Malta, eu sei que atravessamos tempos difíceis. Estar em casa é a decisão correta, mas estarmos trancados em casa não é fácil a longo prazo. O entretenimento é o que nos salva e nos faz esquecer por momentos as saudades de beber umas cervejas ou sumos de laranja com os amigos numa esplanada ao sol. Como tal, aqui vai a sugestão de uma série bem porreira e leve e com muitas temporadas para nos entreter!

The Office é uma série de comédia que estreou em setembro de 2005 na NBC e terminou em maio de 2013. É considerada por muitos como uma das melhores séries de todos os tempos. É uma adaptação da série homónima britânica criada por Ricky Gervais. No entanto, para mim ultrapassa a série original em tudo. Foi nomeada a vários prémios Emmy e Globos de Ouro, chegando a ganhar o Emmy para Melhor Série de Comédia em 2006. Em Portugal a série pode ser vista no serviço de streaming Amazon Prime, onde estão disponíveis as nove temporadas.

A série retrata a vida de uma empresa que vende papel, Dunder Mifflin. Ou seja, a vida de escritório dos seus empregados. E, à semelhança de séries como Modern Family, é filmada como um mockumentary. Eles falam para a câmara em estilo de entrevista (sozinhos ou acompanhados). Mas ao contrário da série da ABC as câmaras são mencionadas e dá a entender que estão mesmo a realizar um documentário sobre as vidas de trabalho (e não só) dos personagens.

1- Michael Scott

Primeira razão, sem margem para dúvidas. Inquestionável. Michael Scott é a alma de The Office e a série nunca mais foi a mesma após a sua partida no final da sétima temporada. Michael é o gerente da filial da Dunder Mifflin na cidade de Scranton, no estado da Pensilvânia. Mas ele não é o típico chefe. Ele adora os empregados, considera-os família. O problema é mesmo os seus social skills porque Michael é… Pokémon raro, digamos.

Eu vi The Big Bang Theory antes de me aventurar em The Office portanto ficava sempre felicíssima quando via Jim Parsons ganhar Emmys ano após ano. Bom, isso passou. Steve Carrell foi nomeado a SEIS prémios Emmy e ganhou ZERO. Desculpem-me, o Sheldon Cooper de Jim Parsons é fenomenal, mas não merecia ganhar ao Michael Scott de Steve Carrell, um personagem tão complexo, bem construído e desenvolvido.

2- A relação de ódio/amizade entre Jim e Dwight

Jim aborrece-se imenso no seu trabalho de vendedor de papel. No entanto, o colega que se senta ao seu lado é um Pokémon ainda mais raro do que o próprio Michael Scott. Dwight é… não tem explicação. Juro. Têm de ver a série para poderem apreciar com os próprios olhos o personagem que é Dwight Schrute. Bom, Jim não tem muita paciência para ele e diverte-se muito a chateá-lo, especialmente com partidas. Muitos dos melhores momentos da série é com as zaragatas entre os dois, desde Jim colocar o agrafador de Dwight numa gelatina, quando lhe escreve do “futuro”, entre muitas outras.

3- Os cold openings

The Office é genial nos cold openings, que são aquelas cenas iniciais antes da abertura do episódio. Podem ou não ter conexão com a temática do episódio, mas, regra geral em The Office, são cenas mais aleatórias do que outras coisa. E a maioria delas vale muito, muito a pena, são realmente engraçadas e muito bem construídas. Um bom cold opening deixa-nos muito mais interessados para o resto do episódio e a série fá-lo bem 98% dos episódios.

4- Romance

A série prima por ter casais bastante diversificados e bem desenvolvidos. Um dos casais mais adorados e conhecidos do mundo das séries é Jim Halpert e Pam Beesly. Começaram a série como colegas – ela rececionista e ele vendedor -, amigos e companheiros de traquinices a Dwight. A química entre eles é bem visível desde o primeiro episódio, mas tinham o pequeno grande detalhe de Pam estar noiva. Depois de muitos altos e baixos durante 4 temporadas (que inclui Jim sair de Scranton para ir trabalhar noutra sucursal da Dunder Mifflin), os dois finalmente ficam juntos. Michael, depois várias relações fracassadas, encontra o amor da sua vida numa mulher que é praticamente igual a ele, quirks and all. Vale muito a pena ver, os dois são maravilhosos juntos! Depois temos o casal mais estranho de sempre… Dwight e Angela. Cada um é “especial” à sua maneira e os dois passam por imensas peripécias. Só visto mesmo! Ah, esperem… mentira! O casal mais desequilibrado de todos é mesmo Ryan e Kelly. Nem explico porquê. Vejam. Totalmente chalados!

5- O humor

Pronto, eu sei que as séries de comédia têm de ter piada. Se não são logo fracasso total, canceladas e nunca mais ninguém se lembra delas. Mas as séries de comédia não têm sempre o mesmo tipo de humor. Por exemplo, o humor de Friends é bastante diferente do de The Office. A série de Ricky Gervais é muito mais non-sense e ousada do que Friends. Não têm as gargalhadas da audiência – o que é um bónus – e isso joga muitas vezes a favor da série. A minha irmã, que nem é fã de séries de comédia, chorou a rir com algumas cenas de The Office. Eu própria ri mil vezes até chegar às lágrimas.

6- Os personagens são realistas

Ao contrário de muitas séries do género, The Office não foi buscar o seu elenco a uma agência de modelos. São pessoas “normais” que podíamos encontrar na rua todos os dias. Não são todos “amiguinhos” e companheiros, pelo contrário, há muitas rivalidades e problemas entre eles, tal como há nas empresas normais, entre colegas de trabalho no quotidiano. Claro que como estamos numa série de comédia há coisas que não lembram ao diabo, assim como não há muitos chefes como Michael Scott. O que quero dizer é que a série mantém as coisas simples, pessoas simples com as suas vidas simples e mundanas e conseguiu criar uma obra prima.

7- Elenco de qualidade 

Todas as boas séries necessitam de atores com talento. Steve Carell é tão bom que, como já referi, recebeu meia dúzia de nomeações para os Emmy. Já para não falar da nomeação ao Óscar em 2014 por Foxcatcher. Rainn Wilson, que interpretta Dwight Schrute, recebeu nomeação aos Emmy pela sua prestação. Mindy Kaling, que dá vida a Kelly Kapoor, recebeu prémios pela sua personagem e uma nomeação a um Emmy por Melhor Argumento numa Série de Comédia – visto que realizou e escreveu vários episódios da série ao longo dos anos. John Krasinski foi nomeado já no ano final da série pelo episódio especial final da série. Paul Lieberstein (o Toby dos Recursos Humanos)  recebeu a nomeação para Melhor Realização e Jenna Fischer outra para Melhor Atriz, mas estes são apenas alguns nomes. Todo o elenco é excelente e era difícil imaginar outros atores a interpretarem todos estes personagens memoráveis.

Maria Sofia Santos