindo coisas com as quais se relacionam. Uma particularidade muito interessante de The Good Place é a forma subtil com que aborda temas étnicos e sexuais, mostrando que, em última instância, somos todos iguais. Aqui não interessa o tom da tua pele nem por quem te sentes atraído. Não vai ser isso que decide se vais para o Good Place ou para o Bad Place.

6. Janet

Não podíamos deixar de dedicar uma das sete razões para ver The Good Place a Janet. Embora, como já foi dito no ponto 4, todo o elenco da série seja especial e único em cada personagem, Janet é, sem sombra de dúvida, a maior e mais icónica pérola que a série deu ao mundo televisivo. Desde as roupas características, ao “not a girl; not a robot”, a todos os pormenores que fazem Janet, uma coisa é certa, é uma personagem que dificilmente será esquecida. Para além de ser a personagem âncora e estabilizadora da série, uma vez que é a única que não se depara com grandes desafios morais e éticos ao longo das temporadas, dada a sua natureza existencial, Janet acaba por ser das personagens que menos esperamos que tenha um envolvimento e desenvolvimento tão grande ao longo das temporadas e, quando isso acontece, ainda lhe damos mais valor!

7. Um dos melhores series finales de sempre

Já lá vai algum tempo desde que vimos o final da série até à escrita deste artigo, mas pensar no final de The Good Place continua a deixar-nos um quentinho no coração. Não podemos negar que a primeira metade da 4.ª e última temporada da série baixou um pouco de nível, mas ao aproximarmo-nos do fim, e ao perceber que aquela primeira metade mais aborrecida acaba por permitir uma conclusão imaculada e perfeita para a série, sentimos que valeu a pena. Não queremos dar spoilers para quem ainda não viu, mas voltando também ao que já foi mencionado no ponto 2 destas sete razões, o final de The Good Place não só nos dá o desfecho caloroso que os personagens merecem como nos dá um belo conceito sobre o desfecho da nossa existência.

Mélanie Costa e Beatriz Caetano